08 agosto, 2009

Como não posso, escrevi desse jeito, isso.

(Leia primeiro o post abaixo)

Em agosto de 1992 eu tinha 15 anos e acabava de entrar na Escola Técnica Federal de Pernambuco, cursando Química Industrial. Nos primeiros meses dessa escola - talvez por vaidade, talvez por necessidade de ser aceito - participei do Movimento Estudantil. Naquele mesmo mês, a Rede Globo exibia a minissérie Anos Rebeldes, de Gilberto Braga, e que contava a história do Movimento Estudantil entre 1968 e 1974. Muita gente acreditou, eu também, que os estudantes em 1992, tinham voltado a ter algum tipo de participação na vida política do país.

Não, meus queridos 6 leitores fiéis, eu não pintei a cara. Sempre tive pejo de certos arroubos. Mas fiz pior: fui na linha de frente em passeatas Fora Collor! subi em carro de som, discursei contra os "tubarões da educação". Quanta vergonha, meu Deus!, me causa essa lembrança. Tivesse eu mais idade e menos sangue indígena na família, eu seria um desses barbudos classe média, com uma boina na cabeça, uma camisa com "Che" , defendendo o PT como uma religião qualquer. Já disse a vocês, meu passado não foi bonito.

O que me salvou não foi a Faculdade de História, que cursei na UFPE. Lá também fui doutrinado nas idéias universais de justiça, liberdade, igualdade e fraternidade. Também fui convecido que a foice e o martelo era o símbolo da justiça contra o capitalismo mal. O que me salvou foram os livros que passei a ler depois que me formei. O que me salvou foi eu passar a ler por conta própria e não reproduzir o que os mestres diziam. O que me salvou foi entender que por trás de toda ideologia universal e humanitária haverá sempre um diabo totalitário, seja esse diabo um Hitler ou um Stálin!

Collor fez um discurso hoje. Não tive tempo de lê-lo na íntegra, mas sei que a idéia central foi dizer que sua punição deccoreu de um golpe parlamentar. Reconheceu erros políticos, jamais crimes! O PT e o presidente Lula, de fato, deram aos crimes de Collor um caráter amadorístico. O PT se relacionou bem com o congresso, o mensalão confirma isso.

Collor, ao posar de vítima, apóia-se sobretudo nas falcatruas do governo Lula para dar à sua versão dos fatos, ares de julgamento político. É verdade que ouvir Collor não é tão chato quanto ouvir Lula. Embora mal caráter, mentiroso, vaidoso e mentecapto, ao menos ele sabe escrever e falar; Lula é tudo isso, e ainda por cima, ouvi-lo exige um esforço sobre-humano, é quase uma auto-flagelação.

Escrevi esse post apenas para dizer o seguinte: ainda que Collor fosse mesmo inocente de todos os crimes que cometeu. Ainda que tivesse sido vítima de uma vingança parlamentar. Ainda que seus inimigos no congresso, que o depuseram, fossem mais canalhas do que ele - basta lembrar que na CPI do PC Farias o deputado José Dirceu e o "faz tudo" Waldomiro Diniz tiveram ação decisiva nas investigações - mesmo assim, Collor, você foi um fiasco! Seu maior crime não foi a corrupção, o peculato, o permitir a amigos a locupletação. Seu maior crime foi, num plano maluco e cruel, ter confiscado a poupança e a conta corrente de trabalhadores e aposentados. Pais e mães de família que viram seus sonhos enterrados por uma decisão criminosa e inútil de um governo incompetente e de um presidente parvo.

Seu discurso de hoje, ou qualquer outro que você venha a fazer daqui para frente, não apagará da memória nacional essa violência! Concordo que o senhor foi eleito por Alagoas, a democracia não é perfeita, mas é melhor que a ditadura, mas não imagine que em 2010 ou em 2020 o senhor subirá mais uma vez aquela rampa do Palácio do Planalto!


O texto acima foi escrito em 16 de março de 2007. Hoje, Collor, Lula, Sarney e Renan são unha e carne. Collor, tem subido a rampa do Planalto, não como presidente, mas como aliado íntimo e fiel do presidente Luis Inácio Lula da Silva!



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