09 setembro, 2014

Por qual tipo de liberdade se luta num regime democrático?





Em 2014, a CNBB, com o apoio de vários movimentos sociais, promove o 20° Grito dos Excluídos com o tema: Ocupar Ruas e Praças por Liberdade e Direitos (veja o cartaz). É o momento que a Igreja alerta para a situação daqueles homens e mulheres que vivem à margem dos direitos básicos. 

Não há como ser contra isso. Porém, é justo que se reflita sobre como incluir nesses direitos os excluídos; afinal, os meios qualificam os fins. 

Em Mateus, Capítulo 7, versículos 15-29; Jesus nos adverte contra os falsos profetas, e nos instrui como desmascará-los: Pelos seus frutos os conhecereis”.  E prossegue: “Uma árvore boa não pode dá frutos maus, nem uma árvore má dar frutos bons.”

Há 30 anos, nosso país reconquistou a democracia. É evidente que ainda temos muitas carências. Nossa democracia nunca estará completa enquanto direitos básicos como a saúde, a educação, a segurança, o saneamento e a moradia não forem direito de todos. Essas carências, contudo, não nos dão a liberdade de, em nome delas, desrespeitar as leis e ameaçar o direito dos outros.

Para combater a corrupção e protestar contra nossas carências sociais é legítimo depredar e saquear lojas? Para mostrar a nossa indignação contra políticos venais precisamos incendiar ônibus e interromper ruas e avenidas, impedindo milhares de pessoas de chegar ao trabalho, ou de levar um parente doente ao hospital? É assim que se luta por mais direitos e por liberdade? 

Seria o caso de se perguntar: por qual tipo de liberdade se luta num regime democrático? Pela liberdade de atrapalhar a vida dos outros? Pela liberdade de invadir prédios públicos e privados? Pela liberdade de atentar contra a propriedade dos outros? Tudo isso em nome da Justiça Social? É hora de nos voltarmos para o ensinamento de Jesus: “Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má dar frutos bons.”

Não há um exemplo sequer na História em que um movimento de massa foi o líder de si mesmo. Muito pelo contrário. Em todos esses movimentos, a massa foi manipulada por “falsos profetas” que prometiam o paraíso na Terra desde que se destruísse tudo que está aí. Foi assim na Revolução Francesa; na Rússia Bolchevique; nos regimes fascistas.  Qual o resultado dessas utopias? Violência, uma montanha de mortos e a restrição das liberdades. “Pelos seus frutos os conhecereis”.  

Que o povo brasileiro, especialmente a sua juventude, não se deixem conduzir por falsos profetas que prometem um mundo melhor apelando para a violência e o vandalismo, justificando tais ações como necessárias para as “grandes transformações sociais e políticas”. Tomás de Aquino, no século XIII, já nos ensinava que é impossível que do Mal possa nascer algum tipo de Bem.