21 junho, 2011

Alberto Caeiro e o consolo da desimportância.


Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois

Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas ...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.

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Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena ...




Um comentário:

Dalvit disse...

O Zé!!!
(que eu conheci agora na internet)

Gostei de ter conhecido a letra do Alberto Caieiro. É de fato mui linda.
Já ouvi a música, que um povo aqui de Minas fez com esta letra. Quem canta é a Leopoldina. Dá uma olhadinha no youtube/Sr. Brasil do Boldrin e, se você ainda não conhece, vai se deliciar.

Abraços, Dalvit