23 junho, 2009

Professor também não precisa de diploma.

Semana passada o STF, por 8 votos a 1, derrubou a obrigatoriedade do diploma de jornalista para profissionais que trabalham nos meios de comunicação. A decisão, segundo o relator, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, garante um direito fundamental na democracia: a liberdade de expressão.

As corporações de ofício do século XXI reagiram dizendo ser um absurdo não se exigir de um jornalista o diploma de curso superior em comunicação. Afirmam também que a decisão desprestigia as faculdades de comunicação. O curioso é que a maioria das pessoas que torceram o nariz para a decisão do STF acha que um diploma universitário é absolutamente dispensável para ser presidente da república.

Concordo com a decisão. Vou mais longe. Acho que a função de professor, por exemplo, também dispensa um diploma universitário específico na área que se deseja lecionar. Um professor precisa ter, antes de tudo, o conhecimento da disciplina e, claro, habilidade de transmitir esse saber aos seus alunos. Eu, por exemplo, fui vítima desse cartório. Em 2005, fui aprovado na décima-quinta colocação para professor de filosofia na rede pública do Distrito Federal. Minha graduação é em história e por isso, mesmo sendo aprovado num concurso público, o GDF não permitiu a minha posse. Não me deixaram, por exemplo, provar que eu poderia dar aula para os alunos do ensino médio. Simplesmente me pediram o diploma do curso de filosofia. Como não tinha, não pude assumir.

Se um advogado, sociólogo, pedagogo provar que tem conhecimento em história e deseja ser professor dessa disciplina e mostra habilidade para o magistério, por que não permitir que essa pessoa dê aulas de história? Só porque ela não tem diploma? Ora. Isso é cartório.

Diploma não dá atestado de competência a ninguém. Quantos professores existem, devidamente diplomados, que são notadamente uns ignorantes? Que mal sabem juntar lé com cré. Que nunca leram, na faculdade, um livro inteiro. Um professor diplomado incompetente é mais nefasto para o futuro de um país que um professor reconhecidamente competente, mas que não tem o "diproma".

A carência na educação é tanta que hoje mesmo os professores incompetentes têm emprego. Certa vez uma aluna me perguntou qual a profissão que teria emprego garantido. Respondi que a de professor. Porque para um professor, mesmo que ele seja uma anta, haverá quem o coloque numa sala de aula, desde que ele tenha diploma, é claro.



4 comentários:

Fernando Sampaio disse...

A Teachers for America por exemplo foi uma belíssima iniciativa americana que pega os diplomados das melhores universidades para ensinar no primeiro grau pelo menos por um ano.

Anônimo disse...

"Se um advogado, sociólogo, pedagogo provar que tem conhecimento em história e deseja ser professor dessa disciplina e mostra habilidade para o magistério, por que não permitir que essa pessoa dê aulas de história? Só porque ela não tem diploma?"

Simplesmente porque nós, que batalhamos, estudamos, passamos noites sem dormir fazendo Projetos Educacionais, Projetos Culturais, Monografia e etc., o fazemos a fim de exercer nossa profissão com excelência e responsabilidade. Aprendemos a utilizar instrumentos pedagógicos que facilitarão a apreensão dos conteúdos por parte dos alunos a quem ensinaremos.
Me admira muito você, formado em História, agir com naturalidade diante dessa falta de competência a que se está delegando a Educação.
Também.. vai saber onde e em que ano se formou em História. Sempre achei que este era um curso que ensinava seus amantes a pensar, mas já vi que o "vírus" não afeta a todos.

Zé Costa disse...

Seu comentário foi valioso, anônimo. Chamou atenção para um dado que eu ignorei: a formação pedagógica de quem faz licencicatura.

As "cadeiras" de Educação na faculdade, de fato, deixam o aluno, candidato ao magistério, preparadíssimo para o desafio de sala de aula, como sabemos.

Você diz: "Aprendemos a utilizar instrumentos pedagógicos que facilitarão a apreensão dos conteúdos por parte dos alunos a quem ensinaremos". Aprendemos, é? Confesse, você é ainda um aluno de história que ainda não se formou e se acha o máximo porque está fazendo "facu", não é?

Que instrumentos pedagógicos você aprendeu ou acha que vai aprender na faculdade que facilitarão sua vida em sala de aula?

Aprender na teoria, e só na teoria, a como utilizar recursos didáticos em sala de uala só serve para gente como você arrotar um conhecimento que não resiste a 10 minutos em uma sala de aula de verdade.

PS: Ah, você tem razão quando suspeita que eu seja um vira-lata. Sou formado pela UFPE, que não é grande coisa, assim como a Unb não é também, e meu diploma é de 2003.

Quanto ao vírus... Hummmm, que bonitinha sua metáfora, embora um tantinho preconceituosa, uma vez que você considera que os diplomados em história aprenderam a pensar fazendo o curso, o que me leva a inferir que os outros curos não ensinam a mesma coisa, o que é uma arrematada tolice! O vírus que contaminou você foi outro: foi o da Gripe do Asno que faz o asno pensar ser um touro, pois fala como um touro, age como um touro,muge como um touro, mas todos sabem, porque vêem, que não passa de um asno.

Anônimo disse...

Cara, Zé Costa... Você acaba de ganhar outro fã! Tem toda, mas TODA a razão. Imagine em um país, o qual meu pai é doutorado em engenharia no MIT, e não poder fazer certas coisas, por ser formado em física pelo ITA. Você tem toda razão. Eu sei que talvez essas mensagens sejam velhas, mas cara, você falou com toda a razão. Eu não sei se ainda existe, mas um professor em Stanford, ou Princeton (se não me engano) NÃO É FORMADO, e dá aula em uma das melhores faculdades do mundo. Tá na hora do Brasil mudar! Apoio 100% com você.