16 fevereiro, 2011

Assim é o PT e os Petistas.

Do blog do Reinaldo Azevedo.

É de maio de 2000. Da esquerda para a direita, vocês vêem os então deputados Aloizio Mercadante, Antonio Palocci, José Dirceu, Babá (hoje no PSOL) e Ricardo Berzoini. Todos eles protestam contra o reajuste do mínimo proposto pelo governo FHC, que passava de R$ 136 para R$ 151 — 11,11% de reajuste. A inflação de 1999 tinha sido de 8,94%. No ano seguinte, 2001, o mínimo foi para R$ 180 (19% de elevação), contra uma inflação, em 2000, de 5,97%. O salário votado para 2002 foi de R$ 200, com reajuste de 11,11%, contra uma inflação, em 2001, de 7,67%.


Há alguns meses escrevi o que considero ser a explicação sobre a natureza mitômana do PT. Na ocasião fiz uma distinção entre o petista clássico - mentiroso contumaz - e o eleitor do PT. Se você não tiver tempo de ler o texto aqui, pode ficar com a foto que está no topo desse post.

No ano 2000, esses baluartes da moral protestavam contra o reajuste do salário mínimo na Era FHC. O reajuste era 11, 11 % acima da inflação. Pois bem. Esses mesmos que estão na foto, e outros tantos, consideram, hoje, uma irresponsabilidade o governo Dilma reajustar o mínimo acima da inflação.

Naquela época eles acusavam o governo Fernando Henrique de prejudicar os trabalhadores com um reajuste 11,11% acima do índice anual da inflação, porque, afinal, achavam que o governo podia dar mais. Hoje, vejam que mimo, acham que o trabalhador deve agradecer ao governo Dilma pela proposta de dar reajuste ZERO para o salário mínimo, porque, afinal, o governo está apertando o cinto.

Assim é o PT e os petistas. Resta saber, leitor, se você é um eleitor do PT ou um petista clássico.

12 fevereiro, 2011

Desmascarando um falso democrata

Muitos que estão vibrando com o fim da ditadura no Egito, vibram mais por ódio aos Estados Unidos do que por amor à democracia. Esses, caso o Egito se torne um regime teocrático, fundamentalista e que viola os direitos humanos - como o regime iraniano - desde que passe a tratar Israel e EUA como inimigos, vão, sem pejo, defender o novo regime e mandar às favas os valores democráticos.

Querem desmascarar um esquerdista travestido de defensor dos valores democráticos? É fácil! ele está muito feliz com a deposição do ditador egípcio, Hosni Mubarak; porque, afinal, esse esquerdista enaltece a democracia, como sabemos. Agora, pergunte se ele vibraria com igual vigor caso o mesmo acontecesse em Cuba. A resposta vai desmascará-lo. Sou estranho. Deploro qualquer tipo de ditadura.

Abaixo, um excelente artigo do jornalista Caio Blinder, que analisa as consequências ou as possíveis consequências dos protestos que derrubaram o ditador egípcio.

SOMOS TODOS EGÍPCIOS (POR UNS TEMPOS)

Eu conheço o ritual. É momento de dizer: somos todos egípcios. Celebramos a partida de um Hosni Mubarak. Tipo desagradável. Se quisermos dar pose para o enxotado autocrata podemos chamá-lo de faraó. Mas Mubarak estava mais para o gênero de policial que resolvia os problemas na vizinhança a um preço. Havia segurança e muitas vezes era melhor nem perguntar como ele impunha lei e ordem.

Agora existe festa na vizinhança, mas tambem muita inquietação com a partida do policial corrupto e brutal. Quem vai oferecer proteção? Uma garotada animada liderou o movimento para se livrar do policial, mas muitos bandidos estão fantasiados de mocinhos neste carnaval de libertação.

Os militares apareceram para tomar conta do pedaço e prometem partir quando as coisas se acalmarem. Na verdade, eles na última hora foram até a mansão do policial e o despejaram. Foi traição, pois os fardados sempre tiveram negócios com o homem, ex-militar. Mas deixa para lá e chega de metáforas policialescas sobre o estado policial do Egito.

Sim, somos todos egípcios. Numa região do mundo que cultiva o martírio, explora a vitimização e cultua o terrorista-suicida, a moçada com ajuda de amplos setores da sociedade egípcia empreendeu uma mudança relativamente pacífica (300 mortos). Tiveram uma mão dos militares que ficaram em cima do muro e finalmente concluíram que precisavam se livrar do ônus Mubarak. O ditador que tinha serventia como pilar de estabilidade se convertera em fator de instabilidade.

Um jornalista que respeito e conhece bem a região, Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic, lembra que a crise egípcia está apenas começando. Perdão por estragar a festa tão cedo. Uma ditadura de 30 anos caiu em menos de três semanas. A massa festiva ficará impaciente e será difícil conter suas expectativas. De um lado, existe um cenário econômico, com gente muito pobre e um setor jovem e altamente educado sem perspectivas. Do outro, plutocratas que não estão interessados em reformar um sistema, sem esquecer que estes militares, hoje heróis do povo, são grandes beneficiados do esquema.

O poder político agora está nas mãos destes militares (a rigor, eles sempre estiveram nas entranhas deste regime). Não está claro que tipo de transição eles irão patrocinar e isto num país sem tradição de democracia e submetido a quase 60 anos de liderança militar (de variadas ideologias). Goldberg lembra um ponto essencial: Mubarak marginalizou, baniu e reprimiu líderes e movimentos seculares de oposição. Reprimiu, mas também tolerou a Irmandade Muçulmana. O grupo ajudava a justificar o estado policial em casa e seu papel de guarda no imenso quarteirão do Oriente Médio.

Goldberg, que não é nenhum ingênuo, não está particularmente preocupado com a possibilidade da Irmandade Muçulmana ocupar o vácuo de poder de uma hora para outra, mas adverte que as coisas são muito voláteis e podem mudar rapidamente, para o lado mais perigoso. A questão não é ficar em pânico e passar o tempo alertando sobre estes perigos. Obviamente não interessa nem a consolidação do poder militar nem o caos que abra caminho para a ascensão da Irmandade Muçulmana. É verdade que interessa um Exército forte, guardião das instituições democráticas e seculares e que preserve o acordo de paz com Israel. Para tal será preciso uma revolução cultural no Exército (na parte democrática).

Grupos radicais islâmicos como a Irmandade e o filhote Hamas, em Gaza, têm fervor, disciplina, organização e capacidade de sacrifício. Por meio liberais podem atingir fins iliberais. Somos todos egípcios por um momento. Devemos ser por alguns egípcios mais a longo prazo (espero que por muitos). Devemos favorecer e ajudar aqueles setores da sociedade egípcia, e por extensão, no mundo islâmico, que não querem ser governados nem por ditadores nem por fanáticos religiosos.

A protestocracia precisa se transformar num verdadeiro movimento e construir instituições civis.Será preciso forjar um senso de cidadania, em uma experiencia que será acompanhada com atenção e apreensão na região e no resto do mundo. Num projeto espinhoso, será preciso, como lembrou Anthony Shadid, no New York Times, aprender a “reconciliar direitos individuais com identidade religiosa”. Se este Egito triunfar será uma maravilha voltar para a praça Tahrir, a genuína praça da duradoura libertação e não apenas da festa fugaz do fim de uma ditadura.

10 fevereiro, 2011

Saudade... Distantes demais





Saudade Maria Bethânia e Lenine

Saudade a lua brilha na lagoa
Saudade a luz que sobra da pessoa
Saudade igual farol engana o mar
E imita o sol
Saudade sal e dor que o vento traz

Saudade o som do tempo que ressoa
Saudade o céu cinzento a garoa
Saudade desigual
Nunca termina no final
Saudade eterno filme em cartaz

A casa da saudade é o vazio
O acaso da saudade fogo frio
Quem foge da saudade
Preso por um fio
Se afoga em outras águas
Mas do mesmo rio

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DISTANTES DEMAIS - Lenine

Somos somente a fotografia.
Dois navegantes perdidos no cais
Distantes demais
Somos instantes, palavras, poesia
Dois delirantes ficando reais
Distantes demais
Noites de sol, loucos de amar,
Quem poderia nos alcançar.
Eu e você, sem perceber,
Fomos ficando iguais,
Longe,
Distantes demais

02 fevereiro, 2011

A oração mais bela do mundo.

A Cristo Crucificado (De autor espanhol não identificado)¹

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu ainda te amara
E a não haver o inferno te temera

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

1 - Tradução de Manuel Bandeira.