14 junho, 2009

O ALUB erra até quando acerta

É impressionante como os responsáveis pelo site do ALUB não se incomodam com a qualidade dos comentários dos itens das provas do PAS e do Vestibular da Unb. Fico estarrecido com o nível de parvoíce e de ignorância que os comentários revelam. Não fosse pela estupidez pura e simples, a pobreza literária de quem redige os comentários cobriria de ingnomínia qualquer estudante de terceiro ano medianamente alfabetizado.

O curioso nos comentários do ALUB é que mesmo quando eles acertam o gabarito, o comentário que justifica o item, geralmente, é dissociado do que foi cobrado do candidato. Assim, eles cravam que um item x está certo ou errado e o justificam de forma alienada.

Na prova do vestibular da Unb aplicada ontem, por exemplo, vários itens poderiam servir de prova do que falei acima, mas destaco um, o 102, do Caderno Grande Otelo. Vejam:

102 C - O AI 5 foi um dos maiores processos de ruptura do processo de fortalecimento das manifestações artísticas brasileiras.

O item exige do aluno que reconheça as diferentes fases pelo qual passou o regime autoritário implantado no Brasil em 1964. Aliás, o AI 5 foi um ponto de inflexão importante, tornando o regime escancaradamente repressivo. O item está correto, mas o comentário do AULB é de uma pobreza de estilo e de conteúdo que são inadmissíveis num curso de preparação para concursos e vestibulares.

Já no item 29, numa questão de filosofia medieval, o comentário do ALUB é lacônico e estúpido! Aliás, não é a primeira vez que o ALUB erra feio comentando uma questão de filosofia. Ano passado, na prova do PAS da primeira etapa, o curso não reconheceu a famosa frase do sofista Protágoras de Abdera - O homem é a medida de todas as coisas - e marcou como correto um item que afirmava que os sofistas eram defensores de valores absolutos. Mesmo um aluno abaixo do medíocre reconheceria essa frase e marcaria o item como errado.

No item 29 do Caderno Grande Otelo, o gabarito e o comentário do ALUB, respectivamete, foram:

29 C Nunca houve fusão entre Filosofia e Teologia (religião).


Prestem atenção ao advérbio nunca. Em história, tanto ele quanto o seu oposto, sempre, são armadilhas para pegar incautos. Supõe-se que os incautos sejam os alunos menos preparados, mas ao que parece os incautos são aqueles que comentam os itens para o ALUB.

Vejamos o que diz Bertrand Russel, filósofo britânico que na década de 50 do século passado, ganhou o Nobel de literatura por uma obra sobre a História da Filosofia. Em seu livro A História do Pensamento Ocidental, ele afirma na páginas 190 e 192, o seguinte:

“Nos tempos grecos-romanos, como hoje, a filosofia, na essência, independia da religião. (...) Nesse aspecto, o período entre a Queda de Roma e o fim da Idade Média difere tanto da era precedente como da seguinte. No Ocidente, a filosofia se tornou uma atividade que floresceu sob o patrocínio e a direção da Igreja. (...) Durante a Idade Média, a filosofia permanece estreitamente ligada à Igreja.”

Se os professores de filosofia que comentaram esse item soubessem da disciplina que lecionam, diriam mais ou menos o seguinte:

Se houve uma época em que a filosofia se subordinou a teologia, essa época foi a o período medieval. Santo Agostinho e Tomás de Aquino, dois dos maiores nomes da filosofia medieval, em que pese suas divergências filosóficas, afinal, o primeiro influenciou a Alta Idade Média e o segundo, a Baixa Idade Média, fizeram suas reflexões no âmbito geral da religião cristã. A filosofia de ambos servia, antes de tudo, para fins teológicos, por isso a afirmação que eles separavam sua filosofia da religião está incorreta, falsa.

O comentário que está no site do curso não revela apenas a pobreza de conteúdo de quem comentou, mas a sua oligofrenia.


Seria interessante que professores de outras disciplinas se debruçassem sobre os comentários do ALUB para constatarem o engodo desses comentários. Em literaratura, por exemplo, eu vi alguns.

Confira aqui os comentários do ALUB e aqui a prova de ontem.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ham? O que eles tentaram dizer? "O AI 5 foi um dos maiores processos de ruptura do processo de fortalecimento das manifestações artísticas brasileiras." Ruptura de que? Enrolou e não disse nada!