11 dezembro, 2011

Análise do item 77, do tipo D.

Antes de responder objetivamente ao item do tipo D do vestibular da Unb de ontem, eu preciso fazer uma pequena contextualização. Não se cansem, mas se cançarem, vão logo para a parte final do post.

A vitória da tríplice aliança contra o ditador Solano Lopes deu ao Exército brasileiro uma força política muito grande. No meio militar havia muitos defensores do regime republicano - visto como um regime mais moderno e mais condizente com os regimes políticos do continente. A insatisfação do Exército com a monarquia tinha duas causas fundamentais: a sensação de pouco prestígio junto ao governo e o soldo considerado muito baixo pelos militares.

Outro acontecimento que vai minar as bases da monarquia foi a Questão Religiosa, quando o Papa Pio IX, na bula Sylabus, passou a exigir que os católicos não se envolvessem com a maçonaria. Questões políticas determinaram a prisão de dois bispos, o de Olinda e o de Belém, causando uma grave crise entre o imperador a Igreja e, segundo os historiadores, fazendo com que o prestígio popular do governo se deteriorasse ainda mais.

Finalmente, a Lei Áurea de 1888 que pôs fim a escravidão, concluindo um processo que havia começado em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós, retirou do governo o apoio político das oligarquias que ainda dependiam do trabalho compulsório.

O item do tipo D que pedia ao candidato que escrevesse sobre os principais acontecimentos que levaram ao fim da Monarquia, dando como contextualização o fim da Guerra do Paraguai, poderia, a meu ver, ser resolvido da seguinte maneira:

A Questão Militar, que expôs as relações conflituosas entre a cúpula do Exército e o governo imperial, especialmente após a Guerra do Paraguai, reforçou no seio do Exército as ideias republicanas.

A Questão Religiosa, que por questões políticas levou o governo imperial a prender dois bispos que se recusaram a cumprir as ordens do governo que determinou a nulidade da bula papal, acabou provocando um escândalo na população que ficou do lado dos bispos presos.

A Abolição, cujo apoio do governo imperial provocou a ira de muitos setores agrários que viam no fim da escravidão a ruína de seus negócios, retirou o apoio político indispensável para a manunteção do regime no Brasil.

Aprofundando

Num livro hoje já considerado clássico, a historiadora Emília da Costa Viotti, relativiza esses acontecimentos, afirmando que embora tenham tido alguma significância no processo de enfraquecimento da monarquia, não foram eles essenciais para o fim do regime. A historiadora, de formação marxista, viu no desenvolvimento da economia e na modernização do setor cafeeiro, além de um desejo de maior participação política das oligarquias - entenda-se federalismo - fatores mais importantes para o fim do regime.

Um outro historiador, Marco Antônio Villa, lembra em há três meses do golpe que derrubou a monarquia e proclamou a república, a eleição para a Câmara elegeu apenas dois deputados republicanos (o partido republicano paulista havia sido fundado em 1871) Como então, explicar a desmoronamento da monarquia em três meses com maioria no parlamento? Segundo o historiador, o que definitivamente pendeu a balança a favor da república foi a proposta do federalismo que abria para os oligarquias das províncias o poder político que eles tanto aspiravam, mas que o centralismo monárquico criava dificuldades.

espero que eu tenha ajudado.





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