29 agosto, 2009

Vicente Faleiros, o faroleiro!

Poucas pessoas devem se lembrar de Vicente Faleiros. Mas todos lembram que em fevereiro desse ano, depois de um episódio de violência que envolveu alunos do Colégio La Salle da Asa Sul, um "especialista" que estuda e pesquisa casos de agressão à criança e ao adolescente declarou numa matéria veiculada no jornal on line da Universidade de Brasília que a culpa da violência daqueles meninos era da escola particular. Para quem esqueceu, o tal especialista é Vicente Faleiros.

Lembram das palavras que ele utilizou na análise do caso que ficou conhecido como A Briga do Parque da Cidade? Eu as guardei. Acompanhem:

“A rede privada de ensino escamoteia essa realidade, tem um tipo de cegueira para discutir o problema. Mas ela precisa abrir a conversa com os adolescentes sobre a problemática”, afirma o especialista em violência contra a criança e o adolescente. A omissão, diz, está relacionada à lógica de mercado dos estabelecimentos privados que se preocupam em conquistar cada vez mais clientelas.

Para alcançarem esses objetivos, declara Faleiros, elas tentam vender imagem de harmonia e paz às famílias.“Se eles apresentarem qualquer sinal de violência, os pais podem recusar em matricular seus filhos. Por isso elas resolvem os problemas escondendo ou expulsando os meninos quando praticam algum ato considerado violento”, analisa.

Por outro lado, afirma o professor, as escolas públicas estão mais abertas ao tipo de discussão, embora sejam palco de atos violentos de adolescentes. "É preciso impor limites. Eles estão no momento de construção da identidade e a escola tem que dar uma atenção especial para essa fase da vida", diz.


Por que volto a falar desse nobre especialista que também é professor do departamento de Psicologia da Universidade Católica de Brasília? Ora, para provar, novamente, que ele analisa os casos de violência nas escolas do DF debaixo de um submarxismo chinfrim.

No último dia 26 de agosto, três meninas da 8a série, entre 15 e 17 anos, do Centro de Ensino Fundametal 11 localizado na cidade do Gama, envolveram-se numa briga que levou a de 15 anos ao hospital com hemorragia interna devido a força dos chutes e socos que sofreu das rivais, quando brigavam a 200 metros da escola, num descampado.

A comunidade escolar, segundo a matéria, está chocada e com medo. Alunos, profesores e funcionários confirmam que as agressoras têm um histórico de brigas, desentendimentos e indisciplina na escola, e que por isso os alunos têm medo delas.

Instado a comentar sobre mais um caso dessa natureza, Vicente Faleiros dessa vez encontrou outra explicação. Não mais o deliberado recurso de esconder dos alunos e de seus pais a realidade da violência. Muito menos, a evocação da "lógica do mercado" que justifica, nas escolas privadas, escamotear casos de agressão e brigas para não afugentar os pais que assim evitariam matricular seus filhos nessas escolas. Quando a violência é na escola pública, o especialista vê outras causas.

Sobre o caso da escola do Gama, ele declarou: "a violência é a forma como os adolescentes encontram para resolver os problemas. “A relação entre a juventude está dominada pelo modelo de crime organizado, extermínio e ameaça. A turma incorpora a agressão como forma de resolver conflito”.

Como disse em fevereiro, repito agora. Ao analisar de forma tão díspare casos bastante semelhantes de violência entre alunos, Faleiros, o faroleiro da Católica e da UnB, prova apenas que ele detesta o sistema privado de ensino.

Nas escolas privadas ele vê ganância, cupidez, ludíbrio, tudo em nome do lucro e do mercado. Daí, essas escolas não "trabalham" (detesto esse verbo empregado dessa forma) a questão da violência, do respeito às diferenças porque teriam que admitir casos de agressão e Bullying o que seria contrapropaganda.

Nas escolas públicas, ao contrário, ele vê diálogo, abertura e que apesar de existir casos de violência , eles só ocorrem porque esses jovens da escola pública encontram nas brigas uma forma de resolver os problemas e conflitos.

No primeiro caso, a culpa é do sistema privado. No segundo, é da sociedade ou quem sabe do sistema capitalista, neoliberal e burguês. No primeiro, os alunos são vítimas da ganância das escolas. No segundo, de uma realidade social violenta e cruel.

Podemos com isso?

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