28 abril, 2013

Quanto vale a vida humana no Brasil?

Que outro sentimento se não o da revolta diante da torpeza e da vilania de criminosos frios e cruéis que diante de suas vítimas inermes, sem qualquer possibilidade de defesa, tornam-se assassinos covardes. 

O que dizer à família da dentista de São Bernardo do Campo ou à família do jovem estagiário da rede TV que tombaram sem chance de defesa diante de seus algozes? Que eles, ou a sociedade que eles representam colocaram a arma nas mãos daqueles facinorosos - vítimas da desigualdade social - e por isso hoje eles choram seus entes queridos?

Há certamente algo mais asqueroso que a certeza de que os menores que praticaram esses crimes sairão, após reclusão máxima de três anos, com sua ficha limpa como se nunca tivessem tirado a vida de ninguém. Há certamente algo ainda mais repulsivo que a convicção de que esses criminosos às vésperas de completarem 18 anos, não passam de crianças merecedoras de cuidados, respeito e proteção por parte do Estado. 

O que há de mais asqueroso e repulsivo é a crença de que esses monstros não passam de vítimas da pobreza, da miséria e da violência. É a crença de que a dentista que ganha o seu sustento trabalhando ou o estagiário que inicia uma profissão são representantes da classe opressora que põe na mão dos “desassistidos” a arma de fogo e no seu coração o ódio e a revolta. Pior: tão ou mais repulsivo e asqueroso é a ideia de que a pobreza produz criminosos às pencas, jovens que não tiveram escolha senão a delinquência.

Cada um que relativiza esses atos hediondos tirando dos criminosos a responsabilidade objetiva de tê-los cometido, colocando a culpa na sociedade, na desigualdade social, no preconceito, na falta de oportunidades, de alguma forma, queira ou não, torna-se cúmplice desses assassinos. No fundo, sentem um certo prazer, uma alegria mórbida de ver o meliante fazendo a justiça social com as próprias mãos.  Não puxaram o gatilho, nem atearam fogo, mas com suas convicções supostamente humanistas – humanista apenas para os bandidos, diga-se – criam o clima de impunidade e a certeza de que tirar a vida de um trabalhador, um jovem, uma dentista, uma pessoa de bem no Brasil (ainda mais quando se é menor), valerá pouquíssimos anos de cadeia. Às vezes nem isso.


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