29 agosto, 2014

O fator Marina.



Marina Silva. O que ela vê?


Mostram as pesquisas que Marina Silva tem amplas chances de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais, e, uma vez no segundo turno, vencer com relativa facilidade qualquer de seus oponentes. Mas de onde vem a força eleitoral de Marina Silva? Que ideias ela defende que parecem seduzir a maioria dos eleitores? Que projetos ela apresenta para melhorar a mobilidade urbana, a saúde pública, a qualidade na educação? Como ela pretende enfrentar a recessão econômica que se avizinha? O que Marina tem que os seus dois oponentes mais diretos não têm?

Em primeiro lugar, Marina conquistou o eleitor despolitizado e desideologizado. Não uso esses termos em destaque de forma negativa. Em toda eleição, esses eleitores são decisivos, seja se abstendo - o que diretamente favorece o candidato que está na frente -, seja escolhendo aquelas candidaturas que as pesquisas indicam como favoritas. Marina representa para esses eleitores o avesso da política. Eles acreditam que a candidatura da ex-senadora está acima dos partidos e dos acordos. Marina não é exatamente, para eles, uma “política profissional”, alguém do meio; mas uma mulher simples, honesta, bem intencionada, e quase predestinada a derrotar um governo medíocre, e a não permitir a vitória de um partido que desde 2002 não consegue convencer os eleitores de suas propostas para o país. Marina é o típico fenômeno de um país desiludido com a política e os políticos, e que se apresenta como a única capaz de resolver os nossos problemas, justamente porque se declara acima e além dos partidos políticos, chamando isso de "nova política". Mas isso tem história, e nunca acabou bem.

Vejam, não me oponho à Marina pelos motivos que muita gente se opõe. Não me incomoda que ela seja evangélica. Não me incomoda que ela venha do Acre. Não me incomoda que ela já tenha sido petista. O que me incomoda em Marina é seu messianismo. O que me incomoda em Marina, é que eu não consigo decifrar o seu pensamento. É desconfiar de sua glossolalia, como se pretendesse esconder mais do que revelar. O que me incomoda em Marina é a sua demonização da política e dos políticos, como se fosse possível numa democracia séria, prescindir deles. Finalmente, o que me incomoda em Marina é a insegurança que eu tenho de sua capacidade de liderança para enfrentar os desafios econômicos que vão se impor no ano que vem.

Em 2010, os brasileiros elegeram Dilma porque acreditaram num presidente amplamente popular que dizia que a então candidata era uma excelente gerente, mais competente do que ele para continuar o processo de desenvolvimento econômico e de inclusão social. Passados quatro anos, temos um governo inepto do ponto de vista econômico, e que tenta desesperadamente passar uma imagem de eficiência que já não engana a ninguém. Foi a inépcia do atual governo que nos levou a uma situação de inflação alta, baixo investimento e crescimento negativo do PIB. Não sei se em 2015 uma presidente com ideias confusas e contraditórias seria o melhor para os desafios que o país enfrentará

Quem me acompanha, sabe que eu não voto no PT. Mas nem tudo que não serve ao PT, me agrada. Marina é um exemplo; o PSOL, cujos valores eu não me associo, outro.  

Se Marina e Dilma disputarem o segundo turno, só me resta a opção, legítima, de anular o meu voto.



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