03 maio, 2009

"Seja Progressista. Diga sim ao aborto!"

É sempre assim. Todos os anos, na véspera do Dia das Mães, jornais, revistas, programas de rádio e TV, sites, tratam direta ou indiretamente sobre o aborto. Não deixa de ser curioso que esse tema volte sempre nessa época, em que a maternidade é exaltada.

Depoimentos, opiniões de especialistas, gente contra e a favor ( mais a favor, diga-se) pronunciam-se a respeito dessa prática considerada criminosa pelo código penal brasileiro que prevê pena de até três anos para quem faz ou para quem concorre para a prática da interrupção da gravidez. Aliás, tenho curiosidade de saber se quem defende o aborto como um direito da mulher, tem filhos. Das pessoas que eu conheço e que defendem a prática do aborto, seja de maneira desavergonhada ou com algum prurido, nenhuma tem filhos. Talvez o melhor argumento contra essas pessoas sejam receberem a graça, a bênção, o presente de um filho. Mas estou a tergiversar.

Esta semana, a revista Veja entrevistou o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli que apesar de ser pessoalmente contra o aborto, acha que é preciso descriminalizá-lo. Toffoli é do tipo que concorda discordando ou discorda concordando. Ele acredita, assim como as feministas, os progressistas e muitos outros vigaristas que descriminalizando o aborto, as mulheres que morrem porque recorreram a essa prática infame em clínicas clandestinas, ou tentaram por conta própria matar o filho que esperavam, nao morreriam. Assim, essas Medéias afobadas que decidiram matar seus filhos teriam a garantia de que nada de ruim lhes aconteceria na prática do aborto.

É verdade que a legislação brasileira garante à mulher o direito ao aborto quando ela é vítima de estupro ou quando a gravidez põe a vida da mãe em risco. Em breve, aposto, o STF deverá estender esse direito às mães cujos exames comprovem que seu filho apresenta algum defeito côngenito, como os bebês anencefálos.

Eu sou contra o aborto. Admito, porém, o quanto deve ser difícil para uma mulher desenvolver afeto ou amor de mãe por um filho gerado num ato de violência. Da mesma forma, imagino como deve ser doloroso para uma mulher que espera ansiosa a chegada de seu filho, saber que seu bebê apresenta malformação que o incapacita para a vida. De igual modo, o dilema de um pai que se vê na obrigação de decidir junto com a sua mulher entre a vida de seu filho e a vida da mãe da criança, é certamente desesperador. Falo isso, porque sempre julguei que a decisão de se interromper a gravidez em casos como os citados acima, deve ser sempre acompanhada de muita dor, sofrimento e, certamente, um eterno sentimento de culpa pela decisão tomada. Por isso, espanta-me que haja pessoas que falem do aborto como se tivessem falando de uma dor de dente, de estâmago ou algo de somenos.

A edição deste domingo do Correio Braziliense, no caderno Cidades, traz uma matéria intrigante sobre a prática abortiva no Distrito Federal. A primeira revelação é assustadora. Mais da metade das jovens entre 14 e 19 anos que tiveram diagnosticada sua gravidez nos hospitais públicos do DF não levaram a gestação a termo, isto é, as crianças não nasceram. Admite-se que boa parte dessas crianças foram abortadas em clínicas clandestinas ou acabaram sendo mortas pela ingestão de medicamentos abortivos, como o famoso Cytotec (medicamento para o tratamento de úlcera, mas eficaz para se matar um feto).

A segunda revelação é a maneira como as mulheres, cujos nomes na matéria são fictícios, falaram do aborto. É estarrecedor como suas palavras são frias, desprovidas de emoção. Imagino que algumas delas, se pudessem, andariam com uma blusa branca dizendo: "abortei sem culpa" ou "abortei porque não posso ser mãe".

No próximo post vocês poderão ler um desses depoimentos em vermelho com comentários meus em azul.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sou mãe de duas crianças amadas. Também sou a favor do aborto e da descriminalização. Eu tive 2 abortos e tnão sinto culpa pois fiz a escolha certa - e quem pode dizer isso é somente eu. Eu já fui contra o aborto, hoje sei que era ignorância misturada com arrogância.

Zé Costa disse...

Parabéns pelos seus filhos! Se a senhora afirma que teve dois abortos, suponho que os não praticou, o que muda totalmente o quadro.

A senhora tem todo o direito de defender a descriminalização do aborto.

Se a senhora acredita que quem é contra a legalização do aborto não passa de ignorante e arrogante, eu acredito que quem é a favor é não tem apreço pela vida. Cada um no seu quadrado.

Anônimo disse...

q foraaaaaaaaaaaa hein dona! uhuu!
ado aado cada um no seu quadrado!!!