02 outubro, 2011

Recordações.




Algumas múscias nos levam imediatamente à infância. Ouvindo Chico da Silva me sinto impelido por um monte de recordações que não se concatenam, mas têm lá a sua lógica. Lembro de meu pai, já tomado pelo excesso de destilado, misturado à cerveja, cantando na frente do espelho, tocando um violão que só ele via... Lembro do feijão de minha mãe, da verdura com maionese que ela fazia, da galinha cozida, do Programa Silvio Santos...

No instante, me vem à lembrança o Alto da Boa Vista, em Camaragibe, na casa de minha tia Neta. As brincandeiras com os primos, a alegria tola de estar na rua conversando bobagem, correndo, e sempre, sempre, samba na velha radiola Sharp, copos, cerveja, petiscos, pessoas que falavam alto e riam mais alto ainda... De repente, uma discussão mais ácida, um desentendimento que fazia todos temerem pelo fim trágico daquela reunião de domingo... Mas tudo acabava bem, ou no máximo, sem violência, apenas desavenças que depois do efeito do álcool, as pessoas esqueciam...

Hoje estou em Brasília, no meu apartamento, lembrando dos meus filhos pequenos, lindos, felizes, e vivendo nas recordações de minha infância uma espécie de saída para o fato deles não estarem aqui...

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