14 março, 2011

Dia da Poesia!

Se me fosse dirigida há muitos anos a pergunta sobre qual seria o meu poeta favorito, eu não titubearia em responder: Castro Alves! Já contei aqui que foi pelos versos do poeta baiano que entrei no reino da poesia.

Hoje, na verdade já há algum tempo, minha resposta seria outra.

Há várias razões para essa mudança de preferência... O que importa saber, porém, é que não consigo ficar indiferente aos versos de Manuel Bandeira.

Vejo daqui a estante bagunçada, mas identifico os livros de Augusto dos Anjos, Vinicius de Moraes, Mário Quintana, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Florbela Spanca, Cecília Meireles, Casimiro de Abreu... todos poetas que me entendem mais do que eu mesmo. No entanto, nenhum desses é tão de casa quanto Manuel Bandeira...

Vocês já pararam para pensar ou analisar como versos escritos há tantos anos, num contexto tão diferente, e com toda certeza motivado por coisas que sequer imaginamos, podem, depois de atravessar décadas, serem tão precisos em traduzir o que a gente sente hoje, agora?

Alguma vez vocês, lendo versos, viram na tela em que só a imaginação é capaz de criar, as imagens que um ou mais versos produzem? É assim que penso a poesia. Poesia é criar em versos imagens... Quanto mais duradoura for a imagem criada, mais poético terá sido o verso.

Sim, também me arrisco a escrever versos. Escrevo mais por necessidade que por vaidade e, se reluto em publicá-los aqui é porque tenho um pouco de senso do rídiculo. Prefiro publicar os versos de Manuel Bandeira porque de alguma forma, lendo-os, sinto que foram escritos para mim. Podiam, quem sabe, até terem sido escritos por mim, tivesse eu algum talento.

Hoje, 14 de março, é o Dia da Poesia. Abaixo, publico um poema de Manuel bandeira escrito em 1912...

RUÇO

Muda e sem trégua
Galopa a névoa, galopa a névoa

Minha janela desmantelada
Dá para o vale de desalento

Sombrio vale! Não vejo nada
Senão a névoa que toca o vento.

Lá vão os dias de minha infância
- Imagens rotas que se desmancham:

O vento do largo na praia,
O meu vestidinho de saia,

Aquele corvo, o voo torvo,
O meu destino aquele corvo!

O que eu cuidava do mundo mau!
Os ladrões com cara de pau!

As histórias que faziam sonhar;
E os livros: Simplício olha pra o ar,

João Felpudo, viagem à roda do mundo
Numa casquinha de noz!

A nossa infância, ó minha irmã, tão longe de nós!

Abaixo, uma música para os meus pequenos...


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