03 junho, 2009

Vicente Faleiros, o faroleiro.

Onde está Vicente Faleiros? Procurem por toda parte. Nos becos, nas tocas, na academia, ele tem que aparecer. Ele precisa se pronunciar. Ele tem a obrigação, como especialista em violência entre os jovens, de comentar a briga no pátio da escola que envolveu cinco alunos do Centro de Ensino Paulo Freire, na 610 norte. Por quê? Acompanhem.

Quando em fevereiro desse ano alunos de escolas privadas se envolveram numa briga na Parque da Cidade, Vicente Faleiros foi entrevistado por Kênia Rodrigues, jornalista da secretaria de comunicação da Unb. A matéria foi publicada no site da universidade, abaixo um trecho:

“A rede privada de ensino escamoteia essa realidade, tem um tipo de cegueira para discutir o problema. Mas ela precisa abrir a conversa com os adolescentes sobre a problemática”, afirma o especialista em violência contra a criança e o adolescente. A omissão, diz, está relacionada à lógica de mercado dos estabelecimentos privados que se preocupam em conquistar cada vez mais clientelas.

Para alcançarem esses objetivos, declara Faleiros, elas tentam vender imagem de harmonia e paz às famílias.“Se eles apresentarem qualquer sinal de violência, os pais podem recusar em matricular seus filhos. Por isso elas resolvem os problemas escondendo ou expulsando os meninos quando praticam algum ato considerado violento”, analisa.

Por outro lado, afirma o professor, as escolas públicas estão mais abertas ao tipo de discussão, embora sejam palco de atos violentos de adolescentes. "É preciso impor limites. Eles estão no momento de construção da identidade e a escola tem que dar uma atenção especial para essa fase da vida", diz.

Na ocasião, escrevi:

Algumas perguntas básicas, professor: se o seu argumento for verdadeiro, como o senhor explica que pouco mais de 10 alunos num universo de 1600 que estão matriculados na colégio La Salle tenham participado desses atos vergonhosos? Não deveriam ter sido todos ou pelo menos a maioria? Como o senhor explica os exemplos semelhantes e às vezes mais graves de atos violentos entre alunos de escola pública? Afinal, nessas escolas não há razões mercadológicas, há? Nessas escolas o tema da violência não é escamoteado, é? Não seria mais honesto explicar que ações desse tipo decorrem mais da carência de valores morais, familiares, éticos e religiosos? Que a ausência da família na vida de muitos adolescentes e até de uma certa atração pelo mal e pela destruição que alguns jovens sentem, contribuem para atos dessa natureza? Estou dividindo a culpa das escolas com a família e com outras instituições? Não. Estou afirmando que as escolas não tem culpa. Nem a da omissão.

Como se vê, a realidade dos fatos é mais eloqüente que a análise do professor que é especialista, doutor, o escambau, da Unb. Pelo menos nessa matéria, suas palavras apresentaram a profundidade de um pires.

Clique aqui e leia a matéria sobre essa briga ocorrida no Centro de Ensino Paulo Freire.


Se você não conhece o texto de fevereiro, clique aqui.

2 comentários:

Anônimo disse...

A falta de valores, de motivação e principalmente de limites, traz a mídia notícias sobre a violência entre jovens que ocorre nas escolas, sejam elas publicas ou privadas. Acompanhei as discussões neste blog e sinceramente não percebi a preocupação nos senhores professores, a cerca do fato, e sim se ocorrem mais em instituições públicas ou privadas. Que isso? parece q se a barbaridade acontecer numa escola pública, tudo bem. Agora isso não pode acontecer numa escola particular, é melhor "abafar" pra não manchar o nome lindo de algumas instituições. O Professor Faleiros foi infeliz na afirmação de q a rede privida escamoteia a realidade da violência, mas nem tudo ali na matéria foi bobagem não. Me preocupa muito a violência entre os jovens, com os professores e hoje pra ficar mais chocada, lí sobre um professor que feriu a cabeça de um menino de 10 anos, atirando um apagador. Que horror!!! Ando sedenta nestes blogs em busca de idéias, sugestões, sei lá...durante todo o meu curso de licenciatura, ouvi q não iria encontrar receitas prontas, mas ainda tenho esperança de encontrar algumas dicas, esse foi o motivo pelo qual fiquei meio chateado com a ênfase q se deu, ao fato de quem bate mais, se o pobrinho ou o riquinho.

Zé Costa disse...

Comentarista anônimo, você leu alho e entendeu bugalho, foi isso? Quem fez a ilação de que não estamos preocupados com a violência entre os estudantes, mas apenas se esses casos se deram em escolas públicas ou privadas foi você.
O post de fevereiro refutava a tese boçal do professor Vicente Faleiros que associou as cenas de violência de alunos das escolas particulares ao fato dessas instituições buscarem o lucro, como se isso fosse um crime, um pecado. Sugiro uma releitura do post. Talvez com mais atenção você perceba que refutamos a bobagem dita pelo especialista da Unb, só isso.

Você escreve que nem tudo o que o professor Faleiro disse na matéria é bobagem. Ora, você tem o direito de achar as palavras dele sensatas. Agora, só por curiosidade, que parte das palavras dele você achou coerente? Para mim tudo que ele declarou na matéria é fruto de uma análise pedestre.

Quanto ao professor que feriu um aluno de apenas 10 anos, o que dizer? Precisa ser indiciado.

PS: Que bom você procura saciar sua sede de saber pelos blogs. Temo, contudo, que a água que eu tenho aqui não dê nem para mim, quanto mais para pessoas com tanta sede, como você. Por isso, não se chateie se nada encontrar aqui que valha a pena. Há na blogosfera muita gente melhor do que eu. Coragem! Avante!