26 outubro, 2011

Porque não consigo dormir...

A rua escura, cheia de poças d'água por conta das chuva da última hora, tornava o cenário em que ele caminhava ainda mais sombrio. Está sozinho. Uma palavra sequer ele consegue pronunciar. Tudo na sua vida se mistura na sua mente. Sua memória está confusa. Ele pensa no que perdeu e que nunca mais vai recuperar. Pára. Não sabe para onde seguir. Não sabe se deve prosseguir. Não sabe mais de nada. Lembra deles, dos olhos deles, do sorriso deles, da voz deles e chora...

Os trovões sinalizam que a chuva vai voltar com força. Um vento gelado sopra e ele não esta agasalhado. Sente-se vulnerável a tudo. Não vê mais sentido em nada. A vida dele está suspensa no ar, como o quarto do poema de Bandeira. Procura algo no que se apoiar e não encontra. Está, absolutamente perdido... Lembra, confusamente, de alguns versos de Gonçalves Dias que no distante século XIX, retrata sua condição atual...

Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;

Não lembra mais do restante do poema.

A chuva começa a cair. Fraca como se não estivesse com pressa para atormentá-lo. "O que eles pensarão de mim daqui a alguns anos?" - Pensa. A noite continua. O frio começa. O fim se aproxima com rapidez...

Nenhum comentário: