27 março, 2011

Até o Diabo merece o benefício da lei em nome da nossa segurança.


(leia primeiro o post abaixo)

O filme tem como pano de fundo a Reforma Anglicana no século XVI. Como figura central, o humanista Thomas More, autor de UTOPIA, e chanceler da Inglaterra. Naquele contexto, o rei Henrique VIII procura anular o seu casamento com Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena, contrariando a Igreja que se recusa a dar o divórcio. O rei, então, decide criar a Igreja Anglicana, tornando-se chefe supremo da nova Igreja, e obrigando os súditos a jurar o ATO DE SUPREMACIA.

Thomas More, católico fervoroso, e contrário ao divórcio, de forma habilidosa se recusa a fazer o juramento. A recusa do Chanceler irrita o monarca e açula a ambição dos seus adversários políticos. More é destituído do cargo de Chanceler e cai em desgraça junto ao rei.

Antes de chegar nesse ponto, porém, Cromwell, ministro do rei e que quer o cargo de More, incita o jovem e ambicioso Richard a espionar o humanista, já que tem livre acesso à residência dos More. Richard está magoado porque Thomas não lhe dá um emprego na corte, e esse ressentimento fará dele uma peça fundamental na desgraça do humanista.

A cena, cujo diálogo é reproduzindo abaixo, se passa na sala de jantar da família de Thomas More. Nela estão More, sua mulher, sua filha e o noivo de sua filha, o advogado William Roper. Entram em cena o ambicioso Richard, e o mordomo infiel Matthew. Richard volta a implorar a More que o indique para um emprego e More volta a recusar. Todos já sabem que Richard está de conluio com Cromwell, e, portanto, é um espião dele. Acompanhem o diálogo.

Lady More: Prenda-o!


Thomas More: Pelo quê?


Lady More: Porque ele é perigoso.


Will Roper: Calúnia. É um espião.


Margareth (filha de More): Ele é mau.


More: Não há lei contra isso.


Roper: A lei de Deus!


More: Então Deus pode prendê-lo


Lady more: Enquanto falam, ele foge.


More: Mesmo que fosse o Diabo, deve poder partir até que viole a lei


Roper: Agora dá ao Diabo o benefício da lei!


More: Sim, o que você faria? Passar por cima da Lei e perseguir o Diabo?


Roper: Sim. Passaria por cima de todas as leis da Inglaterra por isso.


More: E quando a lei acabasse, e o Diabo se voltasse contra você... onde se esconderia Roper, com as leis destruídas? Este país é sustentado por leis de costa a costa. Leis do homem não de Deus. E se passar por cima delas...e você é o homem para fazer isso... acha mesmo que poderia ficar de pé ante os ventos que soprariam então? Sim. Eu daria ao Diabo o benefício da lei pela minha própria segurança.

Esse diálogo é a maior aula sobre a importância da segurança jurídica numa sociedade. Violar a lei, ainda que para punir os maus, é sempre perigoso, sobretudo paras as pessoas de bem.

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