14 maio, 2009

A Crise e o fim do capitalismo.*

Está em O Capital a previsão de que o futuro da humanidade, inevitavelmente, seria o socialismo. Ainda hoje, mesmo após a Queda do Muro de Berlim e do colapso do socialismo no início da década de 1990, não é difícil encontrar pessoas que ainda crêem nesse dogma de fé.


É oportuno lembrar que nos idos de 1992, o cientista político norte-americano Francis Fukuyama, já afirmava no seu livro mais polêmico: O Fim da História e o Último Homem que o futuro da humanidade estava justamente na democracia liberal e, claro, no único sistema econômico compatível com esse regime político: o capitalismo.


A razão de iniciar esse artigo fazendo essas lembranças é simples: não foram poucos, no Brasil e em outras terras, os que viram na crise econômica atual a “consumação dos séculos” do credo marxista. “Chegou ao fim a era do neoliberalismo.” Foi uma frase ouvida em diversos idiomas e pronunciada por presidentes, ministros, economistas, jornalistas e intelectuais. Outros, mais afoitos, certamente em transe, divisaram, na crise atual, o romper de uma nova aurora em que o socialismo iria se impor num mundo carcomido pela ganância capitalista. E, no entanto, mais uma vez, e para a sorte da humanidade, essas cassandras às avessas erraram.


A crise financeira atual, certamente a mais grave desde a Crise de 29, não é, como a de 29 não foi, o último suspiro do capitalismo. A crise atual, como a de 29, vai passar por um período de ajuste onde o Estado terá um papel importante, mas não preponderante. Os indolentes, sempre prontos a repetir o que ouvem, mas quase nunca dispostos a folhear alguns livrinhos básicos, apegam-se ao socorro do Estado às instituições financeiras em crise como se isso fosse uma prova cabal do fracasso do sistema liberal-capitalista. Esquecem ou desconhecem – porque não se deve subestimar a ignorância dessas pessoas – que o Estado é chamado a intervir porque a não intervenção agrava os efeitos da crise, punindo o lado mais vulnerável: o dos correntistas. O não-socorro aos bancos certamente provocaria um colapso no sistema de crédito o que afetaria o setor produtivo provocando um desemprego em massa, reduzindo drasticamente o consumo e, aí sim, teríamos uma situação semelhante à da Grande Depressão.


A intervenção do Estado, portanto, tem um propósito: reequilibrar o sistema, e não, aboli-lo. Até porque, o crescimento dos últimos anos que atingiu os países ricos, mas também os emergentes como o Brasil e a China, ocorreu graças a essa política de crédito farto e de exigências frouxas na concessão de empréstimos que contaminou o sistema financeiro mundial. A bolha explodiu, mas antes, quando ela se inflava, muitos ganharam e enriqueceram. Justamente os que mais ganharam e enriqueceram com o período de prosperidade são os que mais estã o sofrendo agora.


O mundo pós-crise terá mais controle do Estado no sistema financeiro, mas o Estado, para tristeza de muitos, não dirigirá a economia daqui para frente, porque a história já provou que esse modelo não gera riqueza e a única igualdade que produz é a da miséria e a do atraso.


* Artigo escrito para o Correio Lassalista, publicação trimestral de Centro Educacional La Salle, Brasília - DF.

Um comentário:

flávia disse...

Zé,não entendo nadinha de economia,mas que o Neoliberalismo econômico não será mais como antes,eu acredito,e que será mais fiscalizado e regularizado também creio.Essa intervenção do estado na economia pode ser um processo natural.Isso significa que não será o fim do capitalismo e provavelmente nem o fim do neoliberalismo,mas só o tempo dirá.