02 fevereiro, 2010

Por uma maldita vaga!!!


Estava no meu carro com o pequeno e bravo Estêvão, ele gosta de brincar de dirigir o carro do pai, quando chegou uma Toyota possante e, sem vagas disponíveis, parou atravessada para fazer o desembarque de uma família que a julgar pelas mochilas e malas, estava voltando das férias.

O motorista da Toyota era um senhor de idade avançada e os demais ocupantes eram dois adolescentes, um homem de meia-idade, depois soube que filho do motorista, e a mãe dos meninos, possivelmente mulher do filho do motorista.

Cansado, o homem de meia-idade me perguntou se eu iria sair com o carro porque pretendia estacionar a camionete do pai na vaga que eu ocupava. Respondi que não. Que estava ali brincando com o meu filho. Instantes depois, um carro saiu, abrindo a vaga que o homem tanto desejava. Sem demora, lá foi ele se plantar na vaga para garantir que o pai, um senhor bastante avançado em anos, pudesse ligar a camionete e fazer a manobra para estacionar. Nesse ínterim, uma mulher, num Ford Fiesta Sedan, ultrapassa a Toyota e inicia a manobra para estacionar na vaga onde o homem estava plantado. O homem de meia-idade, educado, explica à motorista que aquela vaga estava sendo guardada para a camionete. A mulher, certamente estressada com o dia, deblatera com o homem argumentando que não vira sinal da camionete indicado que a vaga estava reservada. O homem, ainda educado, com uma educação que é mais fruto do esgotamento físico do que da índole, insiste que a vaga é do pai dele. A mulher, visivelmente irritada, joga o carro para frente e aciona a marcha ré em direção à vaga. Nessa hora, o homem de meia-idade se transforma: joga-se no carro da mulher que continua dando ré em direção à vaga. A cena parece hilária, mas na hora foi bastante tensa, e aí, descontrolado, o homem de meia-idade começa a chutar a traseira do carro da mulher. "A vaga é de meu pai, minha senhora", berrava o homem enquanto chutava a mala do carro e batia com força no vidro traseiro. A motorista pára o carro e desce aos prantos acusando o homem de meia-idade de grosso, estúpido, maluco, troglodita. Diante da cena tentei intervir dizendo que se o problema era uma vaga, eu sairia com o meu carro para que ninguém brigasse. Era tarde, porém. O homem estava transtornado dizendo que a motorista tentou matá-lo e a motorista, em lágrimas, reagia acusando que ele só tinha feito aquilo porque ela era uma mulher. Meu filho que acompanhou a cena com assombro, perguntou a mim por que eles estavam brigando. "Por uma vaga, meu filho".

A confusão, o bate-boca, os impropérios ganhavam proporções alarmantes, chamando a atenção dos vizinhos e das pessoas que passavam por baixo do bloco próximo ao estacionamento.

Tudo se acalmou, aparentemente, com a chegada da Polícia Militar que decidiu levar os brigões para a delegacia.

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