18 março, 2015

É preciso combater as mentiras e as calúnias.

Na última segunda-feira, dia 16, a Imprensa destacou uma declaração da presidente Dilma quando ela fazia um pronunciamento sobre as manifestações do dia anterior, que reuniram em todo o país cerca de dois milhões de pessoas. Na TV, foi possível identificar os olhos marejados da presidente quando ao falar em tom de altivez: “Presto homenagem a todos os que lutaram contra o regime de exceção e pela democracia e pelo restabelecimento pelas liberdades democráticas”, e continuou: “[Tive a] honra de participar da resistência à ditadura. Nunca mais no Brasil vamos ver pessoas que, ao manifestarem sua opinião, seja contra até a presidenta, possam sofrer consequências".

É preciso enfrentar a mentira de que os grupos de luta armada combateram a ditadura em favor da democracia. Nenhum desses grupos, amigos, defendia o que entendemos por valores democráticos. O que esses grupos queriam - e só os intelectualmente desonestos negam - era implantar uma ditadura do proletariado, inspirados no modelo cubano e chinês.

A presidente Dilma, que se orgulha de ter lutado contra a ditadura, falta com a verdade quando diz que o fez em nome da democracia.

Deploro que ela, e tantos outros tenham sido vítimas de um Estado autoritário que não se furtou de usar a tortura contra os seus inimigos. Mas esse crime não deve distorcer os fatos e a história. Dilma e tantos outros lutaram contra uma ditadura em nome de outra. Ponto.

Não existe justificativa para ditaduras: sejam de esquerda ou de direita. Quem tentar, perto de mim, justificá-las sob qualquer pretexto, merecerá o meu repúdio.

Só os maledicentes, os preguiçosos e os bocais viram nos protestos de ontem intenções golpistas e anseios autoritários. Se, entre milhares, havia alguns patetas que defendiam uma intervenção militar, estes mereceram da esmagadora maioria um desprezo total.  

Pode-se, é claro, discordar do teor dos protestos de ontem. É um direito, ora! Mas desqualificá-los, chamando os manifestantes de ignorantes, de tolos, de manipuláveis, de coxinhas, de elite branca e outros termos, apenas revela que essas pessoas que se consideram democratas, desconhecem o significado de uma sociedade livre e plural.

Escuto, com horror, discursos que satanizam as pessoas que pelo trabalho, pelo esforço, pagando os seus impostos, conquistaram uma vida confortável. Essas pessoas, porque vivem bem, perderam o direito de protestar?

Afirmar que aqueles que pedem o impeachment são golpistas revela ao mesmo tempo ignorância da lei 1079, de 1950; e uma enorme má-fé. É possível debater se a presidente Dilma se enquadra no artigo 4°, incisos V e VII da referida lei; mas chamar de golpista quem se ampara na legislação para defender o afastamento da presidente, é mais do que estupidez, é desonestidade.

Não sou morno. Abomina-me a postura que se pretende superior - comum aos boçais -  daqueles tipinhos que, fingindo isenção, praticam o isentismo, que é a isenção que tem lado. Essa gente é pior do que arrogante, são modestos de mentirinha.

Não sou de esquerda. E isso não me torna uma pessoa má. Se defender os valores de uma sociedade livre, que respeita a lei, os contratos, o direito à propriedade e a liberdade de pensamento me torna uma pessoa de direita, afirmo que sou sim, de direita! Mas a minha direita é a direita do Churchill, do Hayek, e a esquerda deles, qual é?


Há, sob o comando do Partido, uma mobilização para desqualificar os brasileiros que saíram às ruas para protestar. De um lado, chamam os manifestantes de riquinhos, insatisfeitos com a ascensão dos mais pobres. Do outro, tacham de hipócritas os manifestantes que pedem decência e ética na política, lembrando que esses manifestantes no dia a dia não respeitam esses valores. Acredite, quem afirma isso, não está preocupado se você é honesto na sua vida, eles só querem desqualificá-lo. É como se dissessem: “você, coxinha, que luta contra a corrupção, não tem moral para fazer isso!” Apenas a gente, que defende  Dilma e os valores de esquerda, é que temos essa autoridade”. 

Nenhum comentário: