01 maio, 2015

A Esquerda não consegue encarar a Verdade.

Escrevi na Facebook que  A esquerda odeia muita coisa: o lucro; a propriedade privada (dos outros); a liberdade dos que pensam diferente, etc. Mas o que a esquerda odeia mais do que tudo isso, é a verdadeHouve algumas reações honestas à esta afirmação e, por isso, vou desenvolver o assunto sem acalentar qualquer pretensão de convencer os que legitimamente discordam.

O ódio da esquerda à verdade tem uma base filosófica. No século XIX, o filósofo americano William James, discípulo de Charles S. Peirce, deu o norte moral para a esquerda. Leiam o que James escreveu sobre o conceito de Verdade: O verdadeiro (...) é apenas o conveniente no caminho de nosso pensamento assim como o "direito" é apenas o conveniente no caminho do nosso comportamento. Conveniente é quase qualquer moda; e conveniente a longo prazo, e de modo geral, é claro; porque aquilo que satisfaz convenientemente a todas as experiências à vista não irá necessariamente atender a todas as experiências seguintes de forma igualmente satisfatória(...) A verdade é uma das espécies de bem, e não, como em geral se supõe, uma categoria distinta do bem e coordenada com ele. Verdadeiro é o nome de tudo aquilo que se mostra bom no caminho da crença.

Vejam que para James a verdade é uma questão de utilidade. Se servir aos meus propósitos, é verdadeiro. Se não, é falso. É óbvio tratar-se de uma grande tolice. Uma crença que pareceu ser verdadeira numa época porque era útil, mas hoje não é mais porque perdeu a utilidade, é apenas um engano útil, não a Verdade.

Fiel a esse pressuposto, a esquerda se esforça por criar narrativas sobre os mais variados assuntos, que, num exame sério, se provariam falsas. Cito alguns exemplos: quem nunca ouviu falar que a economia de mercado, que a esquerda rotula de capitalismo, é responsável pela morte de milhares de pessoas no mundo? Eles usam esse argumento a fim de justificar os 150 milhões de cadáveres que o ideal socialista produziu em nome do paraíso na Terra. Outro dia um colega de faculdade me veio com esse argumento dizendo que o capitalismo era responsável pela morte de milhares de pessoas na Ásia, na África e na América Latina (Fiquei pensando porque ele não citou a América do Norte ou a Oceania). Com a ousadia dos militantes, esse colega de faculdade chegou a firmar que o verdadeiro assassino dos imigrantes que tentam chegar à Europa pelo Mediterrâneo era o capitalismo. Diante dessa afirmação, fiz o óbvio: pedi a ele que demonstrasse como o capitalismo poderia ser responsável por essas mortes. Ele desconversou, é claro, porque ele sabe tratar-se de uma grande mentira. Ora, é porque estão fugindo do capitalismo que esses imigrantes arriscam a vida no Mediterrâneo? Que capitalismo existe nas regiões de onde essas pessoas, muitas delas ainda crianças, vêm? Meu interlocutor ao afirmar essa tolice, não estava preocupado com a verdade. Ele só queria ganhar prosélitos para a sua causa.

Vou dar só mais um exemplo de como a esquerda tem aversão à Verdade. É muito comum associar os militantes de esquerda que enfrentaram de armas na mão a ditadura militar no Brasil, à defesa do regime democrático. Pois bem: não havia um só militante daquela época que aderiu à luta armada que defendesse a democracia. O horizonte utópico deles era implantar a ditadura do proletariado nos moldes cubano ou chinês. Mesmo assim, os jovens nas escolas e nas universidades continuam ouvindo, de professores militantes como esse colega de faculdade, a falácia de que a esquerda que pegou em armas defendia a democracia.  

Para um militante de esquerda não existe verdade, o que há são versões que serão consideradas verdadeiras se servirem à causa. Assim, um militante de esquerda pode defender um valor e o seu oposto sem se convencer de que está sendo contraditório. Por exemplo: um militante de esquerda pode defender um grupo social que ele rotula de oprimido, mas se, e quando esse grupo social não corresponder à suas utopias, esse mesmo militante vai atacá-lo com ferocidade inaudita.

Como esquecer a desonestidade intelectual de George Sorel (1847-1922), filósofo francês e teórico do sindicalismo revolucionário, que admitia não ser fundamental que a utopia marxista se realizasse algum dia. O que interessava era manter viva a crença de que essa utopia se realizaria, e essa crença seria a força motriz da revolução. Esse conceito de Sorel ficou conhecido como o mito político.  Observem que para a esquerda – representada aqui por Sorel, mas seguida por outros líderes, a mentira se conduzida para se chegar à Revolução, é moralmente admitida. Nesse aspecto, por que não considerar a morte de milhões de pessoas em nome da utopia um mal necessário? Não foi essa a justificativa de Lênin, Stálin, Trotsky, Mao e outros homicidas?

O recente caso que ocorreu no Paraná é mais uma prova de como a esquerda detesta a verdade. Vamos ao caso: no dia 29 de abril, houve um confronto entre a PM do estado do Paraná e os professores da rede estadual que estão em greve. Como a esquerda divulga o confronto? Primeiro eles chamam o confronto de massacre – dilatando a seu favor a semântica do termo – Depois eles afirmam que os professores foram protestar contra um projeto do governo (que não os prejudicará em nada), e foram violentamente contidos pela polícia, que usou balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta, cães e cassetetes. Aí um monte de gente desavisada compra essa versão e sai postando ou compartilhando essas coisas que são apenas distorções dos fatos. E quais são os fatos? A PM reagiu – e deve se debater os excessos da polícia e punir os culpados, caso os excessos sejam comprovados - impedindo a invasão da Assembleia Legislativa do Paraná pelos manifestantes e a depredação do patrimônio público. E fez isso atendendo à determinação judicial, que, aliás, havia considerado a greve dos professores ilegal e abusiva. Mais: as cenas de violência a que se assistiu – tristes e lamentáveis, e que não endosso – foi uma reação às ações de vândalos que atiravam pedras e coquetéis Molotov nos policiais, como mostram as imagens. Eis os fatos. Mas a esquerda não está interessada nos fatos, mas nas versões, porque ela sabe que contará com a simpatia de muita gente, afinal, quem pode ser contra a classe dos professores, não é? Quase ninguém se perguntará por que os professores estavam em frente à Assembleia Legislativa, ou se é legítimo, na base da força bruta, impedir – como eles queriam – o funcionamento do poder legislativo do estado.



O que a esquerda queria com esse caso, conseguiu. Mostrar manifestantes feridos – houve policiais também – e posar de defensores da educação; quando, na verdade, agiram como promotores da baderna e da violência.


PS: O colega de faculdade que citei anteriormente, professor em Recife da escola que estudei na adolescência, tentou me rotular de fascista, de inimigo da educação e de traidor da classe dos professores. E por que ele me acusou disso tudo? Porque escrevi o que você leu acima. 

Vamos lá! Ele que defende ou se omite – que é uma forma covarde de defesa - o MST, O MTST e outros do gênero quando esses grupos depredam, destroem e invadem propriedade particular é humanista; eu que defendo o respeito às leis e às instituições, sou fascista? Ah, vai catar coquinho! O douto professor ainda teve a pachorra de sugerir, por exemplo, que a pobreza nos países democráticos, onde vigora a economia de mercado, é equivalente à pobreza nos países de regimes autoritários. Alguém que afirma isso tripudia em cima dos cadáveres e dos prisioneiros que apodrecem nas prisões desses regimes simplesmente porque divergiram do governo. É esse tipo de gente que enche a cabeça da nossa juventude nas escolas e nas universidades.  Eu me livrei desse mal, e você?