13 julho, 2009

Cuidado com o aquecimento global que ele te pega. Te pega dali, te pega de lá.

Quantas vezes, nos últimos 3 anos, eu apanhei - metaforicamente, pessoal -, porque ousava proclamar que o aquecimento global antropogênico era uma fanfarronice? Os alunos, coitados, bombardeados pelos discursos politicamente corretos e alarmistas dos professores ambientalistas ou de outros que por espírito de manada seguem os pregadores da escatologia ambiental, ficavam entre atônitos e incrédulos quando me ouviam dizer que essa crença de que o mundo caminha para o caos se nós, seres humanos, não fizermos alguma coisa o quanto antes, era puro sensacionalismo e uma nova forma de anticapitalismo que as viúvas do marxismo e do leninismo se agarraram para continuar a sua luta contra o pérfido, insensível e agora antiecológico sistema capitalista.

As previsões alarmistas e apocalípticas que muitos professores fazem em sala de aula pedem que nós, os humanos, precisamos com urgência fazer alguma coisa. Mas que coisas? Ora, meus caros, plantar árvores, consumir menos, andar a pé, quem sabe voltar a viver em cavernas, tudo para salvar o planeta da catástrofe inevitável!

O tema da crônica que vai abaixo não é necessariamente uma novidade para mim, mas tem a qualidade de ser escrita de forma magistral pelo cronista lusitano João Pereira Coutinho. Leiam e protejam-se contra esses falsos profetas.

13/07/2009

A fé dos taxistas

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LISBOA - Tempo estranho aqui em Lisboa. Calor, sim, com um toque de umidade tropical. Quem viaja do Rio para Portugal chega a Lisboa e até acredita que ainda está em Ipanema. Será isto o aquecimento global?

Os taxistas da cidade dizem que sim. Entramos no carro e eles transformam-se em pequenos Al Gores, dissertando furiosamente sobre as alterações climatéricas. "Antigamente, não era assim", dizem, com um tom de voz que prenuncia o Apocalipse. Antigamente, imagino eu, o clima era perfeito e uniforme. Como uma marcha militar.

Não vale a pena iludir: quando um taxista acredita no aquecimento global, o mundo caminho para a perdição. Esse, pelo menos, é o entendimento da cúpula do G8, que reuniu em Itália para, entre outras coisas, salvar a Humanidade. Julgava eu que salvar a Humanidade era cenário de Hollywood. Engano. Os líderes do G8 acordaram reduzir as emissões de CO2 em 80% e, mais ambicioso ainda, limitar o aquecimento global em 2º C. Tudo isso até 2050. Verdade que os países emergentes, como a Índia e a China, não parecem interessados em embarcar na fantasia. Mas será possível, apesar de tudo, reduzir mundialmente as emissões de CO2 para metade?

Antes de responder à pergunta, gostaria de formular outra. Uma pergunta mais básica e, no sentido próprio do termo, mais herética: o aquecimento global é para levar a sério?

A interrogação não é tolerada no mundo tolerante de hoje. Mas existem sinais de esperança e um deles vem na revista "Spectator" dessa semana, com artigo sobre Ian Plimer. Quem?

Professor de Geologia na Austrália, Plimer editou livro que as inquisições ecológicas desejam lançar nas fogueiras. Título: "Heaven and Earth: Global Warming The Missing Science". Tese: a ideia apocalíptica de que a atividade humana cria o aquecimento global vai contra a Física Solar, a Astronomia, a História, a Arqueologia e a Geologia. Ou, se preferirem, e ainda nas palavras do solitário Plimer, o "aquecimento global antropogénico" é a mais perigosa e ruinosa fraude da história.

Para Plimer, a contribuição humana para o aquecimento planetário é diminuta porque as variações climatéricas, analisadas sob a perspectiva macro da Geologia, sempre estiveram presentes nos milhares de milhões de anos da Terra. E muito antes dos seres humanos serem sequer uma possibilidade nos desígnios da criação.

Leio o artigo de Plimer enquanto o taxista dirige e disserta e, apesar do prazer na leitura iconoclasta, não encontro nele nada de particularmente novo. Peço desculpa pela imodéstia. Sim, não sou geólogo. Mas confesso que li alguma História e, ao contrário dos exércitos ecológicos, sempre tentei aprender alguma coisa com ela.

Segundo a ortodoxia do aquecimento global, o mundo aquece porque o homem pós-industrial contribui para esse aquecimento de forma irresponsável e crescente. O meu problema começa logo com esses dois adjetivos. "Irresponsável"? Duvidoso que a ação humana seja a principal responsável pela aquecimento planetário quando a palavra maior pertence à própria natureza, que emite quantidades incomparáveis de CO2 para a atmosfera.

Mas problemático é acreditar numa ação "crescente" do homem quando a história, remota ou recente, mostra variações climatéricas que estão longe de ser graduais e uniformes. Fato: o mundo aqueceu entre 1920 e 1940 (0,4º C). Fato: o mundo aqueceu a partir de 1975 e até aos inícios do presente século (0,5º). Mas o mundo também arrefeceu entre 1940 e 1975 (0,2º C). E, ao contrário do que diz o meu taxista, o mundo arrefeceu desde o início do século 21.

Tudo isso é história recente? Então olhemos para a história remota e pré-industrial. Lemos os documentos que o monaquismo ocidental foi legando para a posteridade e, a partir do século 11, encontramos um mundo medievo estranhamente quente e, talvez por isso, estranhamente produtivo. Exatamente o contrário dos séculos 17 e 18, quando uma pequena idade glacial permitia aos londrinos cruzar um rio Tamisa congelado.

Opinião pessoal? Sabemos pouco sobre os humores do clima. E é precisamente essa ignorância que permite decretar certezas com a arrogância própria dos fanáticos. Para Plimer, essas "certezas" não são mais do que expressões de fé num mundo sem religião. Ou, dito de outra forma, com o declínio do Cristianismo no Ocidente, os homens canalizaram os seus sentimentos fideístas para um "panteísmo" alarmante, vislumbrando no clima, e nas naturais variações dele, uma secularização das pragas bíblicas, prontas para punir os pecados da Humanidade.

Os pecados "capitalistas" da Humanidade, acrescento eu. Faz sentido. Se o marxismo não cumpriu a sua promessa "científica", os órfãos da ideologia esperam agora por um deus verde e vingativo para nos destruir e salvar.

João Pereira Coutinho, 32, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.

8 comentários:

Thiago disse...

Pois é Zé. Imagine para mim, um biólogo, atestar algo semelhante... Já o fiz muitas vezes, e em todas elas fui atirado à fogueira.

Não me atrevo a acrescentar nada, nem à crônica do João Pereira nem à sua introdução. "Espírito de manada" é a palavra chave aqui.

O curioso é este desejo de morte. Sempre temos um grande vilão a combater, um fim de mundo iminente. O da vez é o aquecimento global.

O que as pessoas evitam pensar é que a humanidade, assim como qualquer outro ser vivo que já passou pela superfície deste planetinha, esta em rota de colisão inevitável com sua extinsão.

Se não pelo aquecimento, por uma era glacial. Se não por uma era glacial, pela escassez de recursos naturais. Se não pela escassez de recursos naturais, pelo impacto de algum eventual asteróide desavisado.

Seja como for, uma coisa é certa. A Terra estava aqui pra ver os primeiros humanos, e vai continuar aqui depois que o último de nós fechar a porta e apagar a luz.

Anônimo disse...

Tudo bem Zé Costa, o homem não provocou os problemas térmicos atuais. Então me responda; porque o derretimento das calotas polares? Porque tempos chuvas ácidas? Porque o sol cada vez mais fica agressor a nossa pela, gerando vários problemas dermatológicos? E tudo isso em um curto espaço de tempo. É lógico que o planeta aquece naturalmente. Mais ele agora deu para maximizar esse aquecimento, ou são nossa ações que colaboraram? Não existe nenhum deus verde que vai nos punir. E também não é culpa de nenhum sistema (capitalismo ou socialismo), porque os dois têm graves erros. Porem você tem que concordar que todo ato tem uma consequência. E a consequência com certeza não é o tal apocalipse, como alarmista gostam de falar. Contudo infelizmente acontecerá tragédias.

Zé Costa disse...

Olá, Anônimo!

Poderia começar ensinando a você que o uso do porque em forma de pergunta deve ser separado, ok? Tá certo que é possível usar o porque separado em outras situações,mas no caso de uma frase interrogativa ele, o porque, lembra?, tem que vir separado.

Em primeiro lugar você considera o aquecimento do planeta um problema. Eu acho que estamos apenas numa fase de aquecimento que deverá se seguir a uma outra, de resfriamento. Foi assim desde as mais priscas eras.

As calotas polares derretem porque - esse é junto, ok? - as temperaturas estão mais altas. Qual a nnovidade disso? Na Idade Média, por exemplo, onde a temperatura média era maior que a atual, regiões que hoje estão cobertas de gelo, eram produtivas. Sabe a Groelândia? Pois é.

O que a chuva ácida tem a ver com o aquecimento global? Perdi essa aula.

A partir de então seu texto fica truncado ou muito profundo para a minha limitadíssima inteligência. Não entendi o que você quis dizer nas 9 linhas finais do seu comentário. Faço um apelo: tente escrever de forma que uma pessoa como eu possa saber o que uma pessoa como você, pensa.

Zé Costa disse...

Olá, Thiago!

Que é isso, cara? Você, um biólogo, mestrando em história da ciência, duvidando ao aquecimento global antropogênico? Onde estamos?

Afortunados serão aqueles que terão um cientista como você em sala de aula!

Um abraço.

Anônimo disse...

Pôxa,Zé
Eu estava como seus alunos,esperando o Dia do Juízo Final.Vivendo e aprendendo...

Flávia Rizzo

André disse...

O planeta aquece naturalmente! Isso é inquestionável. Mas tal afirmação não é valida para o aquecimento global. Não há dúvidas que o homem (e eu me incluo nisso), é o maior responsável. É só olhar a maior taxa de dióxido de carbono dos últimos 420 000 anos, animais mudando suas rotas migratórias, grandes diferenças de temperatura entre dia e noite e furacões com intensidade cada vez maior.
Uma coisa você está certo Zé, apocalipse nenhum vai acontecer (nós quando queremos, invertemos o nosso destino). Assim temos mesmo, que fugir dos falsos profetas! Porém cada vez mais o homem sofre da extinção, 1000 por ano entre espécies. Normal, como mostra a história, é de uma espécie em 1 milhão de ano (Revista National Geographic).
Dados da ONU mostram que: “se o homem causou o problema, pode também resolvê-lo. E por um preço relativamente modesto – pouco mais de 0,12% do produto interno bruto mundial por ano até 2030”. Sendo isso uma das soluções!
Tecnologia verde, juntamente com a conscientização da população, irá traçar o futuro do mundo. E não voltaremos “a viver em cavernas” caro Zé Costa. E sim seremos uma nação mais responsável!

flávia disse...

E o físico alemão Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam de Pesquisas do Clima,diz "O homem é responsável pelas mudanças climáticas".

Mudança climática aproxima-se do pior cenário, diz cientista.Zé,uns falam uma coisa,outros outras,e nós leigos,como ficamos?????? Eu não ia colocar o texto todo,mas achei melhor assim.

O físico alemão Stefan Rahmstorf apresentou suas conclusões na reunião internacional sobre o efeito estufa promovida pelas Nações Unidas, no Quênia

EFE

NAIRÓBI - Os efeitos do aquecimento global nos oceanos já se aproximam do pior cenário imaginado por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o que inclui o aumento do nível do mar, furacões devastadores e a destruição dos corais, segundo relatório apresentado nesta quinta-feira, 9.

"A tendência atual, comprovada por imagens feitas por satélite, mostra que o nível do mar sobe três centímetros por década, o que se aproxima do pior cenário entre todos os previstos pelo IPCC", disse Stefan Rahmstorf, professor de física dos oceanos e membro do Conselho Assessor Alemão sobre Clima Global, ligado ao governo da Alemanha.

Na apresentação do relatório "Os futuros oceanos" na Convenção sobre Mudança Climática realizada em Nairóbi, capital do Quênia, o físico alemão destacou que "entre 1900 e 2000, o nível do mar cresceu vinte centímetros, e o IPCC, em seu relatório de 2001, apontou que até 2100 ele ainda pode ter um aumento de entre 9 e 88 centímetros".

Segundo Rahmstorf, o aumento do nível do mar, derivado do derretimento das geleiras, entre outros fatores, é uma das conseqüências mais graves que a humanidade pode sofrer com as mudanças climáticas. Partes de Nova York, Holanda, Bangladesh e milhares de pequenas ilhas podem ficar submersas.
http://www.abides.org.br/Noticias/View.aspx?noticiaID=315

Zé Costa disse...

Por isso que muita gente trata os defensores do aquecimento global como seguidores de uma nova seita religiosa. Veja só, André: muitos cientistas, repito, cientistas, questionam a validade dos estudos e das conclusões do IPCC, chegam a fazer troça dos modelos que os escatologistas do ambientalismo se baseiam, mas você, que suponho, não é cientista, afirma que não tem dúvida nenhuma sobre o aquecimento global antropogênico. Coloco-me, é claro, no campo dos céticos.

Flávia:

Uma conferência do clima aonde? No Quênia? Ihhhh, isso não é bom sinal.

Além do mais, minha cara Flávia, esse físico alemão faz parte do comitê da ONU, hoje a ONG mais forte na divulgação dessas notícias alarmistas. A ONU é uma piada e não só nesse questão do clima, minha cara, infelizmente.

Estranho seria se esse cientista contestasse a entidade que lhe fiancia as pesquisas, não?

Vá aos arquivos no de 2007, no mês de julho. Há alguns posts sobre esse tema e um vídeo, no mínimo, intrigante. Confira