06 julho, 2015

Não somos Racistas!!!!

Militância e ignorância quase sempre se confundem num abraço insano. Muita gente reagiu pelas redes sociais contra as agressões racistas sofridas pela jornalista Maria Júlia Coutinho, que apresenta no Jornal Nacional a previsão do tempo. A militância de esquerda, que detesta a Rede Globo, ficou meio aturdida de início porque não sabia como defender uma pessoa que acabava de sofrer uma série de injúrias raciais, sem parecer que estivesse defendendo a Vênus Platinada, como alguns  bobocas chamam a TV Globo. Mas aí eles descobriram o mapa da mina. Em 2006, um livro escrito pelo jornalista Ali Kamel, hoje o chefe de jornalismo da emissora, cujo título é NÃO SOMOS RACISTAS foi o flanco que a militância encontrou para atacar a Globo fingindo que estava defendendo a jornalista. Sobrou até para mim, acreditem.

Desde 2007, depois de ler o livro de Ali Kamel, e dois anos mais tarde o de Demétrio Magnoli, Uma Gota de Sangue, tenho uma postura bastante crítica à política de cotas raciais nas universidades brasileiras. Na época não era fácil ser contra as cotas raciais porque a maioria das pessoas no Brasil se dizia favorável, sobretudo porque quem ousava discordar dessa política era tachado de racista, e muitos se deixaram patrulhar por medo dessa acusação. Eu não! Escrevi no blog diversos textos criticando as cotas raciais e em sala de aula quando instado pelos alunos, expus sem rodeios meu ponto de vista. Algumas pessoas, colegas de trabalho e alunos, incomodaram-se com isso. “Como um professor de história pode ser contra as cotas raciais?” "Ele ignora o que foi o racismo?”, perguntavam entre incrédulos e indignados.

Quando eu afirmei que a nação brasileira não é racista, antes repudia as manifestações de racismo de alguns idiotas, os que discordavam de mim rasgaram as vestes em sinal de escândalo. “Como assim”? Não existe racismo no Brasil”? A pergunta revela que os militantes não escutam o que foi dito, mas o que eles acham que foi dito. Desde 2007 eu escrevo que existe racismo e preconceito no Brasil porque haverá sempre pessoas estúpidas, mas que o brasileiro de forma geral repudia essas manifestações. Peguemos o exemplo atual: foram cerca de 50 mensagens racistas postadas na página do JN, e mais de 500 repudiando essas manifestações odiosas. Então, 50 mensagens racistas tornam o brasileiro um povo racista; mas 500 repudiando tudo isso não significam nada? Ora, militantes, vão plantar batata! Comigo não!

Sempre disse e repito: O RACISMO SE COMBATE COM EDUCAÇÃO E PUNIÇÃO! Que os racistas destilem o seu ódio na cadeia que é o lugar deles!

Voltando ao livro Não Somos Racistas, muita gente que não leu o livro saiu por aí afirmando: “Toma, Kamel! Não somos racistas, hein? E agora?!” Se tivessem lido o livro veriam que na página 20 o jornalista escreveu o seguinte: 


"Isso jamais implicou deixar de admitir que aqui no Brasil existia o racismo. É evidente que ele existia e existe, por que onde há homens reunidos há também todos os sentimentos, os piores inclusive. Mas a nação não somente não se queria assim como sempre condenou o racismo. Aqui, após a Abolição, nunca houve barreiras institucionais a negros ou a qualquer outra etnia. E para combater as manifestações concretas de racismo – inevitáveis quando se fala de seres humanos – criaram-se leis rigorosas para punir os infratores, sendo a Lei Afonso Arinos apenas a mais famosa delas.”

Eis porque afirmo que a militância e a ignorância quase sempre se confundem num abraço insano. São preguiçosos e arrogantes. Preguiçosos porque não leem os livros que dizem que leram e ainda criticam o que ignoram completamente. Arrogantes, porque se consideram superiores e tacham de estúpidos, coxinhas, reacionários toda e qualquer pessoa que ousa pensar diferente deles.


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