04 abril, 2010

Fascista é você, Mané!


Você já foi acusado de fascista, leitor? Se foi, acredite, é muito provável que a pessoa que o injuriou seja de esquerda ou filo-esquerdista. Pode não parecer, mas ao acusá-lo de fascista ela o toma por espelho...

O sociólogo norte-americano Michael Mann, em um livro obrigatório, Fascistas, explica que o conhecimento que temos hoje do fascismo, de suas práticas violentas e racistas, enfim, de seus crimes, faz com que a gente associe o termo a uma injúria. A grande tese de Mann é dizer que hoje o fascismo só prospera como insulto.

Mann, no entanto, ressalta que elementos fascistas estão presentes hoje em dia em alguns países, ou melhor: nos governos desses países. Esses aspectos não tornam o governo desses países, fascistas; mas alerta para os efeitos nocivos que esses elementos têm para uma vida civilizada. Destaque para países muçulmanos que apóiam o terror islâmico, como o Irã, e para grupos terroristas como a AL Qaeda, que Mann rotula de islamo-fascistas. Mas me desviei do foco.

No excelente livro Fascismo de Esquerda, do americano Jonah Goldberg, um think tank do Partido Republicano, ele tenta demolir a imagem boazinha de muitos presidente americanos, todos, invariavelmente, do Partido Democrata, acusando-os de terem adotado políticas cuja origem ou inspiração foi a doutrina fascista. Numa palavra: cansado de ser tachado de fascista, como normalmente são os conservadores americanos, Jonah devolve a acusação com uma argumentação contundente e fatos que se não são desprovidos de controvérsia, têm uma lógica implacável. Ainda estou no início do livro, mas o que li já me ensinou bastante.

Volto, então, para a pergunta: o que exatamente é ser fascista? Quando o acusarem disso, caro leitor, do que exatamente o estarão acusando? Conhecer essa definição é importante porque com ela podemos devolver ao acusador: "Ignorante! Fascista é você!

Vejam a definição de Jonah Goldberg

"... fascismo é uma religião de Estado. Ele presume a unidade orgânica do corpo político e almeja um líder nacional afinado com a vontade do povo. É totalitário no sentido de que vê tudo como político e sustenta que qualquer ação do Estado é justificada quando se trata de alcançar o bem comum. Ele assume responsabilidades por todos os aspectos da vida, inclusive a nossa saúde e nosso bem-estar, e busca impor uniformidade de pensamento e ação, seja pela força ou por meio de regulamentações e pressões social. Tudo, inclusive a economia e a religião, tem que estar alinhado com seus objetivos. Qualquer identidade rival é parte do "problema" e, portanto, definida como inimigo"¹

O autor, ao longo do livro, pelo que pude ler na introdução, tem um propósito: demonstrar que o chamado liberalismo moderno americano, nada tem do liberalismo clássico, pelo contrário! É antes devedor da doutrina fascista que da teoria Liberal Clássica.

H G Wells, que no dizer de Jonah Goldberg, foi "uma das maiores influências sobre a mente progressista no século XX", inventou a expressão "fascismo-liberal", e, pasmem! não como algo negativo: "Os progressistas devem tornar-se "fascistas liberais" e "nazistas esclarecidos", disse ele [ H G Wells] aos Jovens Liberais de Oxford num discurso em julho de 1932."² Por isso, o termo "fascismo-liberal" antes de ser um oxímoro crasso, é para o autor, no caso específico do liberalismo americano - mas que bem poderia ser estendido para o esquerdismo no mundo - uma prova cabal de que o que a gente chama de progressismo nada mais é que um fascismo limpinho, agradável, ou na definição feliz que o autor pegou emprestado de George Calim, um "fascismo da carinha-sorridente".

Peraí, Zé Paulo, quer dizer que os defensores de uma vida saudável, aqueles que abominam o fumo ou a alimentação rica em gordura saturada, são fascistas? Respondo com as palavras de Jonah Goldberg: "O que é fascista é a noção de que, numa comunidade nacional orgânica, o indivíduo não tem nenhum direito de não ser saudável; e de que o Estado, portanto, tem a obrigação de nos forçar a ser saudável para o nosso próprio bem"³ Lembraram das leis anti-fumo? Pois é...

Por isso, leitor, quando algum "ongueiro" sustentado pelo governo, ou intelectual de meia-tigela que defende o controle social da mídia, e acha muito certo leis que ferem nossa liberdade individual, vier acusá-lo de fascista, responda: "Fascista é você, Mané!"



Notas:

1- Fascismo de esquerda, Jonah Goldberg; pág 33

2 - idem: pag 30

3 - ibidem: pag 29.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito interessante seu texto e, pelo visto, o livro que está lendo...
Apenas uma ressalva: quando cita a lei anti-fumo como exemplo de medida governamental que obriga o sujeito a ser saudável, você desconsidera que a lei não está obrigando o fumante a tornar-se saudável, mas a não adoecer os outros à sua volta.
Também sou contra um Estado que determina a forma como seus cidadãos devem viver, que se considera bom o bastante para saber o que é bom para os outros (sem dar-lhe direito de escolha), mas quanto à lei anti-fumo... Acho que seu exemplo não foi muito feliz...
Facistas, neste caso, seriam os fumantes, que caminham soltando sua fumaça para os lados e intoxicam as pessoas, mulheres grávidas, crianças... Consideram que todos têm de respeitar seu vício e, se preciso for, adoecer com a fumaça em virtude de sua "liberdade" de agir.
Não gostei mesmo do exemplo... Neste sentido, pode me chamar de facista e até ditadora: se pudesse, obrigaria o fim do tabagismo!