09 fevereiro, 2014

Sheherazade e a Reação!







Decidi entrar na polêmica sobre a declaração da âncora do Jornal do SBT, Rachel Sheherazade, a respeito do rapaz encontrado sem roupa e preso a um poste por uma trava de bicicleta no centro do Rio de Janeiro.  Segundo o que foi apurado, a ação foi de um grupo autointitulado “justiceiros”.  O rapaz preso é acusado de praticar furtos na região.

Rachel Sheherazad declarou em síntese que a população cansada da insegurança tem o direito de se defender. Houve protestos, campanhas na internet contra a jornalista, memes a ridicularizando, notas de sindicatos repudiando a sua declaração. Em tudo a mesma crítica: a jornalista incitou a população à violência.

Quem, em sã consciência, pode defender a barbárie? Quem pode exultar com a justiça feita com as próprias mãos? Quem não preferiria que nas cidades do Brasil se pudesse andar sem medo de assalto? Quem não preferiria confiar na Justiça e na Polícia?  Mas se isso não acontece quem teria autoridade moral para criticar uma vítima da violência que decidiu reagir?  Quem teria a coragem de jogar na cara de uma mãe, de um pai, de um parente que perdeu o seu filho em um assalto, que o assassino é antes de tudo uma vítima da exclusão social? 

Quando a Polícia, a Justiça, os políticos parecem inermes diante do problema, o que o cidadão deve fazer? Ficar em casa preso como se fosse ele o bandido? Ir ao trabalho, ao parque, ao cinema, ao shopping com um dinheirinho extra, com um relógio reserva, com um sapato na bolsa para pagar pedágio ao bandido? Por que tanta gente fica indignada quando um marginal é preso num poste sem roupa, e se cala quando um cidadão que trabalha, que paga imposto, que tem uma família que depende do seu trabalho é assaltada na rua ou morta por bandidos? Por que essa indignação seletiva?

Alguém vai dizer que estou falando de coisas diferentes.  Vai dizer que o motivo de repúdio à declaração da jornalista do SBT foi o fato dela ter, por vias indiretas, elogiado a ação dos “justiceiros”. Somente o entendimento embotado de algumas pessoas de boa fé poderia ver que a jornalista passou a defender a lei da selva como solução para o problema da violência nas grandes cidades. O que ela defendeu foi que se o Estado é omisso, se a própria PM do Rio diz não poder fazer nada, quem vai fazer? A crítica da jornalista é mais ampla do que se pensa. A jornalista afirmou nas entrelinhas que ou o estado se impõe, ou teremos um exemplo concreto do estado de natureza, onde sem lei e ordem, todos são inimigos uns dos outros. A diferença é que agora o cidadão, vítima da violência, decidiu não mais morrer ou ser aviltado nos seus direitos sem resistência. 

Precisamos cobrar do Estado uma ação efetiva. Dos congressistas leis duras. Do poder executivo, prisões – e não pardieiros – e da Justiça, responsabilidade. Ou acontece isso, ou então estaremos naquela situação definida por Hobbes em que o homem é o lobo do próprio homem.

Rachel vem incomodando muita gente nas redes sociais, nas redações e nos sindicatos por dois motivos principais: é conservadora (E isso no Brasil parece crime), e porque vem se destacando entre aqueles que criticam a Era Petista, e isso nas redações, nas redes sociais e nos sindicatos é como se fosse uma traição à pátria. Eu tenho asco dessa gente! Quando essa mesma jornalista foi vítima de um professor de filosofia da UFRRJ que desejou pelo twiter, no final do ano passado, que ela fosse estuprada, onde estavam esses mesmos indignados que agora brandem a espada dos direitos humanos para atacá-la? Onde estavam os grupos feministas que sequer reagiram a essa infâmia? Onde estavam os “humanistas” das Redes Sociais que  compartilham com indignação seletiva a declaração de Sheherazade,  acusando-a de incitadora da violência, quando a mesma jornalista, há pouco mais de um mês, foi agredida nas redes sociais e não houve artigos, memes, notas de repúdio  contra a ofensa sofrida por ela?

Não, eu não defendo que a população reaja contra os bandidos, os assassinos, os meliantes de qualquer idade. Entendo que se chegarmos a isso seremos ainda piores do que somos. Mas assim como a jornalista Rachel Sheherazade, eu compreendo quando os cidadãos cansam da inércia e da incompetência das autoridades e reajem!

Um comentário:

A.Porto disse...

A alguns anos atrás, a apresentadora Hebe, também do sbt, disse ao vivo em seu programa que tinha vontade de matar "champinha", o menor que assassinou um casal de estudantes.
O descaso das autoridades tem aumentado a indignação de todos,
sem exceção.