19 maio, 2011

Eita, essa Casa Civil.


Que Palocci está sendo blindado pela base aliada no Congresso não há dúvida, e dentro da lógica política e do histórico ético que norteiam os parlamentares brasileiros é até compreensível. Agora, que setores importantes do jornalismo noticiem o assunto com um visível constrangimento, como se falassem mais por obrigação do que por dever profissional de ir fundo nas investigações, a fim de oferecer ao distinto público a informação que é a razão do jornalismo, aí é estranho.

A impressão que passa é que o ministro Palocci, sem poder explicar como, em 4 anos, ficou 20 vezes mais rico, comprando dois imóveis em São Paulo que somam mais de 7 milhões de reais, só teria uma saída: pedir para sair. E parece, esse é o maior temor dos chamados mercados, de muitos empresários e de setores da imprensa que se fiam no ar educado e moderado do ministro do PT como uma barreira para os aloprados do partido, que poderiam chegar no governo numa posição de mais força com a eventual saída de Antônio Palocci.

Palocci, embora absolvido por falta de provas num placar apertadíssimo no STF(5X4) no inquérito da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, sabe muito bem, assim como todas as paredes do Planalto, o papel que teve no imbóglio. Agora, igualmente, sabe que seu enriquecimento em apenas 4 anos é inexplicável se levarmos em conta à Lei.

Quem está segurando Palocci no cargo não é exatamente a farta base aliada do governo no Congresso, mas aqueles setores citados acima, que depositam no ministro chefe da Casa Civil a confiança necessária para que o já claudicante governo Dilma não perca o rumo de vez. O fato, porém, é que Palocci virou refém das pessoas que revelaram seu enriquecimento para a Folha e dos paralamentares que, por enquanto, têm feito um enorme favor ao ministro evitando que ele dê explicações mais precisas sobre o seu patrimônio. Por exemplo: até agora, o ministro se recusa a dizer os clientes para quem trabalhou como consultor e quanto arrecadou nessa função. Para quem não tem nada a esconder, essa decisão é no mínimo suspeita. Quando um ministro depende do favor do Congresso, a conta normalmente é alta.

Uma pergunta me ocorre: ora, se em 4 anos, o então deputado federal Antônio Palocci do PT de São Paulo conseguiu aumentar em 20 vezes seu patrimônio atuando como consultor, por que largou esse filão tão rentável para receber apenas salário de ministro? Patriotismo tem limites, não acham? Ou então, desculpem-me: deve haver algo de podre no reino da Dinamarca.

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