26 outubro, 2011

Para eles que são a minha melhor obra...



Eu ainda não sei, meninos, como fazer para que vocês saibam que os amo muito. Talvez, pelo meu jeito atrapalhado eu nunca saiba. Mas saibam que eu sofro muito por não estar mais perto de vocês. Queria tanto sair, caminhar, brincar, estar mais junto...

Porque não consigo dormir...

A rua escura, cheia de poças d'água por conta das chuva da última hora, tornava o cenário em que ele caminhava ainda mais sombrio. Está sozinho. Uma palavra sequer ele consegue pronunciar. Tudo na sua vida se mistura na sua mente. Sua memória está confusa. Ele pensa no que perdeu e que nunca mais vai recuperar. Pára. Não sabe para onde seguir. Não sabe se deve prosseguir. Não sabe mais de nada. Lembra deles, dos olhos deles, do sorriso deles, da voz deles e chora...

Os trovões sinalizam que a chuva vai voltar com força. Um vento gelado sopra e ele não esta agasalhado. Sente-se vulnerável a tudo. Não vê mais sentido em nada. A vida dele está suspensa no ar, como o quarto do poema de Bandeira. Procura algo no que se apoiar e não encontra. Está, absolutamente perdido... Lembra, confusamente, de alguns versos de Gonçalves Dias que no distante século XIX, retrata sua condição atual...

Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;

Não lembra mais do restante do poema.

A chuva começa a cair. Fraca como se não estivesse com pressa para atormentá-lo. "O que eles pensarão de mim daqui a alguns anos?" - Pensa. A noite continua. O frio começa. O fim se aproxima com rapidez...

21 outubro, 2011

Insônia



São duas e vinte da madrugada
e o que sinto é mais que insônia...
É uma dor, e uma aflição medonha
vem assombar a minha casa,
já tão vazia de tudo...
Um clima mórbido, de luto
impregna o chão e as paredes.
Quero sair, fugir, correr, infinitivos
passeiam na minha mente,
cansada de tantos antidepressivos...
Quero água, mas não tenho sede.
São duas e vinte e oito da manhã
e eu só queria dormir tranquilamente
sem pensar, e sem sentir, inocentemente,
eu só desejo partir...

07 outubro, 2011

Parece, mas não é um haicai



Quando aquelas nuvens vermelhas escurecerem
O sol que brilhou vai se apagar
E a treva que se foi... voltará.

Quando, meninos, só houver a lembrança
Mais de um nome que de uma pessoa,
Todo o meu esforço terá sido à toa...

Mas daqui irei vê-los sempre pequeninos.
Para que crescer, não é mesmo?
Sejam sempre os meus meninos...

Na segunda infância, que é a velhice,
Desejo apenas e nada mais
Que ouvir de vocês: “nós o amamos, pai!”

03 outubro, 2011

Saudade...




Aos meus filhos.

Quando vocês estiverem bem grandes

e o pai de vocês longe...

Quando vocês tiverem nos braços os netos dele,

olhando-os com desvelo e amor,

Escutem aquela música...

E o pai de vocês estará aí.

Meus dois pequenos de tão pequenos
não podem saber o que se passa no meu coração...


Canção de aniversário

Quando você estiver crescidinho

Talvez olhe para trás

Talvez entenda o caminho

Que percorreu o seu pai.

Hoje você faz um aninho

Mal começou a viver

Timóteo, meu pequenininho

Deus abençoe você

Quando ele me abraça e sorri,

E ainda não me julga.

Quando diz: "Papai!"

Me absolve de todas as culpas....

Enche de alegria meu coração

Acalma,

a minha alma.

O sorriso dele,

Minha maior ambição.


02 outubro, 2011

Oh, os carnavais de minha infância! A bisnaga de água que por alguma razão por mim desconhecida era chamada de lancheira. Pelas ruas do meu bairro, Monsehor Fabrício, os meninos maiores enchiam suas "bombas" com água suja e sem pena, melavam os traseuntes, que não raro reagiam às vezes com violência...

Mas a lembrança mais cara é a dos frevos nas diversas casas da rua Leal de Barros...

Recordações.




Algumas múscias nos levam imediatamente à infância. Ouvindo Chico da Silva me sinto impelido por um monte de recordações que não se concatenam, mas têm lá a sua lógica. Lembro de meu pai, já tomado pelo excesso de destilado, misturado à cerveja, cantando na frente do espelho, tocando um violão que só ele via... Lembro do feijão de minha mãe, da verdura com maionese que ela fazia, da galinha cozida, do Programa Silvio Santos...

No instante, me vem à lembrança o Alto da Boa Vista, em Camaragibe, na casa de minha tia Neta. As brincandeiras com os primos, a alegria tola de estar na rua conversando bobagem, correndo, e sempre, sempre, samba na velha radiola Sharp, copos, cerveja, petiscos, pessoas que falavam alto e riam mais alto ainda... De repente, uma discussão mais ácida, um desentendimento que fazia todos temerem pelo fim trágico daquela reunião de domingo... Mas tudo acabava bem, ou no máximo, sem violência, apenas desavenças que depois do efeito do álcool, as pessoas esqueciam...

Hoje estou em Brasília, no meu apartamento, lembrando dos meus filhos pequenos, lindos, felizes, e vivendo nas recordações de minha infância uma espécie de saída para o fato deles não estarem aqui...

01 outubro, 2011

Melodia sentimental



Como quem perambulava sem rumo,
numa estrada escura, poeirenta e sem fim,
eu não esperava mais a luz...
Mas aí, você chegou.