29 março, 2011

Consoada...

Hoje à tarde morreu o ex vice-presidente José Alencar. Sua luta contra o câncer foi um exemplo. José Alencar ensinou a muitos brasileiros que enquanto restar um fio de vida devemos, sempre, agarrarmo-nos a ele. Mas às vezes dá uma vontade louca de saltar no escuro... Ainda bem que vontade dá e passa.

João Cabral de Melo Neto, no seu famoso Morte e Vida Severina, escreve:

"Seu José Mestre Carpina,
que diferença faria
se em vez de continuar
tomasse a melhor saída:
a de saltar, numa noite,
fora da ponte e da vida?"

José Alencar, com sua luta, provou-nos que muita diferença faz entre lutar com as mãos e abandoná-las para trás...¹

Imagino que o ex vice-presidente tenha recebido a visita dessa carnívora assanhada² da mesma forma que o poeta Manuel Bandeira, em Consoada, imaginou...

CONSOADA

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.




Notas:

1- Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto.

2 - Poema Negro; Augusto dos Anjos.

28 março, 2011

Os petistas e os eleitores do PT.

Um petista clássico jamais será convecido de que é um mentiroso contumaz. Um petista clássico não conhece limites para o cinismo. Um petista clássico, diante da verdade, abespinha-se e chama a verdade de mentira e a mentira de verdade. Um petista clássico, finalmente, chama a virtude dos adversários de pecado, e o pecado dos aliados, de virtude.

Os eleitores do PT, que não são exatamente petistas, relevam a mentira dos petistas, fazem vista grossa para o cinismo dos petistas e não estão interessados nas incoerências do partido desde que continuem comprando ou se beneficiando de alguma forma.

Mas há quem insista em revelar aos eleitores do PT quem são de verdade os petistas. Pode ser inútil. Quer dizer: é inútil, sim. Mas e daí? Fica o registro:

Pode estar fora de moda cobrar coerência deles, mas não estou nem aí. Eu tenho aspectos inatuais mesmo… Umas das campanhas terroristas que os petistas fizeram contra o então candidato tucano à Presidência, José Serra, foi espalhar que ele era contra concursos públicos e que, se eleito, iria suspendê-los.

Pois é… Informa a Folha Online:
O “Diário Oficial” da União traz hoje uma portaria do Ministério do Planejamento que suspende, por tempo indeterminado, a nomeações de concursados no governo federal e a realização de novos concursos. A medida, anunciada pela ministra Miriam Belchior (Planejamento), faz parte dos cortes de R$ 50 bilhões no Orçamento estipulados pela presidente Dilma Rousseff no início do ano.

Somente a suspensão de concursos públicos deve representar uma economia de R$ 3,5 bilhões aos cofres federais. A ministra anunciou que o Planejamento está realizando um “levantamento completo” de todos os concursos realizados para avaliar se as nomeações são necessárias neste ano. Novas chamadas, segundo ela, estão suspensas. “Novas contratações vão ser olhadas com lupa”, avisou Belchior. Serão autorizadas apenas nomeações temporárias ou concursos autorizados por medida judicial. A medida afeta todo o funcionalismo público, incluindo ministérios, agências reguladoras, autarquias e fundações. O Projeto de Lei Orçamentária estipulava uma projeção entre criação e provimento de cargos um total de 40 mil vagas.

Voltei
Atenção! Não estou reclamando, não! Até porque estou convicto de que não fará a menor diferença. E ainda se economizam uns trocos. O que cobro é um tantinho de coerência. No dia 19 de outubro, numa entrevista em Uberlândia, Serra apontava:

JORNALISTA: Os cientistas políticos afirmam que essa campanha foi marcada por boatos e mentiras. Qual que é a sua opinião?
JOSÉ SERRA:
Sem dúvida. Tudo vindo do outro lado. Tudo vindo do outro lado. Eu sou um político ligado à verdade. O outro lado é um lado de profissionais da mentira, mentem o tempo inteiro. Eu vou te dar um exemplo, eu fiz concursos para 110 mil funcionários em São Paulo. Eles espalharam para o funcionalismo do Brasil que eu sou contra concurso. Não, eu sou contra cabide de emprego. O cargo de gente que tem sem fazer concurso para atender um amigo, um camarada, um companheiro, não para trabalhar. E coisas desse tipo, eu poderia dar mil exemplos a esse respeito.


Fonte aqui.



27 março, 2011

Até o Diabo merece o benefício da lei em nome da nossa segurança.


(leia primeiro o post abaixo)

O filme tem como pano de fundo a Reforma Anglicana no século XVI. Como figura central, o humanista Thomas More, autor de UTOPIA, e chanceler da Inglaterra. Naquele contexto, o rei Henrique VIII procura anular o seu casamento com Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena, contrariando a Igreja que se recusa a dar o divórcio. O rei, então, decide criar a Igreja Anglicana, tornando-se chefe supremo da nova Igreja, e obrigando os súditos a jurar o ATO DE SUPREMACIA.

Thomas More, católico fervoroso, e contrário ao divórcio, de forma habilidosa se recusa a fazer o juramento. A recusa do Chanceler irrita o monarca e açula a ambição dos seus adversários políticos. More é destituído do cargo de Chanceler e cai em desgraça junto ao rei.

Antes de chegar nesse ponto, porém, Cromwell, ministro do rei e que quer o cargo de More, incita o jovem e ambicioso Richard a espionar o humanista, já que tem livre acesso à residência dos More. Richard está magoado porque Thomas não lhe dá um emprego na corte, e esse ressentimento fará dele uma peça fundamental na desgraça do humanista.

A cena, cujo diálogo é reproduzindo abaixo, se passa na sala de jantar da família de Thomas More. Nela estão More, sua mulher, sua filha e o noivo de sua filha, o advogado William Roper. Entram em cena o ambicioso Richard, e o mordomo infiel Matthew. Richard volta a implorar a More que o indique para um emprego e More volta a recusar. Todos já sabem que Richard está de conluio com Cromwell, e, portanto, é um espião dele. Acompanhem o diálogo.

Lady More: Prenda-o!


Thomas More: Pelo quê?


Lady More: Porque ele é perigoso.


Will Roper: Calúnia. É um espião.


Margareth (filha de More): Ele é mau.


More: Não há lei contra isso.


Roper: A lei de Deus!


More: Então Deus pode prendê-lo


Lady more: Enquanto falam, ele foge.


More: Mesmo que fosse o Diabo, deve poder partir até que viole a lei


Roper: Agora dá ao Diabo o benefício da lei!


More: Sim, o que você faria? Passar por cima da Lei e perseguir o Diabo?


Roper: Sim. Passaria por cima de todas as leis da Inglaterra por isso.


More: E quando a lei acabasse, e o Diabo se voltasse contra você... onde se esconderia Roper, com as leis destruídas? Este país é sustentado por leis de costa a costa. Leis do homem não de Deus. E se passar por cima delas...e você é o homem para fazer isso... acha mesmo que poderia ficar de pé ante os ventos que soprariam então? Sim. Eu daria ao Diabo o benefício da lei pela minha própria segurança.

Esse diálogo é a maior aula sobre a importância da segurança jurídica numa sociedade. Violar a lei, ainda que para punir os maus, é sempre perigoso, sobretudo paras as pessoas de bem.

A ficha limpa não pode sujar a Constituição!!!

Na última semana, o assunto das rodas de conversa, dos editoriais dos jornais, dos blogs, enfim, de todo mundo mais ou menos atento aos assuntos da política foi a decisão do STF de invalidar a Lei da Ficha Limpa para as eleições de 2010. Essa decisão garantirá que os candidatos eleitos no pleito do ano passado, mas impedidos de assumir por causa da lei, tomem posse dos seus mandatos sem problema.

Outro efeito da decisão do STF alterará, minimamente é verdade, a distribuição entre os partidos das cadeiras no parlamento. Tudo porque ao se considerar votos válidos aqueles recebidos por candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa, o coeficiente eleitoral muda e partidos ou coligações podem aumentar ou diminuir a sua participação no Congresso Nacional e nas assembleias estaduais.

Mas essa questão técnica passou ao largo dos debates acalorados. Na maioria dos casos houve indignação por todos que viam e ainda veem na tal lei uma chance de moralizar a vida pública no Brasil, ou de, pelo menos, impedir que candidatos cuja biografia esteja maculada por condenações judiciais em segunda instância, possam postular um cargo público através de eleições.

O debate torto e apaixonado impediu que se percebesse algumas barbaridades na tal lei. Hoje, passado o furor e, principalmente, as eleições, os próprios deputados que aprovaram a tal lei já falam em alterá-la porque reconhecem que do jeito que está dificilmente ela passará incólume se o STF for provocado - e certamente será - sobre a sua constitucionalidade.

O debate torto e apaixonado criou uma divisão tola e burra: os que são favoráveis à lei seriam éticos, moralizadores, pessoas boas e decentes. Os que se opõem estariam coonestando com a imoralidade, a corrupção, o crime, a desfaçatez. Afinal, como alguém poderia se opor a uma lei que visa impedir que os corruptos participem de eleições? Como alguém poderia se opor a uma lei que impediu que Roriz fosse candidato a governador, Jader Barbalho assumisse a cadeira de senador, e por aí vai? Finalmente, como se opor a uma lei que tornaria o parlamento uma casa de homens probos e com espírito público? Simples: a Lei da Ficha limpa, além de todas as inconstitucionalidades nela contidas, não garante nada disso. "Mas, e se garantisse, Zé Paulo, tudo bem?" Perguntaria uma alma boa e ingênua. E mais uma vez eu nadaria contra a maré e responderia: "Não!"

As leis de um país e o estado de direito são a garantia plena e máxima que dá a todos os cidadãos a segurança de que necessitam para viver sem sustos. O cumprimento da constituição, a estrita observância de seus artigos e dispositivos é o que distingue um estado com segurança jurídica de um estado onde o cidadão vira um joguete dos interesses daqueles que estão ocupando o poder. Por isso, ainda que a tal lei nos livrasse - o que não é verdade, repito - de gente como os Roriz, os Barbalhos ou os petistas - a sua inconstitucionalidade não nos daria, em nome da nossa própria segurança, o direito de saudá-la como uma medida moralizadora.

Lembro de um trecho do filme O HOMEM QUE NÃO VENDEU A SUA ALMA (A MAN FOR ALL SEASONS), especialmente ilustrativo para esse debate, se esse debate não estivesse torto e movido por tantas paixões. Não encontrei a cena no youtube, ela existia, mas foi retirada. No post acima, reproduzo o diálogo da cena.


17 março, 2011

Você é um pouco PT?

Uma pessoa de esquerda, de modo geral, e um petista, em particular vive no que eu chamaria de presente contínuo, ou como já se disse por aí, num presente eterno. Essa gente não reconhece o passado porque para eles - e isso vem de uma longa tradição de esquerda - a história deve ser reescrita o tempo todo para atender as conveniências do partido.

Imaginem que os líderes do PT estarão em festa neste fim de semana por conta da visita do presidente norte-americano Barack Obama. Quando um grupinho do PT fluminense tentou ensaiar um protestozinho contra a visita do mandatário dos Estados Unidos, estava apenas fazendo número, um H, como se diz na minha terra, dando a entender que o partido não se curvaria diante do "império". Mas não é exatamente disso que quero falar.

Um cineasta bobalhão, que não consegue público para os seus filmes, com o propósito de defender a imoralidade do Ministério da Cultura em conceder renúncia fiscal no valor de mais 1 milhão e trezentos mil reais a empresas que financiarem o blog da cantora Maria Bethânia para ela recitar poesia na internet, decidiu chamar aqueles que reagiram a mais essa indecência com o dinheiro público, de preconceituosos, ignorantes e de sem caráter. Vejam um pequeno trecho do texto do cineasta:

A gritaria contra o blog de Maria Bethânia é uma mistura de ignorância, preconceito e mau-caratismo.

Ignorância, porque parte de idéia absolutamente falsa de que os produtores do blog – que pretende exercer a tarefa vital de divulgar a poesia – recebeu ou vai receber este dinheiro do governo.

(...)

Preconceito também contra os nordestinos, nas críticas sobram piadas contra os baianos, quase todas vindas do mesmo gueto branco direitista no enclave paulista, enfim, os eleitores de Kassab e Serra, gente que lê e cita a revista Veja e beija imagens de santo para ganhar voto e acha que poesia é "uma besteira".

Não sei se o cineasta é petista, mas sua moralidade e seu raciocínio são tipicos de um militante. Ele ignora, ou finge que ignora, que a tal notinha foi passada por gente do próprio PT insatisfeita com a nomeação de Ana Hollanda, irmã de Chico Buarque, para o Ministério da Cultura, e que tenta pela imprensa desgastar a ministra.

O cineasta acusa, vejam só, os eleitores de Kassab e de José Serra pelas críticas que o projeto sofreu. Ora, meu caro, vire sua metralhadora para os correligionário da ministra. É para o PT que você deve enviar suas críticas.

É indecente sim uma artista ganhar 600 mil reais para se autodirigir

É indecente sim que a produtora que seria responsável pelo projeto tenha o sobrinho da ministra como sócio.

É dinheiro público sim, pois virá da renúncia fiscal das empresas.

Finalmente, é de uma longa tradição da esquerda acusar os adversários de preconceituosos, ignorantes e mau-caráter simplesmente porque eles não comungam de seu projeto libertário.

Não se espantem, leitores, se daqui a um tempo, esse mesmo cineasta chamar de mamata, indecência, maracutaia se essa mesma prática for adotada pelos adversários do petismo.

Você pode até não saber, mas se não vê nada demais nesse projeto do blog da Bê, no fundo no fundo, você é um pouco PT.


14 março, 2011

Dia da Poesia!

Se me fosse dirigida há muitos anos a pergunta sobre qual seria o meu poeta favorito, eu não titubearia em responder: Castro Alves! Já contei aqui que foi pelos versos do poeta baiano que entrei no reino da poesia.

Hoje, na verdade já há algum tempo, minha resposta seria outra.

Há várias razões para essa mudança de preferência... O que importa saber, porém, é que não consigo ficar indiferente aos versos de Manuel Bandeira.

Vejo daqui a estante bagunçada, mas identifico os livros de Augusto dos Anjos, Vinicius de Moraes, Mário Quintana, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Florbela Spanca, Cecília Meireles, Casimiro de Abreu... todos poetas que me entendem mais do que eu mesmo. No entanto, nenhum desses é tão de casa quanto Manuel Bandeira...

Vocês já pararam para pensar ou analisar como versos escritos há tantos anos, num contexto tão diferente, e com toda certeza motivado por coisas que sequer imaginamos, podem, depois de atravessar décadas, serem tão precisos em traduzir o que a gente sente hoje, agora?

Alguma vez vocês, lendo versos, viram na tela em que só a imaginação é capaz de criar, as imagens que um ou mais versos produzem? É assim que penso a poesia. Poesia é criar em versos imagens... Quanto mais duradoura for a imagem criada, mais poético terá sido o verso.

Sim, também me arrisco a escrever versos. Escrevo mais por necessidade que por vaidade e, se reluto em publicá-los aqui é porque tenho um pouco de senso do rídiculo. Prefiro publicar os versos de Manuel Bandeira porque de alguma forma, lendo-os, sinto que foram escritos para mim. Podiam, quem sabe, até terem sido escritos por mim, tivesse eu algum talento.

Hoje, 14 de março, é o Dia da Poesia. Abaixo, publico um poema de Manuel bandeira escrito em 1912...

RUÇO

Muda e sem trégua
Galopa a névoa, galopa a névoa

Minha janela desmantelada
Dá para o vale de desalento

Sombrio vale! Não vejo nada
Senão a névoa que toca o vento.

Lá vão os dias de minha infância
- Imagens rotas que se desmancham:

O vento do largo na praia,
O meu vestidinho de saia,

Aquele corvo, o voo torvo,
O meu destino aquele corvo!

O que eu cuidava do mundo mau!
Os ladrões com cara de pau!

As histórias que faziam sonhar;
E os livros: Simplício olha pra o ar,

João Felpudo, viagem à roda do mundo
Numa casquinha de noz!

A nossa infância, ó minha irmã, tão longe de nós!

Abaixo, uma música para os meus pequenos...


13 março, 2011

Esqueci de viver...

Eu e meu irmão, quando éramos pequenos, brigávamos por um rádio velho, sem proteção na parte de trás e que provocava com frequência alguns pequenos choques. Por que brigávamos? Porque cada um queria ter controle sobre as músicas que o outro escutaria na madrugada. Era um arenga tola, mas éramos muito pequenos...

Hoje, longe de tudo e de todos, só me resta lembrar... Uma das músicas que mais tocava na rádio Recife FM todas as madrugadas era essa que segue abaixo...




Eu falei...





Aqui no DF, desde o carnaval, não se fala em outra coisa que as imagens da deputada Jaqueline Roriz, a filha do homem, recebendo de Durval Barbosa ( ex-delegado, ex- assessor, ex-contador e, possivelmente, ex-amigo do grupo político que até bem pouco tempo o tinha como fiel escudeiro), um maço de dinheiro contendo, estima-se, 50 mil reais!

Eleita aqui no DF para a Câmara Federal com uma votação expressiva pelo inexpressivo PMN, a deputada sumiu. Sua única declaração foi por meio de uma nota genérica onde ela pede, vejam que coisa, para ser substituída numa comissão da Câmara Federal. Na nota ela passa ao largo do vídeo em que aparece ao lado do marido recebendo 50 mil reais como se estivesse recebendo 50 reais.

Neste fim de semana chega às bancas a Revista Veja, que além de trazer mais infomaçãos sobre o caso, revela que o atual governador do DF, o petista Agnelo Queiroz, não apenas sabia desde 2009 do teor das gravações, como, segundo imagens gravadas, mas ainda não divulgadas, recebeu CD's contendo as gravações. Essa informação contraria uma antiga declaração de Agnelo que admitia ter visto os vídeos, mas que não obeteve cópias das imagens. O governador precisa encontrar logo uma nova explicação.

Que o grupo político do ex-governador Joaquim Roriz sempre esteve envolvido em denúncias de corrupção não é novidade. As imagens de antigos aliados de Roriz e de sua filha recebendo dinheiro cuja origem não é explicada são contundentes e não dão muita margem para a defesa. No entanto, causa estranheza que, ao saber, e, ao que tudo indica, possuir provas da corrupção envolvendo grandes autoridades do DF, o atual governador do Distrito Federal tenha se calado. Quais seriam as razões?

Eu tenho cá as minhas desconfianças. Por enquanto apenas reproduzo uma nota escrita neste blog no dia 1 de novembro de 2010. Escrevi naquela ocasião:

Aqui no DF as opções eram, para mim, impossíveis!!! Entre Roriz, na sua versão Dilma, e Agnelo Queiroz, do PT, o senso de decoro me impedia de escolher qualquer um dos dois. Tanto no primeiro quanto no segundo turno anulei meu voto.

Engana-se, penso, quem acredita que a política no DF ficará mais ética com o vitória do PT. E há duas razões simples para o meu pessimismo. Agnelo venceu cooptando líderes que até outro dia gravitavam na órbita do Roriz. Esse grupo está mais do que preparado para fazer no DF o que sempre fez, entendem? A outra razão é que o PT, em matéria de corrupção, é insuperável!!!!

Penso que o partido dos trabalhadores criou, a partir de 2003, um valor: se o PT rouba, pelo menos ajuda o povo, e assim o roubo é perdoado.

Pobre do DF!!! Pobre do Brasil!!!

O vídeo abaixo é mais familiar que o vídeo acima.

05 março, 2011

Sim, é Carnaval!



Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos amadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois -
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância

(...)

É carnaval?



Marinheiro triste
Que voltas para bordo
Que pensamentos são
Esses que te ocupam?

(...)

Ias triste e lúcido
Antes melhor fora
Que voltasses bêbedo.

Amanhã terás
Depois que partires
O vento do largo
O horizonte imenso
O sal do mar alto!
Mas eu, marinheiro?

- Antes melhor fora
Que voltasse bêbado.



O poema é de Manuel Bandeira.