01 maio, 2009

Primeiro de Maio e o fim da greve do Sinpro.

Primeiro de maio, dia do trabalhador. Festas, sorteios e discursos. Hoje é o dia em que sindicalistas que vivem do trabalho de gente que de fato trabalha, deitam falação contra o sistema capitalista, o neoliberalismo, os patrões, as patroas, sobra até para o aquecimento global. Militantes, travestidos de trabalhadores, põem uma camisa vermelha, empunham bandeiras, dançam, cantam, festejam, participam da pantomima todos os anos. E só participam porque são atraídos pelos shows de artistas que são, rigorosamente, pagos pelo maldito sistema que seus líderes, ao menos nos discursos, tanto deploram.

Ricardo Berzoini, na festa da CUT, no melhor estilo petista, declarou que empresário que demite sem necessidade é ladrão. Essa é uma parvoíce sem tamanho. Eu perguntaria ao presidente do PT como a gente chama quem pega dinheiro público para comprar deputados ou pagar campanhas políticas. Acho que ele, mais do que ninguém, conhece a resposta.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, prestigiou a festa da Força Sindical, braço sindicalista do PDT assim como a CUT é do PT. O ministro também falou da crise e com seu sotaque cheios de "erres" fez declarações bem ao estigo Jango.:“A hora não é de demitir. A hora é de acreditar no Brasil (...) Essa crise não foi criada pelo trabalhador. É fruto do egoísmo do sistema financeiro”, disse.

Como diria Macunaíma: "ai, que preguiça!"


Aqui no DF, o Sinpro, sindicato dos professores da rede pública, decidiu, no último dia 28 de abril, encerrar a greve que já durava três semanas. Em seu site, o Sinpro publicou uma nota explicando as razões que levaram a um acordo com o governo, exaltando, mesmo sem ter conseguido nada do que reivindicava, a vitória da mobilização. Lendo a nota é possível, no entanto, afirmar que o Sinpro foi derrotado, não pelo governo, mas pela opinião pública cansada da retórica de gente que vive dizendo que defende a educação mas que trabalha sem cessar contra ela. A opinião pública que rejeitou a greve cansou, Sinpro. Ainda bem. Leiam a nota, volto depois.

A assembleia geral dos professores, realizada na manhã da terça-feira, dia 28, aprovou a suspensão do movimento grevista e decidiu aceitar a proposta feita pelo GDF. A grande preocupação da categoria é a forma de recomposição do calendário escolar e o pagamento dos dias parados. Por isso o Sinpro quer garantir a formação o quanto antes da comissão formada pela Secretaria de Educação, UnB, Sinpro, OAB e representante da Câmara Legislativa, que terá como tarefa definir como se dará a reposição.

Desde o final do ano passado, quando iniciamos nossa campanha pelo cumprimento da lei, o GDF atacou a categoria de forma truculenta, com ameaças, utilizando a imprensa para desqualificar nosso movimento, já decidido a dar o calote na categoria.Tentou manipular a opinião pública com informações falsas, tentaram nos dividir e disseram que a proposta, depois da crise econômica, era zero de reajuste.

Não nos intimidamos, resistimos, nos organizamos, fizemos uma greve com garra e combatividade e arrancamos uma proposta, apesar da intransigência do governador. Essa não é a proposta ideal, pois na verdade o que queríamos era o cumprimento da lei. Mas acreditamos que diante da conjuntura econômica de crise, só conseguimos esse avanço pela força e mobilização daqueles que foram à greve e que estiveram na luta. Esta vitória, portanto, deve ser dedicada àqueles não se intimidaram, que colocaram seus interesses de classe acima de interesses pessoais, que estavam na porta das escolas fazendo piquetes de convencimento, que acreditaram que somente a luta nos garante conquistas.

Valeu o empenho, a dedicação e a coragem, atributos de pessoas dignas, que não temem ameaças, que fazem e mudam a história, construindo a consciência e a cidadania, ensinando a liberdade e o respeito aos direitos dos cidadãos. Valeu, companheiros!

Atenção para o que foi acordado com o GDF:

- Reajuste salarial de 5% no mês de maio
- Pagamento do retroativo de março e abril em 6 parcelas a começar também em maio
- Avaliação da Receita Tributária em julho e novembro. Caso o governo tenha uma receita superior a 5%, a diferença será repassada para o salário dos professores com o compromisso do pagamento dos 15,31% em parcelas até março de 2010.
- Caso não haja o crescimento da Receita, o GDF se compromete a pagar o restante da dívida de 15,31% em março de 2010 junto com o reajuste do Fundo Constitucional do DF de 2010, descontado o valor da progressão por merecimento de 2009
- Pagamento dos dias parados a partir da recomposição do Calendário Escolar de 2009


Lembro que na famosa discussão que me envolvi na sala dos professores da escola privada em que trabalho, ouvi de um colega que o governador não teria saída a não ser atender as reivindicações. Ponderei que jamais o governo daria o aumento pretendido pelo sindicato por uma razão simples: não havia dinheiro em caixa. Argumento que, agora, o próprio Sinpro reconhece como plausível.

Mas a discussão acabou se inflamando quando disse que profesor da fundação não trabalha e ainda quer aumento. Foi uma provocação, é claro, mas se a generalização é falsa, a afirmação é bastante verdadeira para um número significativo de professores da fundação educacional do Distrito Federal.

No post que fiz sobre a discussão, escrevi que parando 10 ou 100 dias, os professores iriam garantir o pagamento dos dias parados e que a reposição das aulas, uma obrigação legal, seria feita da forma que quem já foi aluno de escola pública sabe muito bem como funciona. Se muitas vezes as aulas na rede pública são um engodo, que dirá das reposições, hein?

A população não foi manipulada como faz sugerir a nota do Sinpro. A população não aguenta mais movimentos grevistas de profissionais que pensam em suas regalias, seus privilégios, tudo pago com os impostos de cidadãos que nem de longe desfrutam de tais benesses.

A nota também exalta a participação de alguns professores que fizeram piquete - baderna totalitária que impede o professor contrário a greve de trabalhar e o aluno de ter aula.

O movimento foi um fracasso total! Claro que as duas semanas de férias serão abonadas, como sempre.


2 comentários:

LENINHA disse...

Oi professor Zé da Costa, sei que sua especialidade é de história, mas por tanto admira-lo estou precisando da sua ajuda.
Conhece algum professor tão dedicado como o senhor na especialidade de matemática???
Estou precisando ajudar minha filha pois ela tem tido muitas dificuldades nesta matéria.Ela está cursando a sexta série ou seja o sétimo ano fundamental.
Ela esta tendo dificuldade em expressões.
Desde já agradeço...
LENINHA

Zé Costa disse...

Obrigado pelos elogios, cara Leninha.
Infelizmente não lembro, agora,de algum professor que possa ajudar sua filha.

De qualquer forma, deixe um e-mail, não publico, e se lembrar de algum professor que possa ajudar sua filha em expressões numéricas, passo o seu e-mail para essa pessoa.

Até mais.