19 maio, 2009

Esse meu filho...


Quando eu tinha nove anos li, no livro de "português" da 3a série, um poeminha escrito por Manuel Bandeira chamado Estrela. Os versos simples, melódicos, encantaram-me. Naquela época ainda não havia atentando para a beleza triste desse poema. Encantava-me a atmosfera lúdica em que o poeta, certamente em mais um momento de solidão, solidão tão cara aos poetas, procurava a companhia daquela estrela que sempre aparece no fim da tarde. De pronto, decorei os versos.

Hoje, meu filho Estêvão, com 2 anos completados no último dia 30 de abril, recitou para mim, juro!, a primeira estrofe desse poema. Claro que ele não leu. Ele memorizou os versos. O mais surpreendente é que a última vez que eu li para ele esse poema foi na semana passada.

Eu estava lendo o livro Ouvintes alemães! Discursos contra Hitler, do Thomas Mann, quando ele se aproximou de mim pedindo "o libo da estela, papai" (este que está no canto esquerdo do post). Mostrei o livrinho para ele quando, de repente, da altura dos seus dois anos, ele começou a recitar com sua voz infantil:

Bi uma estela tão alta
Bi uma estela tão fia.

Bi uma estela ludindo
Na minha bida badia.

Abaixo, o poema Estrela, de Manuel Bandeira.

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.


Ai, meu Deus! Que alegria!

Um comentário:

Ilka disse...

Muito legal!!! sua alegria e seu orgulho nos contagia..e olha se prepara, pq eles a cada dia nos deixam mais felizes...imagina o meu, agora com 13 anos dizendo: "Mãe eu tô apaixonado" coração de mãe só falta parar de bater...meu bbzinho começa a sentir as dores e prazeres do amor...sinto saudades de quando tinha 2 aninho...!