30 abril, 2011

30 de abril!




Quando ele me abraça e sorri,
E ainda não me julga,
apenas diz:"Papai!"
Enche de alegria meu coração
Acalma,
a minha alma

O sorriso dele é a minha maior ambição.

24 abril, 2011

Crônica de um domingo de Páscoa

Tudo parecia afligi-lo. Nenhum lugar parecia seguro. Lá fora a ventania prenunciava uma forte tempestade. Das nuvens, aterradoramente escuras, raios caíam por detrás dos prédios e estrepitosos trovões atormentavam-no ao ponto do desespero. Não era apenas medo do temporal. Era medo de si mesmo. Era a estranha sensação de paralisia. De incapacidade de realizar as ações mais simples ou de decidir qualquer coisa.

A chuva começa a cair forte. Pingos pesados batem contra os vidros da janela e fazem um barulho típico. Tal era a força da chuva que agora ele mal via os prédios vizinhos, mas continuava ouvindo os trovões e vendo os clarões provocados pelos relâmpagos. Encolhido no sofá, pega um lápis e um papel na tentativa inútil de esquecer aquela sensação de horror. Tenta escrever qualquer coisa. Escreve o próprio nome, completo. Escreve o nome de sua mãe, completo. De seu pai, completo. De seus irmãos, completo. Começa a escrever o nome dela... Desiste. Risca todos os nomes. Nesse estado de perturbação pensa numa frase: coragem não é fazer o que todos temem fazer. Coragem é fazer, mesmo contra a vontade, o que tem que ser feito. Ele gosta da frase. Começa a repeti-la em voz alta. "Talvez consiga escrever uns versos com esse tema." Pensa. Esse desejo de criar algo o acalma. Melhor: faz com que ele ordene os pensamentos... mas por pouco tempo. Tudo volta a se misturar. Decide escutar música.

O CD termina e ele não se dá conta. Está absorto em pensamentos turvos. Debate-se contra ideias que lhe chegam ao cérebro em grandes e fortes vagas. Luta. Tem a sensação de se afogar nessas sugestões do desconhecido. Súbito, levanta-se. Vai até a estante. Procura algo para ler. Escolhe Apologia de Sócrates. Ele conhece o livro de cor. Sem saber por que, procura a passagem em que o filósofo comenta sobre o ato de morrer. Não encontra a passagem. Ele, então, lembra que Sócrates não achava a morte necessariamente um mal. Ela até poderia ser um bem. Talvez por isso o professor de Platão a tenha enfrentado com tanta coragem e altivez. “Você foi um tolo, Sócrates! Por que não fugiu quando teve a chance?” À pergunta retórica que ele faz, vem uma resposta assombrosa que lhe é soprada nos ouvidos: “Porque ele ficaria como tu estás agora”. Um arrepio na espinha o assusta. Um intenso frio na barriga faz com que ele arremesse o livro na parede. Recua assustado.

Há dias, muitos dias, que está sozinho. Seus poucos contatos com o mundo são através das redes sociais: a colega de Zurique. O médico de Paris. A investidora de Londres. O economista de Floripa. Nenhum desses, ele conhece pessoalmente. Nenhum deles poderia lhe dar o conforto que seu coração reclama. Ele está só.

A solidão é enganadora. Ela se apresenta com falsas promessas e velhos disfarces. Promete liberdade e privacidade. Convence com seu jeito gentio e sorriso amistoso os infelizes que não sabem exatamente porque estão assim. Depois de seduzi-los, a solidão se revela em toda a sua feiúra e sordidez. Ele está exilado de sua própria história.

A chuva finalmente parou. No mundo exterior àquele apartamento a vida parece voltar ao seu ritmo normal. Em pouco tempo, nem mesmo as poças ou os galhos caídos devido à ventania, ou mesmo o ar gelado do fim de tarde serão suficientes para lembrar àqueles transeuntes que ele vê de sua janela, que há tão pouco tempo o mundo parecia desabar por causa da chuva.

Ele sente inveja das pessoas que esquecem tão facilmente de suas dores e tragédias. No seu mundo interior, ali, numa região em que alguns chamam de alma e outros de coração, a tempestade continua com seus ventos, raios, trovões, e horror.

Volta à estante. Desiste dos livros. Senta na escrivaninha. Pega a caneta e uma folha de papel. Decide compor versos. Precisa de alguma forma expelir os sentimentos que o atormentam. Não conhece técnica de poesia. Apenas gosta de ler poemas. Escreve o primeiro verso: “A Desgraça que me acompanha...” Não lembra de nenhum poema que tenha a desgraça como tema. Recorda-se que sua mãe detesta essa palavra. Decide mudar o verso, mas não consegue. A palavra desgraça começa voar pela sala. Ele a vê e fica assustado. Fecha os olhos. E começa a ouvir: “A desgraça que me acompanha...” Não tem jeito. Começa a escrever. As três primeiras estrofes ficam prontas:

A Desgraça que me acompanha,
Abrindo-me de vez todas as feridas.
Exibe-me como uma figura estranha,
À curiosidade dos convivas!

A Desgraça me toma pelo braço
E é a anfitriã desta festa macabra
E como uma psicopata, declara:
“Vejam-no! É o nosso astro!”

Jogado ao centro em andrajos
Exige que me ajoelhe e chore.
E com sarcasmo sugere: “foge!”
Enquanto me espeta com ígneos garfos

Empaca. Não sabe como terminar o poema. Não sabe sequer se o que vai acima é mesmo um poema. Tudo parece confuso e incerto. Ele só deseja acordar num mundo onde as coisas façam sentido. “É inútil. Esse mundo não existe.” Inicia mais uma estrofe: “O barulho aqui dentro me tortura..." Esse simples verso lhe causa dor física, embrulhando-o o estômago. Risca-o. O fenômeno do verso voando pela sala se repete, mas dessa vez ele vê e ouve tudo ao mesmo tempo. Tapa os ouvidos e fecha os olhos. A cabeça gira. Uma sensação de desmaio lhe acomete. Abre os olhos, pega a caneta e termina o poema como se ele estivesse alheio ao que escrevia. Como se não fosse ele a escrever.

O barulho aqui dentro me tortura
Choro e grito diante da Nefasta.
E quanto mais choro e grito, a Desgraça
Ri. “Eis a minha criatura.”

Há pouco o silêncio foi imposto
Meu corpo fustigado está inerme,
Enquanto sobre ele pequenos vermes
Refestelam-se como se eu estivesse morto.

Sente um alívio nervoso. Está esgotado mentalmente. Olha pela janela e percebe que as luzes dos postes, amarelas, estão acesas. As pessoas caminham. Algumas estão sozinhas, outras em grupo. Alguns casais conversam enquanto andam. Falam, possivelmente, sobre coisas banais, como as contas do mês, as peripécias dos filhos, as chatices do trabalho. Nenhuma daquelas pessoas está falando de sonhos e desejos, por isso parecem tranqüilas e felizes.

Decide descer e caminhar com elas.

21 abril, 2011

POEMAS PARA SEMANA SANTA

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Hoje é aniversário de Brasília. Mas hoje também é o início da semana santa. Para os cristãos a data mais importante do calendário litúrgico.

A Semana relembra que Jesus foi imolado na cruz por amor aos pecadores. Por gente como eu.

Fiquem com os poemas.

A Cristo Crucificado (De autor espanhol não identificado)¹

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu ainda te amara
E a não haver o inferno te temera

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.


Gregório de Matos

Ao Mesmo Assumpto e na Mesma Occasião



Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,

Da vossa piedade me despido,

Porque quanto mais tenho delinqüido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.





Se basta a vos irar tanto um pecado,

A abrandar-vos sobeja um só gemido,

Que a mesma culpa, que vos há ofendido,

Vos tem para o perdão lisonjeado.





Se uma ovelha perdida, e já cobrada

Glória tal, e prazer tão repentino

vos deu, como afirmais na Sacra História:





Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada

Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,

Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Minha homenagem a Brasília

Gregório de Matos


Epílogos



Que falta nesta cidade?................Verdade

Que mais por sua desonra?...........Honra

Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.



O demo a viver se exponha,

Por mais que a fama a exalta,

numa cidade, onde falta

Verdade, Honra, Vergonha.



Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio

Quem causa tal perdição?.............Ambição

E o maior desta loucura?...............Usura.



Notável desventura

de um povo néscio, e sandeu,

que não sabe, que o perdeu

Negócio, Ambição, Usura.



Quais são os seus doces objetos?....Pretos

Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços

Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.



Dou ao demo os insensatos,

dou ao demo a gente asnal,

que estima por cabedal

Pretos, Mestiços, Mulatos.



Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos

Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas

Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.



Os círios lá vêm aos centos,

e a terra fica esfaimando,

porque os vão atravessando

Meirinhos, Guardas, Sargentos.



E que justiça a resguarda?.............Bastarda

É grátis distribuída?......................Vendida

Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.



Valha-nos Deus, o que custa,

o que El-Rei nos dá de graça,

que anda a justiça na praça

Bastarda, Vendida, Injusta.



Que vai pela clerezia?..................Simonia

E pelos membros da Igreja?..........Inveja

Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.



Sazonada caramunha!

enfim que na Santa Sé

o que se pratica, é

Simonia, Inveja, Unha.



E nos frades há manqueiras?.........Freiras

Em que ocupam os serões?............Sermões

Não se ocupam em disputas?.........Putas.



Com palavras dissolutas

me concluís na verdade,

que as lidas todas de um Frade

são Freiras, Sermões, e Putas.



O açúcar já se acabou?..................Baixou

E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu

Logo já convalesceu?.....................Morreu.



À Brasília* aconteceu

o que a um doente acontece,

cai na cama, o mal lhe cresce,

Baixou, Subiu, e Morreu.



A Câmara não acode?...................Não pode

Pois não tem todo o poder?...........Não quer

É que o governo a convence?........Não vence.



Que haverá que tal pense,

que uma Câmara tão nobre

por ver-se mísera, e pobre

Não pode, não quer, não vence.

* No original, Bahia.

10 abril, 2011

A fantástica saga de Pião.


Quando eu era um meninote, meu pai costumava contar na hora de dormir algumas estórias. Muitas era de terror, mas algumas, poucas, eram estórias com algum ensinamento moral. A maioria dessas estórias, se não todas, era inverossímil, mas surtia o efeito esperado: assustava-nos e nos fazia pensar, a mim e a meu irmão, apenas 11 meses mais novo do que eu...

Uma das estórias mais esquisitas que ele contava era a do menino Pião, um rapazinho que adorava jogar bola de gude, futebol e, claro, rodar pião. Aliás sua preferência por esta brincadeira lhe deu o curioso apelido.

A mãe de Pião era feirante. Sempre no fim de semana ia até à feira da Bomba Grande ou do Cordeiro vender suas verduras. Numa versão mais recente, a mãe do menino ia para a feira das cordas. O fato, porém, é que ela havia incumbido o filho de uma tarefa importante enquanto ela estivesse na feira.

Pião ficou com a responsabilidade de olhar o feijão, a fim de evitar que ele queimasse. Pião assumiu com muita seriedade essa responsabilidade e tomou a resolução de que dessa vez não desobedeceria à sua mãe. Mesmo porque, contava meu pai em tom bravo, a mãe do menino havia lhe ameaçado com uma surra caso ele deixasse o feijão queimar.

Pião, no entanto, foi tentado pelo seu amigo Ponteira, moleque serelepe da rua, que lhe bateu à porta, dizendo:

- Pião, oh, Pião! Vamos brincar na rua...

- Não posso, Ponteira. Preciso olhar o feijão para ele não queimar. Minha mãe me disse que se eu desobedecesse ela, ela me daria uma pisa!

- Oxente, Pião, é só tu colocar muita água no feijão que dá tempo da gente brincar, e o feijão não queima. Tô aqui com piões novos, vamos rapaz, deixa de besteira. Faz o que eu te disse.

Pião, tomado pela lógica do amigo, fez exatamente como ele lhe recomendara e foi brincar. Passou horas na rua. Rodou pião, jogou bola de gude, jogou futebol, ficou todo sujo, e muito tarde lembrou do feijão. Com o tempo que ele passou na rua nem que tivesse colocado toda a água do rio Capibaribe no feijão evitaria o pior. Pião voltou pra casa voando, antes que sua mãe voltasse da feira. Conseguiu chegar antes dela, mas não salvou o feijão.

O leitor talvez esteja perguntando - no caso, é claro, de ele ter chegado até a essa parte do texto - onde estão as passagens inverossímeis da narrativa. É agora, leitor, que você vai ficar sabendo de uma das marcas de meu pai. Quando ele não sabia o que fazer para terminar a estória, produzia finais inconcebíveis. No entanto, para a imaginação de dois meninotes, a realidade só atrapalha.

Pião, assustado com a possibilidade de apanhar como um cachorro, embora sua mãe nunca cumprisse as surras que lhe prometia, certamente porque ele tinha ciência de que não as merecia, dessa vez teve a certeza que a promessa seria cumprida em toda a sua extensão e dor. Pião fugiu. Afastou-se do bairro para um bosque, decidido a nunca mais voltar para casa. Viveria na selva, comendo frutos e raízes e dormindo nos galhos das árvores.

Faminto e com frio, Pião, sem forças, foi resgatado pela macaca Carla, que se tornou sua mãe , cuidando dele até que ele crescesse e virasse homem.

E assim aconteceu. Pião agora era um homem. Tinha um bom emprego e decidiu voltar para a sua velha casa e rever sua velha mãe.

Ninguém no antigo bairro de Pião, mesmo na sua antiga rua, reconhecera naquele homem de estatura média, cabelos grisalhos e de ar triste, o menino alegre e brincalhão de outrora. Ninguém imaginou que aquele que se apresentava como Pedro, era o menino Pião.

Pião descobriu que sua mãe estava bem doente e que desde a fuga do filho há muitos e muitos anos, caiu numa tristeza profunda. Vivia da caridade dos vizinhos. A fuga do filho havia lhe roubado a saúde e o ânimo de viver. Os vizinhos, muitas vezes, pensaram que ele não viveria muito tempo naquele estado, mas ela repetia que todos os dias pedia a Deus que antes de morrer lhe concedesse a graça de rever o filho.

Pião encontrou a velha porta da sua casa apenas encostada. A mesma porta por onde saiu decidido a não mais voltar. Na sala os mesmo móveis, acabados pelo tempo e pela falta de manutenção. Aproximou-se do quarto da mãe.

- D. Lídia, como vai? Vim visitar a senhora. - disse Pedro com a voz quase embargada

- Quem está aí? Oh, meu filho, se aproxime que estou cega e ficando surda. Você veio trazer a sopa hoje?

- Oh, mamãe - Pião não se conteve e caiu de joelhos ao pé da cama chorando - Sou eu, seu filho Pião! Me desculpe! Não queria ter deixado o feijão queimar. Tive muito medo de a senhora me dá uma surra e por isso fugi.

- Meu filho Pião! É mesmo você? Ai, meu Deus, que alegria! Venha cá e me dê um abraço menino danado!

Pião abraçou sua mãe muito forte e percebeu que ela lhe sorriu pela última vez.

Papai tentava me ensinar alguma coisa com isso, nunca soube direito o quê. O que eu sei é que essa estória ficou gravada na minha memória afetiva e sem saber exatamente por que, hoje a repasso para os meus filhos.

07 abril, 2011

Vai para o Diabo, canalha!

Hoje, pela manhã, em Realengo, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, um psicopata de 23 anos entrou na escola que estudara quando adolescente e com a frieza típica das pessoas cruéis, desferiu vários tiros contra os alunos em idade entre 12 e 14 anos. Uma tragédia! Muito se tem falado sobre as formas de se prevenir crimes dessa natureza. Há quem ache que o desarmamento é uma saída. Há quem exija mais rigor no controle daqueles que entram e saem de uma escola. Penso, porém, que para o crime hediondo desta manhã não havia medida de segurança que o impedisse. Como pai, fiquei atônito. Como professor, senti um imenso vazio diante da certeza da morte de 12 alunos, crianças ainda, a maioria meninas, e o estado grave de mais 4, que correm risco de vida internadas em UTI. Querem, com sói acontecer nesses casos, buscar uma justificativa que explique por que um jovem decide matar crianças numa escola com requintes de crueldade. Já falaram que o rapaz sofria bullyng, que era esquisitão, calado, enfim, uma pessoa com dificuldades de sociabilidade. Esse monstro era apenas uma pessoa má! Por mais que isso cause repugnação, existem pessoas assim no mundo. Aos meninos e meninas que foram brutalmente assassinado nas salas de aula de uma escola municipal no Rio de Janeiro, deixo a música abaixo como uma mensagem de quem trabalha em escola, de quem tem dois filhos pequenos, e de quem pede a Deus que conforte a família de todas essas crianças que tiveram suas vidas ceifadas por um canalha! Que o Diabo leve a alma dele.

02 abril, 2011

Dê a preferência inimigo do planeta!

Eu sei que estarei mais uma vez sozinho nessa. Afinal, hoje em dia, como diria o Reinaldo Azevedo, as pessoas não precisam ser inteligentes, basta que tenham bom coração. Mas não posso me furtar de escrever o que penso ainda que o meu pensamento só encontre apoio em mim mesmo. Mas vamos ao caso.

Há coisa mais chata que essa fúria do ambientalismo contra as pessoas que não concordam com suas ideias e soluções para "salvar" o planeta? A coisa é tão antidemocrática que os ambientalistas chamam os críticos de pessoas sem consciência ambiental. É claro que para ser consciente ou ter consciência é preciso pensar como eles.

Outro dia na escola, uma moça com mais coração do que cérebro falou aos alunos sobre a importância de se tratar o lixo que se produz todos os dias. Até aí, é só platitude. Quem seria contra a construção de aterros sanitários? Quem seria contra a políticas públicas que visam tratar dos resíduos sólidos? O problema é que a moça atribui o excesso de lixo a uma prática consumista que deve ser abolida. Na essência, essa gente que se disfarça de ambientalista é, quase que majoritariamente, socialista. Deplora as práticas capitalistas e a liberdade econômica - na verdade deploram qualquer tipo de liberdade - "Zé Paulo, por que eles não se dizem socialistas?" Porque acreditam, penso eu, que é mais fácil convencer os incautos usando a fantasia do ambientalismo que a mortalha do socialismo. Podem conferir: sempre que alguém cheio de amor pelo planeta vem nos ensinar a tratar bem o meio ambiente, o seu discurso é uma mistura de profecias apocalípticas, teses marxistas e ambientalismo bocó. tudo isso, claro, com um imenso amor e carinho pelo "planetinha".

Quando de fato alguém parar para analisar as propostas daqueles que querem um "mundo melhor", constatará que tudo não passa de marketing. Estão mais interessados em conseguir fundos para as suas ONG'S do que proteger o meio ambiente. Até aí, tudo bem, cada um consiga grana do jeito que lhe aprouver, o problema é quando a grana é pública, ou quando a proposta traz como consequência problemas muito mais concretos e próximos.

O que aconteceria, por exemplo, se todo mundo adotasse a solução do consumo consciente? Aliás, quem tem o direito de definir o que é consumo consciente? Quem tem o direito de se intrometer no meu consumo? O ingênuo responderia: "Mas isso salvaria o planeta!" Tolo! Seria uma catástrofe econômica e como consequência um desastre social.

Lembram daquela campanha boçal chamada "HORA DO PLANETA?" Será mesmo que ninguém percebe a demagogia de uma campanha dessa? Não seria oportuno questionar se o uso da energia elétrica não melhorou a vida das pessoas? Por que, então, criar uma campanha que induz os incautos a imaginar que o uso dessa energia ameaça a vida na Terra? A HORA DO PLANETA É SÓ UMA TOLICE, mas, repito: nos dias de hoje não é preciso ser inteligente, basta ter bom coração.

O motivo desse post é uma placa que vi no WAL MART esta manhã. O supermercado estava um pandemônio, gente pelo ladrão, filas enormes, caixas lentíssimos, a paciência na reserva e, com tudo isso, ainda essas placas que vocês veem abaixo.



Eu fiquei pensando o que aconteceria naquelas condições se alguém, mesmo bem intencionado, passasse na frente de todos para pagar suas compras porque trouxera suas sacolas ecológicas.

Que se tenha caixas preferenciais para idosos, gestantes e deficientes é bastante compreensível, afinal, essas pessoas, por razões diversas, merecem um tratamento especial por parte do estabelecimento, e gentileza por parte dos demais clientes. Mas conferir esses privilégios a quem possui sacolas ecológicas, aí é demais! Ninguém se dá conta que privilégios dessa natureza só transformam as pessoas que não comungam dessa metafísica em seres abjetos e maus? Aliás, no WAL MART há vagas especiais para quem tem carro flex, sabiam?

Atitudes como essa salvam o planeta? Claro que não! Servem apenas para promover empresas e órgãos públicos que assim ficam de bem com os movimentos ambientalistas e ainda ganham o título de "verdes".

Até onde isso vai nos levar? Não sei. Eu só sei que já estamos bem próximos de um tempo em que os que discordarem dos ambientalistas merecerão o achincalhe público.