07 agosto, 2009

Da série: Eu queria ter escrito isso desse jeito.


Do blog do Noblat.

Agredidos e Ultrajados

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, autora do texto abaixo.

O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, embriagado pelos quase 60 milhões de votos que recebeu em outubro de 2006, achou-se no direito de dar uma bofetada em milhões de famílias brasileiras, vítimas do chamado Plano Collor.

Na última quarta-feira, 21 de março de 2007, ele recebeu, em seu gabinete, no Palácio do Planalto, o senador Fernando Collor de Mello (sic). A mim não me interessa se o senador alagoano cumpriu seus 8 anos de afastamento da vida pública. Muito menos se não foi julgado pelo STF por falta de provas. Nem me venham dizer que ele foi absolvido pelo povo, já que acaba de ser eleito pelos alagoanos para representá-los no Senado Federal. Isso é uma vergonha para o Estado de Alagoas, nada mais do que isso.

O Plano Collor foi o mais sofisticado crime contra um povo que se tem notícia. Não usou tanques para bombardear populações inteiras. Não fuzilou ninguém em praça pública. Não prendeu, nem torturou, nem espancou, nem mandou enforcar. A arma que usou foi uma caneta. Que matou e feriu muita gente.

De repente, da noite para o dia, esse homem confiscou todo o dinheiro de um povo. A Caderneta de Poupança sempre foi a aplicação popular por excelência. É notório que o sucesso dos países desenvolvidos se deve à capacidade de seu povo poupar.

Tão importante era o apego e a fé na Poupança, que o candidato Collor dizia, em comícios, e depois pela televisão, que seu concorrente, o sindicalista Lula, comunista, iria tirar o dinheiro que o povo tinha na Caderneta de Poupança. Dizem que Lula perdeu porque Collor deu-lhe um soco abaixo da linha da cintura, apresentando uma ex-namorada que o acusava de monstruosidades.

Em um país machista como o nosso, isso pouca mossa causou, tanto que Collor venceu. E venceu porque todos ficaram com muito medo que o esquerdinha lhes confiscasse a Poupança. Eleito Collor, todos respiraram aliviados. Os poupadores de sempre foram dormir tranqüilos. Os que aplicavam no mercado financeiro, e tinham aprendido a duras penas como se defender das burrices dos planos econômicos que se sucediam como pragas, esses, com medo de um novo plano, migraram para a Poupança, o porto seguro.

Pois foi esse porto que Fernando Collor bombardeou, matando – literalmente – muita gente e ferindo para sempre muitos outros. O dinheiro que nos foi tomado ficaria retido no Banco Central por dezoito meses e, a partir do 19º mês, seria devolvido em 12 parcelas iguais e sucessivas, com juros de 6% ao ano, mais correção monetária.

Foi devolvido, é verdade. Aos inocentes, aos que não tinham amigos na praça, aos que não se sujeitaram a fazer acordos espúrios, aos que não se beneficiaram das famosas torneirinhas da Ministra da Economia (...) Esses, os tolos, receberam seu dinheiro em 12 parcelas. Que já não valia, podem fazer as contas que quiserem, aplicar os índices que bem entenderem, não valia, repito, o mesmo que valia em 16 de março de 1990, dia seguinte à posse do atual senador como Presidente da República do povo a quem iria apunhalar.

Essa monstruosidade não ajudou o Brasil em nada. Seis meses depois a inflação voltava galopante e a corrupção comia o país do centro para as bordas. Em setembro do mesmo ano, estava derrotada essa política desastrosa e criminosa e tudo voltava aos padrões característicos dos anos de alta inflação.

Muitos morreram de tristeza e medo. Muitos se suicidaram. Muitos tiveram que se desfazer, aos poucos, e para os espertos que se utilizaram das famosas torneirinhas, de carros e moradias. Muitos adiaram os planos de estudar e foram trabalhar para ajudar a família. O confisco não afetou somente os que foram suas vítimas. Em cascata, sofreram comerciantes, profissionais liberais, colégios, prestadores de serviços, uma infinidade de pessoas.

A tristeza que se abateu sobre o país, contada, ninguém acredita. Ruas escuras e silenciosas à noite, de dia longas filas nas portas dos bancos, para a retirada dos 50 mil cruzados novos que esse pastiche de marajá nos permitia levar para casa.

(...) E o que nós recebemos é essa agressão: exatamente 17 anos e cinco dias depois, o então candidato Lula, hoje Presidente da República, recebeu calorosa e gentilmente, para duas horas de papo ameno, em seu gabinete no Palácio do Planalto, o sujeito que o desrespeitou e à sua família, e que foi o causador de muito sofrimento e dor para uma enorme parcela da população brasileira.

Esse texto foi publicado aqui em 23 de março de 2007, intitulado “Agredidos”. Hoje, nesta semana que se iniciou em 3 de agosto de 2009, o título é outro. Com toda a dor que senti há dois anos e meio, não imaginei que a República das Alagoas estivesse para ser refundada, debaixo do mesmo tacão e tendo por seguidores os mesmos apadrinhados de outros tempos, as mesmas figuras insalubres para a sociedade brasileira e mais os aproveitadores de ocasião! Calculam contar com a proteção e as bênçãos do único partido que lhes fez frente, a verdade precisa ser dita, nos idos de 1992.

Ontem, o sempre fiel escudeiro Renan nos agrediu e ultrajou a todos: usou calão dentro da Casa do Povo, o que já é uma vileza. Mas nem com a proteção dos padrinhos teve a coragem de falar bem alto e de frente para o microfone: falou baixo e ainda pediu que tudo fosse apagado dos anais da Casa. E rompeu com qualquer padrão ético ao dizer que “minoria com complexo de maioria é falta de decoro parlamentar”.

Voltaram. Estão se achando muito fortes. Precisam sair de suas fortalezas/masmorras de ouro e prata e andar pelas ruas das cidades. Vão levar um

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