13 janeiro, 2012

Medo

Torniquete.

Eu tenho medo do que penso.
E das conjecturas que faço nessas horas...
Eu tenho medo que a solidão de agora
Dure para sempre.
Ligo a TV, acesso a internet, escuto música, leio...
E continuo só e com os mesmos receios...
Onde eles estão agora?
Será que a esta hora, 22:40, estão dormindo?
Como eu queria, um dia, poder dormir junto a eles
Ouvir a voz pequenina deles
Niná-los com minhas canções inventadas
Vê-los adormecer lentamente
E contemplar esse sono como quem contempla a sarça ardente.

De certo, neste momento, é a minha solidão.
Esse torniquete que a saudade faz no meu coração.


Ontem eu brinquei.

Dor e alegria.

Ontem eu brinquei com os meus meninos

E senti aquela alegria sem motivo

Como a felicidade que dispensa causa ou nota de rodapé.

Corri com Estêvão.

Dancei com Timóteo

Fiz careta, joguei baralho,

E ri quando o mais velho ficou bravo

Como o pai ficava quando perdia.

Ontem foi um daqueles dias

Que se guarda por toda a vida.

Mas também houve, para a minha agonia

Um momento que até agora me atormenta.

Estêvão me pedindo com o seu jeitinho

Para eu ficar só mais um pouquinho

E eu não podia...