11 fevereiro, 2014

Vladimir Safatle e sua indignação seletiva.


À esquerda, Lênin. Ao lado, Vladimir Safatle

O professor Vladimir Safatle, em sua coluna desta terça-feira, na Folha, comentou o caso do rapaz preso a um poste por uma trava de bicicleta, sem roupa, na cidade do Rio de Janeiro. O link para a coluna está acima, quem quiser, que leia. Vou me ater a comentar o seu texto.


O professor Safatle é do PSOL e, dizem,  pré-candidato ao governo de São Paulo. Em 13 Janeiro de 2009, no Caderno Dois do Estadão, Safatle escreveu uma resenha de dois livros do filósofo esloveno Slavoj Zizek, cujos títulos eu preciso divulgar: (Sobre a Prática e a Contradição), que reúne textos de Mao Tsé-Tung, tirano chinês que matou 70 milhões de pessoas; e  (Virtude e Terror), com textos de Robespierre, líder dos jacobinos na Revolução Francesa, e protótipo dos assassinos em massa do século XX. Vejam que os resenhados é tudo gente boa. O próprio Zizek é o grande herói dos radicais de esquerda, pelo menos no Brasil. Mas Safatle nesse dia escreveu, está lá, que havia algo de virtuoso no terrorismo. Esse professor que consegue enxergar algo de bom no Terror, está indignado com aqueles que prenderam o rapaz. Por mais estranho que isso nos pareça, não surpreende, afinal, o professor de filosofia da USP é do PSOL.

Safatle está indignado porque prenderam um rapaz, cuja ficha criminal pode ser encontrada no polícia do RJ, nu, em um poste, preso com uma trava de bicicleta. Eu, como cidadão, de valores liberais, também fiquei porque acho que ações como essa são selvagens. Mas a minha indignação não é seletiva, como é a de Safatle.


Ele tacha de proto-nazistas, de racistas, de autoritários e elitistas a reação da sociedade contra a insegurança nas grandes cidades. Safatle deve considerar progressista, humanitária e libertária as ações dos Black Blocs que depredam e incendeiam o patrimônio público e privado, e que ameaçam os cidadãos comuns.


Safatle não tem uma palavra para o trabalhador, o cidadão que é extorquido com impostos cada vez mais altos, e que é assaltado por meliantes, muitos, menores de idade.  Safatle, certamente, tem muito o que dizer aos bandidos, aos vagabundos, aos assassinos travestidos de manifestantes; mas nada aos pais que perderam os filhos; aos filhos que perderam os pais; às família que foram destruídas e que assistem, impotentes, os algozes sequer serem presos; e quando são, soltos pouco tempo depois para destruírem a vida de mais famílias.


Safatle é intelectualmente desonesto. Ele sabe muito bem que a tal apresentadora, a Rachel Sheherazade, não defendeu a violência, e sim, lembrou o óbvio: a falta de ação do Estado permite, para a nossa desgraça, a ação de pessoas que se denominam de justiceiros.

Safatle chama de fascista, racista e elitista as pessoas que não comungam de seus valores. Eu compreendo o professor, afinal, quem vê virtude no terrorismo, quem justifica as ações de Mao, Robespierre, Lênin, Stálin, não pode compactuar com a violência perpetrada pelos justiceiros contra um pobre jovem negro. Aliás, Stálin costumava chamar seus inimigos de fascistas. 


Safatle, o que enxerga superioridade moral no Terror, o indignado seletivo, o que condena a ação dos justiceiros - condenável, sem dúvida! - exulta, aposto, com as atrocidades cometidas pelos líderes comunistas a fim de produzirem o "homem novo". Deve sorrir com satisfação quando os black blocs quebram vidraças de bancos, incendeiam ônibus, agridem policiais, ferem jornalistas. Quem sabe ele considere a morte do cinegrafista da Band um mal necessário, vai saber.


Às vítimas dessa gente torpe e má, Safatle não tem compaixão, elas não merecem. São reacionárias, conservadoras, direitistas.

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