Amelinha - Foi Deus Quem Fez Você
Obrigado, meu Deus, por este filho!
"Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando, levada do furor dos euripos, feita o ludíbrio dos mares,ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro(...)" Frei Caneca. 25 de dezembro de 1823.
CH: A crise é realmente um duro golpe no modelo capitalista ou pelo menos no que se costuma chamar de liberalismo?
Sem dúvida alguma. A questão central dessa crise é que ela revela duas enormes deficiências hoje: a instabilidade intrínseca do capitalismo, um sistema. baseado no acúmulo de capital e movido pela geração de lucro, e a fragilidade provocada pelo liberalismo, que guiou as privatizações e a desregulamentação do sistema financeiro. Esta crise, assim como as anteriores, mostra que o liberalismo torna o capitalismo ainda mais instável e perverso, com efeitos mais nefastos.
O professor não tem dúvida que o modelo capitalista foi duramente golpeado pela atual crise. Que seu Jeremias da venda afirme isso, tudo bem. Mas um acadêmico, cujo trabalho é ler, ensinar e pesquisar afirmar o que vai acima dá conta da mediocridade que tomou conta de boa parte dos professores universitários do país. Se a Crise de 29 muito mais drástica não foi capaz de acabar com o capitalismo, por que esta, que já está sendo superada, alcançaria tal intento?
A resposta do acadêmico é uma miscelânea de submarxismo chinfrim e palavras de ordem que na boca de um militante são perdoáveis, mas na de um intelectual deploráveis. O problema é que o professor Reinaldo Gonçalves nunca deixou de ser um militante e isso afeta sua análise científica da crise. Como posso provar isso? Clique aqui e assista a uma modorrenta e tosca entrevista que o ilustre acadêmico concedeu à TV Socialismo e Liberdade em 2008 sobre o mesmo assunto.
Todo esquerdopata tem horror ao mercado, ao livre-comércio e à iniciativa privada. como, e falo aqui especificamente das privatizações no Brasil, um esquerdopata não pode negar que os setores privatizados trouxeram benefícios para os brasileiros eles partem para a cínica peroração de que as empresas estatais foram vendidas a preço de banana. Outra grande mentira, mas eles sempre contam com a preguiça e a ignorância de seus ouvintes ou leitores. Também contam, e aqui um dado triste, com a inocência e com a excessiva credulidade dos alunos universitários que desde a mais tenra idade foram vítimas de abuso intelectual provocado pelo esquerdismo bocó que deplora o capitalismo, que vê o lucro como a encarnação do mal e que simpatiza com movimentos que se dizem sociais, mas que na verdade não passam de organizações criminosas que quando não estão se assenhoreando do dinheiro público, estão invadindo propriedades. Tudo em nome é claro, da justiça social.
O mundo nunca conheceu um período de tão rápido crescimento econômico como o vivido nos últimos anos. Qual a causa disso? O aumento do livre comércio, a diminuição das barreiras comerciais, a grande liquidez do sistema financeiro. Aspectos que o acadêmico deplora e deturpa. Pior: afirma que esses aspectos foram os causadores da crise.
CH: Mas o capitalismo sem o liberalismo funciona?
Não, o ser humano ainda tem que inventar um sistema que seja menos perverso, mais eficaz, com menos custo para a humanidade. O capitalismo mostra o lado irracional da nossa espécie e, em algum momento, terá que ser substituído por um sistema econômico que funcione a favor das pessoas e não contra elas.
A resposta a essa pergunta é uma maravilha porque desmascara a fanfarronice do professor Reinaldo Gonçalves. Ele diz que o ser humano precisa inventar um sistema menos perverso, mais eficaz, com menos custo para a humanidade. É mesmo? E como seria esse sistema? Estou ansioso por conhecê-lo. Quais seriam suas diretrizes? O professor explica:
(...) criar economias mistas, onde se tem um planejamento forte e uma intervenção do Estado controlando diretamente setores estratégicos da economia, como o financeiro, de saúde, educação e infraestrutura. Nesses casos, se o Estado não for o único produtor, ele deve ser o dominante.”
Esse tipo de sistema é novo, professor? Nem a China, que a ignorância atribui um modelo moderno de socialismo quando não passa de um capitalismo manco porque controlado politicamente pelo governo, mas que mesmo assim é responsável pelo vigoroso crescimento chinês dos últimos 15 anos, teve a coragem de implantar, depois das reformas de Xioaping, esse tipo de controle que o professor apregoa.
Onde o estado domina, seja na economia ou em qualquer outra área o que vemos é corrupção, ineficiência e atraso tecnológico. Isso é fato, não é ideologia. Era de economistas assim que o presidente Lula se cercava antes de chegar à presidência. Para a nossa sorte, uma vez no poder, Lula deu um chute no traseiro desses idiotas que com suas idéias humanistas nos levariam rapidamente à bancarrota.
Assim como Lênin já dizia em 1917, santo Deus! O nosso economista acredita que quanto mais estado, melhor. Vejam mais essa afirmação:
Temos que voltar a um aparato regulatório bastante significativo nesses mercados. Temos que retomar o planejamento de forma a canalizar o excedente econômico para propósitos sociais evidentes e sinalizar as trajetórias a serem percorridas pelo setor privado. A segunda perna desse modelo seria o poder público ter intervenção direta nas áreas em que o processo de acumulação não pode seguir a lógica do capital privado.
A covardia tomou conta do país, e o racismo avança ."Como disse recentemente o escritor João Ubaldo
Ribeiro, citando um dos seus personagens da Ilha
de Itaparica, "quem tem raça é cachorro". Não
poderia ter feito um resumo melhor da coisa toda"
O Brasil está fazendo o possível, nestes últimos tempos, para dar a si próprio algo que até hoje conseguiu não ter: um problema racial. Se tantos outros países importantes têm questões sérias de racismo, por que o Brasil também não poderia ter a sua? Parece um motivo de desapontamento, na visão das pessoas que foram nomeadas pelo governo para defender os interesses da "população negra", ou nomearam a si mesmas para essa tarefa, que o Brasil seja possivelmente o país menos racista do mundo. Que outros poderiam ser citados? Certamente haverá nações que têm um número maior de leis contra a discriminação, são mais sérias na sua aplicação e adotam medidas de proteção especial a minorias raciais. Mas não dá para sustentar, não a sério, que haja mais racismo no Brasil do que em qualquer delas. Como poderia haver, num país onde a grande maioria da população não sabe dizer ao certo qual é a sua cor, nem demonstra maior interesse em saber? "Moreno" é a sugestão de resposta mais frequente, quando a pergunta é feita para a imensa massa de brasileiros que não se identificam claramente como brancos, nem pretos, nem qualquer outra coisa.
Criar um racismo que se preze, num país assim, não é trabalho fácil – mas é possível. Uma das ferramentas mais utilizadas para isso é distribuir aos "brancos" uma espécie de culpa geral por tudo o que ocorre de errado aqui dentro. Não se citam nomes; só se cita a cor da pele. Tornou-se comum, por exemplo, o uso da expressão "elite branca" como símbolo de coisa do mal – com a agravante, em certos casos, de que essa elite, além de branca, pode ser "do sul". A mesma gente, de "pele clara e olhos azuis", é culpada também pelo que ocorre de errado lá fora, como a crise financeira internacional; por essa maneira de ver a vida, os desastres que produziram foram provocados por seu tipo físico, e não pelo seu comportamento individual. Outro esforço é criar repartições públicas para cuidar da questão racial – o que tem a tripla vantagem de dar uma cara oficial à existência do problema, passar a impressão de que o governo está cuidando dele e arrumar empregos para amigos. A mais notável delas é um órgão com nove palavras no título e status de ministério – a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Seu grande feito, em seis anos de existência, foi a demissão da secretária-ministra Matilde Ribeiro, em 2008, quando se descobriu que ela usava o cartão de crédito destinado ao exercício de sua função para pagar despesas de free shop ou contas no Bar Amarelinho, no Rio de Janeiro.
Nada parece pior, porém, do que a tentativa de estabelecer por lei que cidadãos devem ter direitos diferentes de acordo com a cor de sua pele, como preveem os projetos de "cotas raciais" ora em debate no Congresso Nacional – pelos quais os brasileiros negros, ou definidos como tal, deveriam ter mais direitos que os brasileiros brancos, ou de outras origens, no mercado de trabalho, nas vagas universitárias ou nos concursos para cargos públicos. É o contrário, exatamente, do que deveria ser. A grande vitória da humanidade contra a discriminação racial foi excluir das leis a palavra "raça"; o objetivo era estabelecer que todos têm direitos idênticos, sejam quais forem as suas origens, dentro da ideia de que todos os homens pertencem a uma "raça" apenas – a raça humana. No Brasil de hoje, em vez de proibir o uso da noção de raça para dar ou negar direitos, tenta-se ressuscitar a tese de que os indivíduos são diferentes uns dos outros, em termos de cidadania, segundo a cor que têm.
"Os defensores de leis raciais ludibriam a boa-fé alegando que cota racial é ação afirmativa", escreveu, num artigo para O Estado de S. Paulo, o advogado negro José Roberto Militão, um especialista em antidiscriminação na OAB de São Paulo. "Ação afirmativa", de fato, é outra coisa: é a efetiva atuação da autoridade para coibir a discriminação contra minorias e multiplicar oportunidades, sem criar cotas, exigir reparações pelo passado ou estabelecer diferenças de direitos. "Ao estado cabe atuar para destruir a crença em raças", diz Militão. "Leis raciais não servem para a redução das desigualdades entre brancos e pretos, pois atacam os efeitos, mas aprofundam as causas." São, além disso, o oposto da harmonia: como se sabe, nada é mais fácil do que passar da distinção à divisão.
*Coluna publicada na Revista Veja, edição 2108 de 15 de abril de 2009.

Madonna foi às compras e um tribunal não deixou. Aconteceu no Maláui. Em 2006, a cantora pop mais famosa do mundo proletário aterrou em África, praticamente raptou financeiramente uma criança e depois zarpou para Ocidente com o troféu nas mãos.
Agora, a operação não teve igual sucesso e Madonna não conseguiu fazer o par da coleção. Um juiz decidiu que, sem residência mínima no país por período de 18 a 24 meses, Madonna tem que procurar crianças em outro lugar. Onde?
Uma sugestão: em Portugal, por exemplo. Eu próprio não me importaria de ser adotado por Madonna. As vantagens são evidentes: crescido e alfabetizado, sem necessidade de fraldas (por enquanto), seria uma criança adorável, capaz de tomar o leite a horas certas e sem necessidade de presença maternal durante os concertos da diva.
Aliás, agradeceria até que a diva me deixasse regularmente numa mansão qualquer, de preferência em Londres ou Nova York, entregue aos cuidados de duas ou três baby-sitters que me dessem colo e carinho em momentos de inevitável carência infantil.
Madonna tem outras ideias e é provável que, em breve, volte ao ataque. Condenável?
A doutrina, como sempre, divide-se. Alguns críticos, com impecável raciocínio econômico, dizem coisas sensatas que seria crueldade não escutar. Primeiro: o Maláui é pobre. Segundo: Madonna é rica. Terceiro: uma criança pobre em família rica é uma benesse para a criança.
O raciocínio, temo bem, não é claro. Para começar, ainda está por provar que a pobreza material africana é pior do que a pobreza mental de Madonna. E, para terminar, o cálculo puramente econômico, se levado ao limite, acabaria por privar África, e não apenas o Maláui, de qualquer futuro demográfico e humano. África seria apenas o shopping center das celebridades que, depois das compras feitas, deixariam para trás uma lixeira de gente velha, doente. E pobre.
Se Madonna quer "ajudar" as crianças de África, talvez o primeiro passo seja parar de exibir os troféus do continente negro perante as lentes sentimentais do mundo.
O segundo passo, mais caridoso e incomparavelmente mais barato, resume-se em palavra simples: filatelia.
P.S. - Sou informado pela redação da Folha Online que incontáveis leitores têm protestado com meu alegado erro nesse artigo. Onde está escrito "filatelia", os leitores acreditam que minha real intenção era escrever "filantropia". Lamento desiludir as almas beneméritas dos leitores: minha intenção era "filatelia" por motivos que eu julgava óbvios. Entre colecionar crianças ou colecionar selos, eu penso que é mais simpático, mais decente e mais barato colecionar selos. "Filantropia" é outra coisa: por exemplo, gastar tempo e dinheiro explicando aos leitores o conceito de ironia.
![]() | João Pereira Coutinho, 32, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online. E-mail: jpcoutinho@folha.com.br |

Funcionário da Petrobras, o carioca Thiago Lugão, de 24 anos, é formado em engenharia de produção no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). Em 2002, ele foi classificado em 14º lugar no vestibular da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), que tinha 20 vagas para o curso de engenharia de exploração e prospecção de petróleo. Lugão tirou 14,20 na prova de física, que valia 20. Ainda assim, viu concorrentes que tiraram 0,25 conseguir a vaga na sua frente, porque se declararam negros. Lugão foi um dos primeiros estudantes que fizeram vestibular na Uenf sob o regime das cotas raciais. “O sistema de cotas raciais é injusto. A cor da pele não quer dizer nada”, afirma. “Você não pode dar privilégio a alguém por causa da cor da pele. Meu avô era negro, e eu poderia me declarar pardo, até porque é difícil um brasileiro não ser pardo.” Lugão estudou no Colégio Santo Agostinho, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Convencido de que sofrera uma injustiça, recorreu aos tribunais. No ano passado, cinco anos depois, a Justiça decidiu que ele tinha razão. Mas Lugão já estava formado em outra universidade e pós-graduado. Hoje, ganha menos da metade que colegas formados no curso que ele queria.
Lugão é um personagem típico da história recente do sistema de cotas raciais, implantado nas universidades estaduais do Rio de Janeiro e da Bahia. Em tese, elas surgiram como uma tentativa de corrigir uma injustiça histórica – o desfavorecimento a negros e índios –, em meio a um sistema de educação pública de má qualidade. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar, ainda neste mês, um projeto que propõe expandir esse sistema e criar reservas de vagas com critérios raciais e socioeconômicos nas universidades federais. Discutida como uma questão educacional, a instituição das cotas esconde seu real alcance para o país. Não se trata apenas de reparar injustiças contra estudantes negros ou índios. Se for aprovado na comissão e no plenário do Senado, o projeto criará a primeira lei racial do Brasil em 120 anos de história republicana. “A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli – ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”
Voltei.
A matéria traz uma informação curiosa. Afirma que nas universidades públicas do estado do Rio de Janeiro, vem diminuindo a procura de candidatos pelo sistema de cotas. A explicação, segundo especialistas ouvidos pela reportagem é que o brasileiro não tem identidade racial e muitos não querem iniciar um curso superior com o estigma de cotista.
A matéria também lembra que a pressão que o Estado vem sofrendo nos últimos anos pela ampliação do sistema de cotas nada tem a ver com uma demanda da sociedade, como fazem crer a maioria dos movimentos sociais que defendem o sistema de cotas raciais. Tanto que a maioria da população, quando questionada sobre o sistema, afima que cotas sociais são mais justas que as raciais. Boa parte das Ongs que defendem o interesse dos "negros", como a Educafro, são taxativas em se contrapor às cotas sociais. Seu líder, frei David, afirma com todas as letras que os beneficiados devem ser aqueles que sempre lutaram pelo sistema, ou seja, os movimentos sociais dos "negros". A declaração dá bem o tom do que se transformou esse imbrógilo: a disputa é política e ideológica.
Finalmente, como bem lembra o professor da USP Demétrio Magnoli, se a lei for aprovada podemos criar, em 120 anos de república, a PRIMEIRA LEI RACIAL DO BRASIL.
PS: Já recomendei várias vezes, mas não custa repetir. Leiam o livro NÃO SOMOS RACISTAS, de Ali Kamel, um estudo bem fundamentado sobre os equívocos, mas sobretudo, sobre os perigos que o sistema de cotas raciais podem trazer para a nossa sociedade.