27 dezembro, 2011

Eu queria ter escrito isso.

Querem impor a mordaça

Marco Antonio Villa, O Globo

Não é novidade a forma de agir dos donos do poder. Nas três últimas eleições presidenciais, o PT e seus comparsas produziram dossiês, violaram sigilos fiscais e bancários, espalharam boatos, caluniaram seus opositores, montaram farsas. Não tiveram receio de transgredir a Constituição e todo aparato legal.

Para ganhar, praticaram a estratégia do vale-tudo. Transformaram seus militantes, incrustados na máquina do Estado, em informantes, em difamadores dos cidadãos. A máquina petista virou uma Stasi tropical, tão truculenta como aquela que oprimiu os alemães-orientais durante 40 anos.

A truculência é uma forma fascista de evitar o confronto de ideias. Para os fascistas, o debate é nocivo à sua forma de domínio, de controle absoluto da sociedade, pois pressupõe a existência do opositor.

Para o PT, que segue esta linha, a política não é o espaço da cidadania. Na verdade, os petistas odeiam a política. Fizeram nos últimos anos um trabalho de despolitizar os confrontos ideológicos e infantilizaram as divergências (basta recordar a denominação “mãe do PAC”).

A pluralidade ideológica e a alternância do poder foram somente suportadas. Na verdade, os petistas odeiam ter de conviver com a democracia. No passado adjetivavam o regime como “burguês”; hoje, como detém o poder, demonizam todos aqueles que se colocam contra o seu projeto autoritário.

Enxergam na Venezuela, no Equador e, mais recentemente, na Argentina exemplos para serem seguidos. Querem, como nestes três países, amordaçar os meios de comunicação e impor a ferro e fogo seu domínio sobre a sociedade.

Mesmo com todo o poder de Estado, nunca conseguiram vencer, no primeiro turno, uma eleição presidencial. Encontraram resistência por parte de milhões de eleitores. Mas não desistiram de seus propósitos. Querem controlar a imprensa de qualquer forma.

Para isso contam com o poder financeiro do governo e de seus asseclas. Compram consciências sem nenhum recato. E não faltam vendedores sequiosos para mamar nas tetas do Estado.

O panfleto de Amaury Ribeiro Junior (“A privataria tucana”) é apenas um produto da máquina petista de triturar reputações. Foi produzido nos esgotos do Palácio do Planalto. E foi publicado, neste momento, justamente com a intenção de desviar a atenção nacional dos sucessivos escândalos de corrupção do governo federal.

A marca oficialista é tão evidente que, na quarta capa, o editor usa a expressão “malfeito”, popularizada recentemente pela presidente Dilma Rousseff quando defendeu seus ministros corruptos.

Sob o pretexto de criticar as privatizações, focou exclusivamente o seu panfleto em José Serra. O autor chegou a pagar a um despachante para violar os sigilos fiscais de vários cidadãos, tudo isso sob a proteção de uma funcionária (petista, claro) da agência da Receita Federal, em Mauá, região metropolitana de São Paulo. Ribeiro — que está sendo processado — não tem vergonha de confessar o crime. Disse que não sabia como o despachante obtinha as informações sigilosas.

Usou 130 páginas para transcrever documentos sem nenhuma relação com o texto, como uma tentativa de apresentar seriedade, pesquisa, na elaboração das calúnias. Na verdade, não tinha como ocupar as páginas do panfleto com outras reportagens requentadas (a maioria publicada na revista “IstoÉ”).

Demonstrando absoluto desconhecimento do processo das privatizações, o autor construiu um texto desconexo.

Começa contando que sofreu um atentado quando investigava o tráfico de drogas em uma cidade-satélite do Distrito Federal. Depois apresenta uma enorme barafunda de nomes e informações. Fala até de um diamante cor-de-rosa que teria saído clandestinamente do país.

Passa por Fernandinho BeiraMar, o juiz Nicolau e por Ricardo Teixeira. Chega até a desenvolver uma tese que as lan houses, na periferia, facilitam a ação dos traficantes. Termina o longo arrazoado dizendo que foi obrigado a fugir de Brasília (sem explicar algum motivo razoável).

O panfleto não tem o mínimo sentido. Poderia servir — pela prática petista — como um dossiê, destes que o partido usa habitualmente para coagir e tentar desmoralizar seus adversários nas eleições (vale recordar que Ribeiro trabalhou na campanha presidencial de Dilma). O autor faz afirmações megalomaníacas, sem nenhuma comprovação.

A edição foi tão malfeita que não tomaram nem o cuidado de atualizar as reportagens requentadas, como na página 170, quando é dito que “o primo do hoje candidato tucano à Presidência da República...” A eleição foi em 2010 e o livro foi publicado em novembro de 2011 (e, segundo o autor, concluído em junho deste ano).

O panfleto deveria ser ignorado. Porém, o Ministério da Verdade petista, digno de George Orwell, construiu um verdadeiro rolo compressor. Criou a farsa do livro invisível, isto quando recebeu ampla cobertura televisiva da rede onde o jornalista dá expediente.

Junto às centenas de vozes de aluguel, Ribeiro quis transformar o texto difamatório em denúncia. Fracassou. O panfleto não para em pé e logo cairá no esquecimento. Mas deixa uma lição: o PT não vai deixar o poder tão facilmente, como alguns ingênuos imaginam. Usará de todos os instrumentos de intimidação contra seus adversários, mesmo aqueles que hoje silenciam, acreditando que estão “pela covardia” protegidos da fúria fascista.

O PT não terá dúvida em rasgar a Constituição, se for necessário ao seu plano de perpetuação no poder.

O panfleto é somente uma pequena peça da estrutura fascista do petismo.

26 dezembro, 2011

Como perdi o meu primeiro emprego.

Era o ano da graça de 1996. Eu ainda não tinha completado 20 anos, faria em novembro, e essa história se passou em agosto. Faltavam alguns dias para me formar no curso de Química Industrial e eu precisava arrumar um emprego. Saí a campo à procura de um estágio que validasse o curso.

Nas aulas de Organização e Normas, que não me serviram para nada, fui aconselhado a ir bem vestido para as entrevistas de emprego. Como aluno obediente, segui à risca o que recomendavam os professores; e hoje sei que fiz mal. Numa vaga para operário eu parecia um candidato a gerente. Tolice.

Minha primeira tentativa de emprego formal - porque como a maioria dos brasileiros pobres, trabalhava desde cedo, e sem carteira assinada - foi na indústria de alumínio, a ALCOA, que fica em Igarassu, pertinho de Itapissuma e também de Itamaracá. Ao chegar à fábrica, depois de 90 minutos de ônibus, vi que uns 30 jovens como eu queriam a única vaga disponível. Seria uma luta árdua, mas para acabar com o suspense quero dizer que a perdi. O motivo dessa crônica é dizer por que perdi.

A primeira etapa foi uma prova de conhecimentos. Só teve questões de físico-química. Concentração para cá, normalidade para lá, volume, diluição, essas bobagens. Tirei 7, fui medíocre.

Depois veio a entrevista com uma jovem engenheira chamada Flávia. Não me lembro de nossa conversa, apenas de um dado curioso: lá pelas tantas a engenheira me pergunta o que eu fazia nas horas vagas. "E pobre tem lá hora vaga!", pensei. Respondi mesmo o seguinte: "Escuto música!" “E que tipo de música você gosta, Zé Paulo”? Ela perguntou de pronto. “Legião Urbana”, respondi. A engenheira sorriu, disse que também curtia Renato Russo e eu lá na frente dela sem entender por que ela queria saber de música quando eu estava em busca de um emprego.

Quase no final da entrevista fiz minha primeira grande besteira. Indagado se eu conhecia ou se tinha parente na fábrica, disse que parente não tinha, mas que conhecia sim uma pessoa que trabalhava naquela unidade, inclusive havia sido essa pessoa que trouxera o meu currículo para a empresa. A moça fechou a cara. Parece que meu patrocinador andou às turras com a engenheira Flávia. Quem fala demais dá bom dia a cavalo, não é? A chance de arrumar meu primeiro emprego formal acabara ali, embora ainda não soubesse disso e ainda cometesse outras gafes no processo seletivo.

Já disse a vocês que não gosto de psicólogos? À exceção de D Ivalda, D Betânia, D Carlenita e Sr. Kênio, psicólogos da ETFPE, nunca simpatizei com essa turma que estuda Freud, Jung, Skinner e nos obriga a assistir Laranja Mecânica. Foi justamente no teste comandado pela psicóloga que abracei o meu fracasso.

Primeiro um teste de Lógica. Não me lembro do teste, mas sei que não fui bem. Depois um teste de concentração. Esse foi muito pior que o primeiro; e finalmente, o famigerado desenho...

Nunca fui bom em desenho. Na ETFPE cursei três disciplinas de desenho: À mão livre, passei com 6; Geométrico, passei com 7; e Desenho Técnico, nesse o professor me ajudou a passar. Não consigo traçar uma linha reta mesmo com régua.

O teste exigia que desenhássemos uma pessoa, indicando nome e idade. Se você leitor desenha com a mesma facilidade com que respira, não vai entender a minha dificuldade. Fui uma lástima nesse teste. Se tiver psicólogo por aí, explica por que se pede a um químico, engenheiro, arquiteto, motorista, esses testes estapafúrdios? Desenhei uma mulher tão feia que a Ideli Salvati seria miss ao lado dela. Para piorar eu desenhei a mulher sem roupa, com os seios de fora (não sabia fazer uma blusa para ela), e ainda pus o nome de Flávia, que por coincidência era o mesmo nome da engenheira que seria a minha chefe. Depois desse desenho encerrei minha participação no processo seletivo da ALCOA. Por que será?

18 dezembro, 2011

Meus adorados!








Meus pequenos, eu os amo demais...Deus abençoe vocês!






Adeste Fideles
Rinaldo & Liriel

Adeste, fideles, laeti triumphantes;
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte Regem angelorum.
Refrão:
Venite adoremus, venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum.
Deum de Deo, lumen de lumine,
Parturit virgo mater,
Deum verum, genitum, non factum.
Refrão
Cantet nunc hymnos chorus angelorum,
Cantet nunc aula caelestium:
Gloria, gloria in excelsis Deo;
Refrão
En grege relicto, humiles ad cunas
Vocati pastores approperant:
Et nos ovanti gradu festinemus.
Refrão
Ergo qui natus die hodierna,
Iesu, tibi sit gloria:
Patris aeterni verbum caro factum:
Refrão

15 dezembro, 2011

Reaja à Infâmia

Os canalhas, como sempre, festejam a infâmia! Os ingênuos, precavidos contra os políticos, embarcam na mentira, agindo como inocentes úteis de toda essa sujeirada. Os petistas estão no primeiro caso. Os eleitores do PT, no segundo. Abaixo, vou reproduzir a nota do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que com elegância e firmeza, reage à infâmia!


A infâmia, infelizmente, tem sido parte da política partidária. Eu mesmo, junto com eminentes homens públicos do PSDB, fomos vítimas em mais de uma ocasião, a mais notória das quais foi o “Dossiê Cayman”, uma papelada forjada por falsários em Miami para dizer que possuíamos uma conta de centenas de milhões de dólares na referida ilha. Foi preciso que o FBI pusesse na cadeia os malandros que produziram a papelada para que as vozes interessadas em nos desmoralizar se calassem. Ainda nesta semana a imprensa mostrou quem fez a papelada e quem comprou o falso dossiê Cayman para usá-lo em campanhas eleitorais contra os tucanos. Esse foi o primeiro. Quem não se lembra, também, do “Dossiê dos Aloprados” e do “Dossiê de Furnas”, desmascarado nestes dias?

Na mesma tecla da infâmia, um jornalista indiciado pela Polícia Federal por haver armado outro dossiê contra o candidato do PSDB na campanha de 2010, fabrica agora “acusações”, especialmente, mas não só, contra José Serra. Na audácia de quem já tem experiência em fabricar “documentos” não se peja em atacar familiares, como o genro e a filha do alvo principal, que, sem ter culpa nenhuma no cartório, acabam por sofrer as conseqüências da calúnia organizada, inclusive na sua vida profissional.

Por estas razões, quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.

São Paulo, 15 de dezembro de 2011

Fernando Henrique Cardoso

Por Reinaldo Azevedo

11 dezembro, 2011

Eu queria que esse dia fosse outro...

Alberto Caeiro
XXI - Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...



Análise do item 77, do tipo D.

Antes de responder objetivamente ao item do tipo D do vestibular da Unb de ontem, eu preciso fazer uma pequena contextualização. Não se cansem, mas se cançarem, vão logo para a parte final do post.

A vitória da tríplice aliança contra o ditador Solano Lopes deu ao Exército brasileiro uma força política muito grande. No meio militar havia muitos defensores do regime republicano - visto como um regime mais moderno e mais condizente com os regimes políticos do continente. A insatisfação do Exército com a monarquia tinha duas causas fundamentais: a sensação de pouco prestígio junto ao governo e o soldo considerado muito baixo pelos militares.

Outro acontecimento que vai minar as bases da monarquia foi a Questão Religiosa, quando o Papa Pio IX, na bula Sylabus, passou a exigir que os católicos não se envolvessem com a maçonaria. Questões políticas determinaram a prisão de dois bispos, o de Olinda e o de Belém, causando uma grave crise entre o imperador a Igreja e, segundo os historiadores, fazendo com que o prestígio popular do governo se deteriorasse ainda mais.

Finalmente, a Lei Áurea de 1888 que pôs fim a escravidão, concluindo um processo que havia começado em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós, retirou do governo o apoio político das oligarquias que ainda dependiam do trabalho compulsório.

O item do tipo D que pedia ao candidato que escrevesse sobre os principais acontecimentos que levaram ao fim da Monarquia, dando como contextualização o fim da Guerra do Paraguai, poderia, a meu ver, ser resolvido da seguinte maneira:

A Questão Militar, que expôs as relações conflituosas entre a cúpula do Exército e o governo imperial, especialmente após a Guerra do Paraguai, reforçou no seio do Exército as ideias republicanas.

A Questão Religiosa, que por questões políticas levou o governo imperial a prender dois bispos que se recusaram a cumprir as ordens do governo que determinou a nulidade da bula papal, acabou provocando um escândalo na população que ficou do lado dos bispos presos.

A Abolição, cujo apoio do governo imperial provocou a ira de muitos setores agrários que viam no fim da escravidão a ruína de seus negócios, retirou o apoio político indispensável para a manunteção do regime no Brasil.

Aprofundando

Num livro hoje já considerado clássico, a historiadora Emília da Costa Viotti, relativiza esses acontecimentos, afirmando que embora tenham tido alguma significância no processo de enfraquecimento da monarquia, não foram eles essenciais para o fim do regime. A historiadora, de formação marxista, viu no desenvolvimento da economia e na modernização do setor cafeeiro, além de um desejo de maior participação política das oligarquias - entenda-se federalismo - fatores mais importantes para o fim do regime.

Um outro historiador, Marco Antônio Villa, lembra em há três meses do golpe que derrubou a monarquia e proclamou a república, a eleição para a Câmara elegeu apenas dois deputados republicanos (o partido republicano paulista havia sido fundado em 1871) Como então, explicar a desmoronamento da monarquia em três meses com maioria no parlamento? Segundo o historiador, o que definitivamente pendeu a balança a favor da república foi a proposta do federalismo que abria para os oligarquias das províncias o poder político que eles tanto aspiravam, mas que o centralismo monárquico criava dificuldades.

espero que eu tenha ajudado.





09 dezembro, 2011

Cuidado com as citações ou Fernando Pessoa, não!

Um dos maiores problemas das pesquisas feitas na internet é a falta de confiabilidade na informação. A facilidade de pesquisar na rede faz com que as pessoas não tenham o cuidado de checar se aquilo que ela toma como correto, verdadeiro e seguro, tem mesmo essas características.

Isso fica mais evidente quando se pesquisa citações ou, como se diz por aí, "pensamentos" de autores famosos. Quantas vezes li e ouvi "pensamentos" atribuídos a Fernando Pessoa, Einstein, Gandhi, Madre Tereza de Calcutá e tantos outros que nunca foram ditos ou escrito por eles. Por isso, sempre adoto como critério de segurança, ao fazer uma citação, indicar o livro ou a obra de onde a citação foi retirada. Dessa forma, evito o constrangimento de alguém olhar para mim e dizer: "olha, não é de Fernando Pessoa."

Essa semana fui a uma colação de grau onde repetidas vezes foi feita a seguinte citação:

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (FERNANDO PESSOA)

A citação acima foi retirada, possivelmente, do seguinte site (http://www.conselhonet.com.br/frases.htm). Poderia ter sido de muitos outros. O referido site está cheio de citações de vários autores onde a maior parte, eu posso apostar, nunca foram ditas ou escritas por eles. O trecho destacado, considerado de Fernando Pessoa, já foi atribuído a outro escritor chamado Fernando, o que talvez explique a confusão. Estou me referindo a Fernando Sabino. O que posso afirmar com segurança é que de Fernando Pessoa não é.

Fico aqui pensando por que diabos as pessoas precisam, para parecerem profundas, recorrer a citações que, supostamente, foram ditas ou escritas por autores famosos. Não teriam elas capacidade de escrever o seu próprio texto? Aquiesço que às vezes uma citação se encaixa perfeitamente na mensagem que queremos transmitir, mas aí, é imperioso que a gente tenha o cuidado e a seriedade de citá-la indicando a fonte.

"Zé Paulo, você conhece tudo que o Fernando Pessoa escreveu?" - Não, mas o que conheço me permite afirmar com segurança que o poeta português jamais escreveu algo parecido e que o estilo não é de Fernando Pessoa, nem de seus heterônimos.

Eu sei que até em sites lusitanos a tal citação aparece como sendo de Fernando Pessoa, e daí? A tolice não é exclusividade nossa. Em todos os sites onde a citação aparece sendo do poeta lusitano, não há uma mísera indicação da fonte: seja um poema; uma carta ou mesmo um bilhete.

Estou aqui à espera que alguém, na rede, indique com precisão a fonte dessa citação. Até lá, sustento: Fernando Pessoa, morto em 1935, nunca escreveu algo parecido.




08 dezembro, 2011

O primeiro ano de Dilma, por Serra.



José Serra, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo - O Estado de S.Paulo

Dias atrás a presidente Dilma Rousseff aceitou a demissão do sexto ministro acusado de corrupção, irregularidades administrativas, malfeitos, o nome que se queira dar. A terminologia é de menos, importantes são os fatos. O primeiro ano de governo nem acabou e um em cada seis ministros já caiu em consequência de acusações relacionadas ao mau uso do dinheiro público. Deve ser um recorde mundial.

A primeira constatação é a do comprometimento do governo anterior, pois quase todos os demitidos sob suspeita saíram da cota dos herdados. Nesse sentido, é razoável considerar que a própria presidente foi fraca e aceitou do mentor um pacote estragado, por não ter força para resistir à pressão continuísta. Num esforço de leitura benigna, ela estaria agora fazendo a "faxina" na casa que herdou. Os fatos, porém, são soberanos. A presidente não pode alegar surpresa diante do pacote recebido, pois ela própria compunha o núcleo do governo a que sucedeu. Foi ministra durante todo o tempo, boa parte na posição estratégica de chefe da Casa Civil. Na prática, governou o País quando o então presidente passou a cuidar exclusivamente da sucessão. Não há como, portanto, alegar desconhecimento ou surpresa. Ela era parte importante do jogo.

Há, por certo, a versão fantasiosa de que os caídos em desgraça são vítimas de tramoias da imprensa. É o autoritarismo seminal do PT em ação. Para a presidente essa versão só é boa na aparência. Será ela tão fraca que não saiba distinguir fato de conspiração? Caso as suspeitas se confirmem, e a própria Controladoria-Geral da União se mostra abismada em certos casos, duas hipóteses se abrem, ambas negativas: ou Dilma ignorava tudo mesmo, evidenciando alheamento da realidade, ou sabia das coisas, mas se mostrava disposta a conviver com o triste cenário para manter o apoio dos partidos que a levaram ao Palácio do Planalto.

Não há, no plano dos fatos, como fazer desse limão uma limonada. O governo Dilma vai encerrando seu primeiro ano, seus primeiros 25%, sem estabelecer uma marca. Uma solenidade aqui, um programa prometido ali, um factoide acolá, mas nada de substancial, a não ser a tal faxina, metáfora que, bem pensado, é incômoda, porque remete, necessariamente, à sujeira. Ora, trata-se uma evidência de mau, não de bom governo, em especial quando a governante é obrigada a ir a reboque das revelações quase diárias de atos ruins na administração. Trata-se de um governo refém da disposição dos jornalistas para investigar. Vive-se aquele clima de "basta procurar para achar".

Onde está a raiz do mal? No loteamento da máquina, na transformação do governo numa federação desconexa de feudos entregues a partidos, grupos e personalidades, ocupando cada qual o seu pedaço para obter vantagens pecuniárias. Em troca, garantem à presidente apoio político. Cabe, a propósito, fazer uma indagação: apoio político pra quê? Qual é a agenda de Dilma?

Esse é um modelo que a presidente copiou do antecessor e mentor, que, por sua vez, o adotou a fim de resistir às dificuldades políticas decorrentes das graves revelações sobre o estado moral da administração.

Estamos diante de um mal estrutural, não circunstancial. Existe esperança de que a presidente vá romper com a lógica do condomínio que a elegeu e a sustenta. Não é plausível. Basta olhar para o maciço apoio parlamentar e a divisão dos feudos partidários, inclusive nas grandes empresas públicas e nas agências reguladoras, e se notará que tudo segue como sempre. O petismo é um sistema sem espaço para muita criatividade pessoal.

Será mesmo que governabilidade e patrimonialismo exacerbado têm sempre de andar de mãos dadas? Trata-se, creiam os leitores, de falso dilema, porém confortável para os que estão no poder. É possível, sim, montar um governo de coalizão, com maioria no Legislativo, sem permitir a drenagem setorizada dos cofres públicos pelos malfeitores.

Todos os partidos contam com pessoas honestas e competentes e reúnem parlamentares realmente preocupados com o País e com suas bases eleitorais, ansiosos por levar às regiões que representam investimentos, empregos e benefícios sociais, o que é não só legítimo, como desejável. Os governos dispõem de mecanismos legais e éticos para atender às demandas políticas sem se desfigurar e se transformar numa máquina de produzir escândalos.

Basta compreender que não é o poder que corrompe os indivíduos, mas são estes que corrompem o poder. Basta que o exemplo venha de cima. O País, aliás, cobra o fim dos erros, dos crimes e da impunidade, muitas vezes adornados pelo deboche de quem acredita estar fora do alcance da lei. Basta andar nas ruas, conversar com as pessoas, dando um pouco menos de crédito aos áulicos, e se notará a imensa demanda social pela ética na vida pública. Quem precisa ganhar a vida honestamente não se conforma com o deprimente espetáculo, mesmo quando este é tratado como "natural", como algo inerente ao processo político.

As últimas décadas assistiram à crescente preocupação com o combate à injustiça social. Embora lentamente, com algum resultado, vamos combatendo a péssima distribuição de renda, marca registrada do País. Mas há uma forma de injustiça social igualmente perversa: é a que separa o cidadão comum dos governantes e define padrões distintos de conduta moral. Se é preciso continuar com o esforço para reduzir a grande distância entre pobres e ricos, é indispensável também eliminar este outro traço terrível da nossa formação: a existência de duas morais, de duas éticas, de dois códigos de conduta distintos - o das pessoas comuns e o dos poderosos, que adquirem o direito de fazer qualquer coisa.

O PT formou-se um dia proclamando a luta contra essa desigualdade que infelicita o Brasil. Hoje vemos algumas de suas estrelas a declarar que Fulano de Tal "não é um homem comum" ou que a palavra de uma "autoridade", contra a evidência dos fatos, "vale como prova". É nesse ambiente que prospera a aposta na impunidade e, pois, o crime reiterado contra os cofres públicos.

03 dezembro, 2011

Reflexões sobre a profissão

Não me sinto a pessoa mais preparada para exercer certas funções. Minha transparência e meu jeito direto de falar – sem levar em conta as amizades e os sentimentos, tem me causado muitos dissabores. A solução talvez fosse sorrir para o que acho errado ou silenciar diante de absurdos; mas isso me causaria danos morais ainda maiores. Conclusão: vou sempre causar em pessoas queridas a raiva incontida e a decepção.

Fazendo um balanço do ano de 2011, posso dizer que no campo profissional não fui feliz. Por mais que me digam que fui muito melhor do que muitos, e que erros são mais do que comuns, são inevitáveis, não posso concordar com o meu desempenho.

Eu simplesmente não consigo defender ideias com as quais eu discordo totalmente. Mais: fui educado numa escola onde as discussões francas e duras, sem melindres ou sentimentalismos, eram estimuladas. Por isso, sinto um profundo incômodo quando colegas se ressentem por serem admoestados e criticados, como se isso fosse uma traição ou um pecado.

É claro que reconheço que parte dessa insatisfação que colegas sentem com as minhas palavras e intervenções decorrem da função que passei a exercer no início desse ano. Mas o principal motivo são os melindres que enxergam um ataque onde só houve uma crítica.

Sempre tentei fazer o meu papel de professor com muita seriedade. Seriedade aqui é respeitar os prazos, é fazer avaliações coerentes, é procurar aprimorar meu conhecimento e a minha prática em sala de aula. É ensinar aos alunos que a aprendizagem exige compromisso e dedicação, e que, se essas exigências faltarem, terão que arcar com as consequências.

E o que encontrei, especialmente nesse ano? Colegas que sofriam porque teriam que dar aula. Colegas que eram implacáveis com a falta de empenho de alunos e indulgentes com a própria falta de empenho. Colegas que diante da possibilidade de inovar ou de aprender algo novo, adotavam a postura acomodatícia que por anos vem lhes garantindo o sustento e a segurança, mas que talvez já não ajude mais na aprendizagem do aluno.

Participei de cursos, congressos, encontros de educação, e o que vi? Na quase totalidade dos casos, a empulhação. Os palestrantes estavam mais preocupados em parecer simpáticos e engraçados do que em levar realmente algo de útil e prático para o professor. Mais triste ainda: vi professores de diversos cantos do Brasil aplaudirem idiotices e erros crassos como se fossem focas amestradas equilibrando a bola no focinho e batendo palmas para receber algumas sardinhas.

Nunca esperei uma sala de aula perfeita. Nunca fui dado a utopias. Lido sempre com a realidade. O professor evitaria a maioria das frustrações se não idealizasse o trabalho em sala de aula.

Trabalhar com alunos difíceis, desinteressados, mal-educados, preguiçosos, sempre vai fazer parte do nosso trabalho. Mas quem disse que esses estudantes não podem aprender? Qual é, afinal, o meu papel de professor?

Se não existe uma sala de aula perfeita, isso não pode ser motivo para o professor não se preparar para dar a melhor aula que ele puder. Porque naquela sala de aula haverá alguns estudantes que dependem e esperam pela qualidade do trabalho do professor.

Um professor sem gana além de não ajudar ninguém, também atrapalha o futuro daqueles que esperavam mais dele. Por outro lado, um professor sério, com responsabilidade, além de mudar a vida daqueles mais interessados, pode, embora não seja uma certeza, fazer a diferença na vida de outros que não pareciam muito estimulados. O difícil, reconheço, é ser um professor assim quando se está rodeado por reclamações e lamúrias.

Não há a menor chance de professores concordarem com esse texto. A menor. Se o escrevi foi mais como desabafo. Não saberia ser um professor diferente do que sou, portanto, só me resta continuar fazendo o meu trabalho ciente de que ainda posso ser muito melhor em sala de aula; fiel ao compromisso de ser cada vez melhor na profissão que escolhi abraçar.

01 novembro, 2011

O TREM



Um dia eu fui esse menino... mas perdi o trem.
Embarquei em outros que me mudaram o destino.
O último em que embarquei, seguiu, seguiu e seguiu,
mas não saiu do lugar.

26 outubro, 2011

Para eles que são a minha melhor obra...



Eu ainda não sei, meninos, como fazer para que vocês saibam que os amo muito. Talvez, pelo meu jeito atrapalhado eu nunca saiba. Mas saibam que eu sofro muito por não estar mais perto de vocês. Queria tanto sair, caminhar, brincar, estar mais junto...

Porque não consigo dormir...

A rua escura, cheia de poças d'água por conta das chuva da última hora, tornava o cenário em que ele caminhava ainda mais sombrio. Está sozinho. Uma palavra sequer ele consegue pronunciar. Tudo na sua vida se mistura na sua mente. Sua memória está confusa. Ele pensa no que perdeu e que nunca mais vai recuperar. Pára. Não sabe para onde seguir. Não sabe se deve prosseguir. Não sabe mais de nada. Lembra deles, dos olhos deles, do sorriso deles, da voz deles e chora...

Os trovões sinalizam que a chuva vai voltar com força. Um vento gelado sopra e ele não esta agasalhado. Sente-se vulnerável a tudo. Não vê mais sentido em nada. A vida dele está suspensa no ar, como o quarto do poema de Bandeira. Procura algo no que se apoiar e não encontra. Está, absolutamente perdido... Lembra, confusamente, de alguns versos de Gonçalves Dias que no distante século XIX, retrata sua condição atual...

Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes o espectro execrado;

Não lembra mais do restante do poema.

A chuva começa a cair. Fraca como se não estivesse com pressa para atormentá-lo. "O que eles pensarão de mim daqui a alguns anos?" - Pensa. A noite continua. O frio começa. O fim se aproxima com rapidez...

21 outubro, 2011

Insônia



São duas e vinte da madrugada
e o que sinto é mais que insônia...
É uma dor, e uma aflição medonha
vem assombar a minha casa,
já tão vazia de tudo...
Um clima mórbido, de luto
impregna o chão e as paredes.
Quero sair, fugir, correr, infinitivos
passeiam na minha mente,
cansada de tantos antidepressivos...
Quero água, mas não tenho sede.
São duas e vinte e oito da manhã
e eu só queria dormir tranquilamente
sem pensar, e sem sentir, inocentemente,
eu só desejo partir...

07 outubro, 2011

Parece, mas não é um haicai



Quando aquelas nuvens vermelhas escurecerem
O sol que brilhou vai se apagar
E a treva que se foi... voltará.

Quando, meninos, só houver a lembrança
Mais de um nome que de uma pessoa,
Todo o meu esforço terá sido à toa...

Mas daqui irei vê-los sempre pequeninos.
Para que crescer, não é mesmo?
Sejam sempre os meus meninos...

Na segunda infância, que é a velhice,
Desejo apenas e nada mais
Que ouvir de vocês: “nós o amamos, pai!”

03 outubro, 2011

Saudade...




Aos meus filhos.

Quando vocês estiverem bem grandes

e o pai de vocês longe...

Quando vocês tiverem nos braços os netos dele,

olhando-os com desvelo e amor,

Escutem aquela música...

E o pai de vocês estará aí.

Meus dois pequenos de tão pequenos
não podem saber o que se passa no meu coração...


Canção de aniversário

Quando você estiver crescidinho

Talvez olhe para trás

Talvez entenda o caminho

Que percorreu o seu pai.

Hoje você faz um aninho

Mal começou a viver

Timóteo, meu pequenininho

Deus abençoe você

Quando ele me abraça e sorri,

E ainda não me julga.

Quando diz: "Papai!"

Me absolve de todas as culpas....

Enche de alegria meu coração

Acalma,

a minha alma.

O sorriso dele,

Minha maior ambição.


02 outubro, 2011

Oh, os carnavais de minha infância! A bisnaga de água que por alguma razão por mim desconhecida era chamada de lancheira. Pelas ruas do meu bairro, Monsehor Fabrício, os meninos maiores enchiam suas "bombas" com água suja e sem pena, melavam os traseuntes, que não raro reagiam às vezes com violência...

Mas a lembrança mais cara é a dos frevos nas diversas casas da rua Leal de Barros...

Recordações.




Algumas múscias nos levam imediatamente à infância. Ouvindo Chico da Silva me sinto impelido por um monte de recordações que não se concatenam, mas têm lá a sua lógica. Lembro de meu pai, já tomado pelo excesso de destilado, misturado à cerveja, cantando na frente do espelho, tocando um violão que só ele via... Lembro do feijão de minha mãe, da verdura com maionese que ela fazia, da galinha cozida, do Programa Silvio Santos...

No instante, me vem à lembrança o Alto da Boa Vista, em Camaragibe, na casa de minha tia Neta. As brincandeiras com os primos, a alegria tola de estar na rua conversando bobagem, correndo, e sempre, sempre, samba na velha radiola Sharp, copos, cerveja, petiscos, pessoas que falavam alto e riam mais alto ainda... De repente, uma discussão mais ácida, um desentendimento que fazia todos temerem pelo fim trágico daquela reunião de domingo... Mas tudo acabava bem, ou no máximo, sem violência, apenas desavenças que depois do efeito do álcool, as pessoas esqueciam...

Hoje estou em Brasília, no meu apartamento, lembrando dos meus filhos pequenos, lindos, felizes, e vivendo nas recordações de minha infância uma espécie de saída para o fato deles não estarem aqui...

01 outubro, 2011

Melodia sentimental



Como quem perambulava sem rumo,
numa estrada escura, poeirenta e sem fim,
eu não esperava mais a luz...
Mas aí, você chegou.

23 setembro, 2011

O Tempo que houve




Houve um tempo em que bastava o sol,

A praia, a piscina e aqueles olhos gris...

Um cabelo desgrenhado,

Um sorriso bobo,

A casa da minha avó,

Para eu me sentir feliz...

Nesse tempo eu fazia longas caminhadas.

Via o sol se esconder

De volta para casa.

E alguém devia acender,

De repente, as estrelas...

Tudo era simples e bastava...


Houve um tempo que eu e meu pai

Na feira de Casa Amarela,

Ou de Afogados,

Defendíamos no prato

No copo e na panela

A bebida e a comida

De cada dia.

Nesse tempo o nosso sonho era comprar

Depois da sorte na loteria,

“A casa do marinheiro”,

Do outro lado do rio,

Mas nunca houve dinheiro...


Houve um tempo em que eu quis mudar o mundo,

Mas o mundo inteiro, sabe?

Na minha cabeça,

E nos meus cadernos,

Havia a solução para tudo.

Nesse tempo eu estudava no Liceu

Na rua do Sol

Perto do rio Capibaribe

E chegava sempre primeiro

Para ver Caline, Keila e Simone

Fantasmas das minhas noites insones

Conquistas impossíveis

Como a “Casa do Marinheiro”


E quando me recordo nostálgico desses tempos que houve

O menino dessas histórias,

Era outro. Não eu.

Feito um livro de memórias

De um autor que se perdeu

No tempo, no espaço, na vida

Que à caça de vitórias

Apenas achou derrotas e desditas

Visitar esse estranho de tempos remotos

É bom e é ruim.

Alegra e entristece

E machuca

Como sempre acontece,

Ao se deparar com antigas fotos...