27 janeiro, 2010

Sonhos de uma Noite de Verão 2

Um grupo de alunas do terceiro ano estava empenhado num trabalho sobre o dramaturgo inglês William Shakespeare que apresentariam na Feira Cultural da escola. Como parte do trabalho as alunas decidiram entrevistar alguns professores para saber o grau de conhecimento que eles tinham do bardo inglês. Fui um dos professores escolhidos. Feita a entrevista, disseram-me que apresentaria o resultado final no dia da feira, no auditório da escola. Assim foi feito.

Mas por que estou a falar dessa história? Porque uma colega, num tom que misturava censura e decepção, advertiu-me que a peça Sonhos de uma Noite de Verão não poderia ser enquadrada como uma obra-prima de Shakespeare como eu afirmara na dita entrevista exibida no auditório. Tive vontade de responder que gosto é quem nem braço, cada um tem o seu, mas seria uma grosseria sem sentido, ademais, a professora tem razão. Macbeth, Otelo, Henrique IV, Hamlet, Rei Lear, são peças muito mais profundas que Sonhos de uma Noite de Verão. Mas, com exceção de Hamlet (que na hora da entrevista me fugiu da memória por completo), não li nenhuma das outras que merecem dos entendidos a honraria de serem obras-primas. E, por isso, não poderia citá-las.

A peça Sonhos de uma Noite de Verão não é uma das grandes obras de Shakespeare, segundo dizem os cânones da literatura. E daí? Eu gosto da peça e pronto!

Shakespeare escreveu essa obra no final do século XVI e se tornou uma das comédias mais conhecidas do dramaturgo inglês. Para quem não sabe, William Shakespeare também escreveu comédias, embora tenha ficado mais conhecido pelas tragédias, como Macbeth, Otelo e Hamlet... Ah, sim! Tem a famosa peça Romeu e Julieta, muito mais interessante que a saga daquela moça que se apaixona por um vampiro... Mas um dia essa meninada descobre Shakespeare, tenho fé!!!!

A trama se passa em Atenas e envolve no centro da ação quatro personagens: Demétrio, Helena, Hérmia e Lisandro. Há, é claro, a importante figura de Puck, um duende frívolo e destrambelhado que cumprindo de forma displicente as ordens de seu rei, Oberom, vai causar uma confusão dos diabos.

Demétrio é apaixonado por Hérmia e tem a promessa do pai da moça, Egeu, de casar-se com ela. Todavia, Hérmia está apaixonada por Lisandro que lhe corresponde os sentimentos, e por isso está decidida a enfrentar o pai e as leis de Atenas para viver ao lado de seu amado.

Helena, coitada, é apaixonada perdidamente por Demétrio que até conhecer Hérmia, era noivo da infortunada moça. Temos então um clássico quadrado amoroso: Helena que ama Demétrio, que ama Hérmia, que ama Lisandro que também ama Hérmia...

Decidida a fugir com o seu amor, Hérmia marca um encontro com Lisandro num bosque bem afastado da cidade para que dali possam seguir para outra cidade e lá casarem-se longe das leis de Atenas e do ódio de Egeu. Tudo daria certo se...

No reino das criaturas mágicas há uma rusga entre Titânia, rainha das fadas e Oberom, rei das Fadas. O motivo é um certo órfão que o rei quer para o seu séquito e a rainha, por pura picuinha, retém o jovem no seu séquito. Indignado com Titânia, Oberom ordena a Puck que colha uma flor e que derrame o seu sumo nos olhos da rainha das fadas, assim, a primeira criatura que ela encontrar depois que acordar, seja um asno, um urso, ou um monstro, morrerá de amores por essa criatura. Puck, obediente, faz o que o seu amo o ordena. Nesse ínterim, Oberom se compadece do sofrimento de Helena que é aviltada por Demétrio e determina que Puck realize o mesmo procedimento no jovem ateniense para que ele se apaixone pela pobre Helena. Puck, contudo, engana-se de ateniense e joga o sumo nos olhos de Lisandro e não, de Demétrio. Sendo assim, Helena, rejeitada por Demétrio por causa de Hérmia, acaba sendo cortejada por Lisandro que está sob os efeitos do feitiço.

A trama fica ainda mais cômica quando Oberon percebe o erro de Puck e determina que ele enfeitice Demétrio, no que o frívolo espírito obedece prontamente. Tem-se, então, o inusitado da trama: Helena, a rejeitada, passa a ser cortejada por Lisandro, que amava Hérmia, e por Demétrio, que a abandonara por causa da filha de Egeu.

Como Shakespeare resolve esse imbróglio? Quem leu a peça sabe muito bem. Mas para quem não leu deixo o mistério no ar para que espicace a curiosidade e a pessoa corra a uma biblioteca ou a uma livraria e adquira a obra.

Como aperitivo, no post abaixo, transcrevo falas dos personagens e peço que observem a maneira como Demétrio rejeita o amor de Helena (antes de ser enfeitiçado por Puck) e ,como ela, sem altivez, sem um mínimo de amor próprio, se submete às grosseria do rapaz. Adiante, em outro ato, transcrevo as falas de Lisandro e Hérmia no momento que esta não entende por que ele se diz apaixonado por Helena quando há pouco queria fugir com ela.

As falas são de uma genialidade ímpar!!!

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