09 julho, 2015

O Crash Chinês




Poupadora chinesa em prantos depois de perder suas economias na bolsa de Xangai.



A forte desvalorização no mercado de ações da China, especificamente na bolsa de Xangai de Shenzhen, com uma perda nas últimas três semanas de 3,2 trilhões de dólares tem um potencial de estrago na economia mundial difícil de avaliar. Se a crise no mercado de ações se expandir para a economia real, como muitos especialistas apostam, os efeitos serão gravíssimos para o crescimento econômico mundial, especialmente para países como o Brasil que já não vem crescendo desde 2014.

É inescapável comparar o crash das bolsas chinesas com o mais famoso crash da história: o de Nova York, em 24 de outubro de 1929. São conjunturas econômicas bem diferentes, mas as causas do crash e algumas medidas tomadas a fim de conter a baixa nos preços das ações são assustadoramente semelhantes, inclusive nos seus efeitos.

Assim como em 1929, a principal razão para essa desvalorização impressionante dos papeis nas bolsas chinesas foi a especulação financeira.  Uma forte bolha especulativa fez os investidores chineses, formado majoritariamente por pequenos poupadores, acreditarem que o preço das ações subiria sem cessar e sem limites. Só no último ano, o índice de valorização na Bolsa de Xangai foi de 150%. Em 1929, a crédito farto e fácil estimulou outros milhares de poupadores a contrair empréstimos para comprar ações acreditando que o preço das ações não pararia de subir. O resto é história.

Quando, em outubro de 1929, o índice da Bolsa de Nova York começou a despencar assustando investidores, banqueiros e governo, o que esses agentes fizeram? Despejaram milhões de dólares no mercado de ações a fim de salvar os corretores que deveriam usar essa montanha de dinheiro para comprar papeis e impedir que o preço das ações caísse ainda mais. Na sexta, dia 25 e na segunda, dia 28 de outubro, a medida parecia ter dado certo porque houve uma recuperação, mas quando os donos do dinheiro deram sinais claros de que não estavam mais dispostos a aumentar a liquidez, veio a terça-feira, 29 com suas perdas ainda maiores que as da quinta-feira, 24. As distorções no mercado de ações teriam que ser corrigidas na base de prejuízos incalculáveis para todos, de pequenos investidores a grandes magnatas. O mundo tomava conhecimento do que seria o início da pior crise da história do capitalismo.

O que fez o governo da China depois das perdas trilhionárias na bolsa de Xangai? Interveio no mercado. Primeiro, proibiu a negociação de ações de 1,3 mil empresas. Depois, incentivou estatais a comprar papeis. Além disso, injetou dinheiro para estancar as perdas, incentivando a compra de ações no mercado. O resultado foi uma recuperação nesta quinta-feira, mas a pergunta é: Vai funcionar? Muitos acham que não.  

Não deixa de ser curioso e irônico que a China, dirigida pelo Partido Comunista, esteja sofrendo com as agruras da economia de mercado. A ameaça de um empobrecimento em massa dos pequenos poupadores que perderam suas economias nas bolsas chinesas nas últimas três semanas será um desafio para o governo comunista na China. Seria o capitalismo destruindo os alicerces da ditadura comunista chinesa?
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