15 setembro, 2011

A inveja santa e a inveja diabólica.

Considero a inveja um sentimento bastante humano e comum. Aliás, bem comum. Quem é sincero sabe, de si para si, que já sentiu alguma vez algum tipo de inveja. Eu, por exemplo, tenho inveja de algumas pessoas. Confesso. Mas quero explicar o meu conceito de inveja, não para justificá-la, apenas para distinguir a inveja santa, ou do bem; da inveja diabólica, ou do mal.



A inveja santa é aquela que nasce da triste certeza de que jamais teremos, por mais que nos esforcemos, as qualidades e o talento de pessoas que admiramos. Eu invejo, por exemplo, João Pereira Coutinho porque apesar de nós termos a mesma idade, eu jamais terei o mesmo talento que ele tem para escrever crônicas e, dificilmente ombrearia com ele em qualquer disputa intelectual ou acadêmica. Essa inveja não nasce da arrogância, mas do reconhecimento humilde de que o outro, ou os outros, a quem admiramos serão sempre melhores do que a gente justamente naquilo que gostaríamos de ser e nunca seremos. Essa inveja do bem, se for do bem, pode nos ajudar a aprender e aperfeiçoar conhecimentos e qualidades que queríamos muito ter. Mas eu insisto: jamais seremos iguais àquelas pessoas que invejamos, mas que não deixamos de admirá-las por isso. O reconhecimento disso é a principal característica da inveja santa.

A inveja diabólica tem outra natureza. O invejoso do mal não entende porque os outros não enxergam nele o talento e a qualidade que ele julga ter e, por isso, não aceita ou não admite que outra pessoa seja reconhecida mais do que ele.

O invejoso do mal é arrogante, mas também é inseguro. Ele se dá uma importância exagerada e fica péssimo se um companheiro de trabalho, um colega de sala, um vizinho, enfim, uma pessoa próxima recebe um elogio, uma promoção, uma nota maior. Ele que se julga merecedor de tudo isso, não entende porque o outro é mais reconhecido do que ele. O invejoso do mal quer as glórias só para si ou, no extremo, fica satisfeito se ele não recebe o reconhecimento, desde que ninguém receba. É uma pessoa doente e mesquinha.

O que é mais letal no invejoso diabólico é que ele começa a sabotar o trabalho do colega que se destacou mais do que ele. Mas ele faz isso - e aqui o invejoso do mal se torna cruel - fingindo simpatia, companheirismo, amizade.

O invejoso do bem queria poder ter o talento e as qualidades da pessoa que ele inveja. O invejoso do mal não aceita, acha injusto, que a pessoa que ele inveja se destaque mais do que ele.

O invejoso do bem admira o talento e as qualidade da pessoa que ele inveja; O invejoso do mal detesta e odeia o talento e as qualidades da pessoa que ele inveja.

O invejoso do mal não é só um doente, é também, e, antes de tudo, um mal caráter.


Um comentário:

Ilka Costa disse...

Sua definição de inveja ou das invejas é perfeita e muito verdadeira. Parabéns! (sinto inveja de vc, santa é claro)