07 agosto, 2011

Condenados à fome¹



No fim de julho, a ONU decretou que o Chifre da África, que inclui Etiópia, Somália, Eritréia e Djibuti, está sob estado de fome. Pra que uma declaração assim ocorra, é preciso que um quinto da população esteja sem comida e que, por dia, morram dois adultos ou quatro crianças a cada 10. 000 pessoas. Em geral, esse é o alerta que leva entidades do mundo todo a enviar alimentos, remédios e médicos para atender os necessitados. Isso não ocorrerá na Somália. Seus três milhões de habitantes que precisam de ajuda imediata ou morrerão em breve não poderão ser socorridos pela solidariedade mundial porque esse é desejo da milícia islâmica Al Shabab (em árabe, a "juventude"), que controla o sul do país.

Ligada aos sunitas da Al Qaeda e apoiada pelos libaneses xiitas do Hezbollah, a Al Shabab tem como bandeira livrar a África de qualquer influência ocidental. Em 2009, [ a milícia islâmica] baniu doações de comida e campanhas de vacinação sob o argumento de que se trata de conspiração para matar crianças. Dezenas de agentes humanitários enviados para cuidar da população local foram mortos.
O grupo impede que os habitantes dos locais nos quais exerce seu poder viajem para a capital, Mogadíscio, onde um governo frágil foi montado em junho, ou para a fronteira com outros países, onde poderiam se beneficar de alguma ajuda internacional. Todos são confinados a acampamentos precários. Os famintos que às vezes reúnem forças e tentam fugir são fuzilados imediatamente. A milícia também é acusada de desviar o curso de rios dos vilarejos como forma de extorquir os pequenos agricultores. Por causa da ação da Al Shabab, meio milhão de crianças está à beira da fome crônica, que pode levar à morte.

1- Texto extraído de matéria publicada pela revista Veja na edição 32, ano 44, de 10 de agosto de 2011.


Um comentário:

reflexão disse...

A fome é uma das violência mais forte que existe. Demonstra que o ser humano não é humano. E também não sabe o que é ser. Enquanto houver fome neste mundo, não saberemos o que é realmente o ser humano.