22 agosto, 2010

E daí? Ou: a mentira pode muita coisa, mas não pode se tornar verdade.

Existem várias formas de se perder uma eleição. Nenhuma, porém, é mais desonrosa do que a derrota causada pela falta de convicção naquilo em que se acredita.

Por outro lado, perder, defendendo e expondo com clareza e contundência as ideias, os programas, educando o eleitor a entender porque deve votar em tal candidato, e se não votar, deixar claro para o eleitor o que ele está escolhendo, advertindo-o para os perigos... perder assim é uma honra!

Dá-se de barato que a imensa popularidade do presidente Lula vai eleger a sua candidata e, a julgar pelos números da pesquisa, essa possibilidade não é pequena. Serra perdeu? Ainda não! Mas se a campanha mantiver a estratégia de poupar o presidente Lula e explorar a falta de “preparo” da candidata Dilma, o candidato José Serra vai perder de forma desonrosa.

E daí, que o governo ostente números impressionantes de aprovação? E daí, que o presidente seja visto não apenas como o “pai dos pobres”, mas como um “ungido” de Deus? Sem enfrentar o mito, ainda que com risco de derrota, o mito não cairá!

Não é apenas uma questão de coragem, mas uma necessidade dizer que os números positivos que o governo ostenta, as cifras impressionantes que estampam jornais e blogs, são, em sua maioria, propaganda enganosa. É preciso dizer com clareza, que ao contrário do que se afirma, o Brasil não começou em janeiro de 2003. É preciso expor a natureza fascista do governo. Os petistas ou os filo-petistas, travestidos de jornalistas vão chamar isso de desespero, de última cartada! Vão, fingindo isenção, desqualificar a decisão de revelar o PT, o Presidente e a sua candidata como eles, de fato, são. E daí? A verdade será sempre a verdade, não importa se 99,9% dos brasileiros acreditem na mentira. A mentira pode muita coisa, mas ela não pode se tornar verdade!

Eu poderia me estender nas mentiras que eles contam para confundir o eleitor, mas isso exigiria um espaço nesse texto maior do que eu me propus. Vou citar as mais evidentes: Eles mentem quando dizem que, ao chegarem ao governo a inflação estava fora de controle. Eles mentem quando dizem que as privatizações foram um escândalo. Eles mentem quando afirmam que se a oposição vencer vai privatizar as estatais – e aqui a mentira é uma variante do terrorismo – eles mentem quando dizem que criaram os programas sociais de que tanto se envaidecem. Eles mentem quando afirmam que aprovaram o Plano Real que acabou com a maior causa de desigualdade que esse país já teve: a inflação!

A mentira não pára por aí. Eles mentem ao acusar o DEM de entrar na justiça contra o PROUNI para acabar com o programa. Eles mentem quando dizem defender a liberdade de imprensa, mas organizam conferências que desejam o "controle social da mídia". Eles mentem quando negam vínculos com as FARC. Eles mentem quando tentam se afastar do MST, mas financia o movimento e, na ponta, as invasões de terra. Eles mentem quando negam que prepararam dossiês fajutos contra os inimigos (eles, pela natureza fascista, não têm adversários, mas inimigos). Eles mentem quando inflam número de programas de governo.

A natureza mitômana do governo e do PT só prospera porque conta com a leniência de jornalistas simpáticos, com a colaboração de jornalistas financiados, com despolitização de boa parte do eleitorado, e com uma máquina de propaganda que faria inveja aos nazistas.

Hoje, o eleitor indeciso, teme declarar na frente de amigos que vai votar em José Serra! Esse eleitor, teme os olhares críticos, os risos debochados de quem se considera vencedor antes do pleito. Outro dia, ouvi uma eleitora afirmar que votaria em José Serra. Ao fazer tal afirmação, vários colegas dela a olharam espantados com o que ela dissera; e aí, com um riso nervoso, como a suplicar perdão pela brincadeira de mal gosto, emendou: “Tô zoando...” Todos ficaram aliviados.

Já vivemos uma atmosfera autoritária. A simples declaração de que se pretende escolher um candidato que não seja aquele escolhido pelo presidente, já provoca reações dessa natureza, como se o eleitor estivesse cometendo um crime, uma traição!

José Serra pode perder a eleição. Mas se se esquivar de revelar a natureza autoritária e fascista do PT, se não desmentir com números e declarações as mentiras do governo, terá escolhido a pior forma de perdê-la!


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