06 dezembro, 2009

O professor Sombra

Este Sombra é menos perigoso, acreditem.


A respeito do artigo de onde foi retirado um trecho que serviu de referência na Questão 65 do Enem, encontrei-o na íntegra na internet, num blog de uma senhora que se define como historiadora, educadora, autora e etc...

O artigo na íntegra é ainda mais deletério que o trecho selecionado no ENEM. De forma geral, o professor Sombra critica duramente o parlamento brasileiro que segundo ele se apequena diante da, cada vez maior, importância do Brasil no cenário internacional. O artigo nada mais é que um panegírico do Governo Lula, mormente de sua política externa. Faltou pouco para o professor Sombra pedir para o Congresso fechar, afinal está aquém de sua missão e responsabilidade históricas.

O professor que é Phd em Londres e tem títulos acadêmicos a perder de vista. Vai ganhar mais um aqui do meu blog: o de mistificador. Ele vê sucesso numa política onde só há fracassos. Confunde, e aposto que é por má fé ou disciplina ideológica e partidária, a condescendência com que alguns governos importantes do mundo têm dispensado ao presidente Lula, com o êxito de uma política externa que, como é mesmo?, deu ao Brasil o papel de construtor de conceitos, é isso? Vejam esse trecho:

O Brasil ficou grande demais para o seu meio sul-americano. Migrou de importador de regras para construtor de conceitos na cena internacional. Há crescente confiança no país como interlocutor no xadrez da política internacional.

Agora, meus caros, quero só um exemplo, basta um, que ateste a afirmação do Sombra, o professor que pelo talento também poderia ser prestidigitador, não é mesmo? Procurem, mas adianto, não encontrarão.

Aliás, nesse campo, o que tem se avolumado são as nossas derrotas e o nosso vexame. A arrogância do governo, por exemplo, fez o Ministério das Relações Exteriores propor qu eo Brasil se tornasse interlocutor entre Estados Unidos e Irã. A falta de senso de rídiculo é mesmo insuperável.

O professor que deve encher seus alunos de orgulho, adverte que um país que não procura convergir política interna com política externa, que antes só se preocupa com temas de sua política interna, tende a ficar irrelevante no cenário internacional. Oferece como exemplos a Argentina e os países andinos que, segundo ele, por conta de suas elites medíocres, tornaram-se irrelevantes no contexto internacional.

O artigo é um puxão de orelhas no Parlamento, talvez porque o mesmo protele a decisão de incluir a Venezuela no MERCOSUL, o sonho de intelectuais como o Sombra, que veem no país de Chavez um parceiro importante e consideram a Venezuela um baluarte da democracia popular, como todos sabem.

Sombra não falou, mas se fosse apertado, diria: "Se o Congresso se recusa a participar desse momento gigante de nossa política externa, para que existir?"

Retomo o desafio: mostre-me um só exemplo do aumento da importância do Brasil no cenário internacional, mas exemplo mesmo, não promessas vazias, burocráticas de governos que querem mais ser gentis do que fiadores de nossas pretensões internacionais.

Sombra devia falar do apoio de nosso governo a ditadores, a assassinos, a corruptos , a gente que, se fôssemos sérios, estaríamos a léguas de distância e não visitando ou recebendo visita com direitos a abraços apertados e tapinhas nas costas.

A íntegra do artigo do Sombra da Unb, aqui

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