31 maio, 2009

Eu sou Genserico. Eu sou Odoacro.

Não sou entendido em arte. Desconfio que eu não seja entendido em nada, de fato, relevante. Admiro quem consegue tirar lições, fazer conexões, retirar alguma filosofia des um quadro, de um filme, de uma escultura... Eu não consigo. Sou como Odoacro ou Genserico defronte do Fórum. Sei que o que está na minha frente é grandioso, mas não sei dizer por quê.

O quadro de Matisse e a música de Chopin me dão essa sensação. Será que a senhora está ensinado o pequeno a tocar um noturno? Penso que sim.


26 maio, 2009

Da série: "Vamu ri"

Que os petistas sempre acoitaram canalhas, José Dirceu, Aloizio Mercadante, Lula, Antônio Palocci, José Genoíno e João Paulo Cunha, não nos deixam mentir. Que o PT sempre teve simpatia por terroristas dando aos mesmos uma aura de "guerrilheiros da justiça social", Dilma Roussef, Carlos Minc, José Dirceu e José Genoíno, novamente corroboram nossa afirmação. Agora, acoitar um terrorista islâmico ligado a Al Qaeda e achar isso a coisa mais natural do mundo, comprova que quando a gente acha que um petista chegou no limite da sem-vergonhice, ele sempre dá mais um passo. Deram de acoitar - Lula e Tarso Genro - um alto representante daquele grupinho inocente liderado por Osama Bin Laden.

Como sempre é possível fazer piada, ainda que de gosto duvidoso, publico, abaixo, uma sugestiva foto para tempos em que um terrorista é tratado como criminoso comum. Um acinte!




Quem tem orgulho da raça, racista é.

Se os parlamentares se acovardam diante do barulho da militância estridente. Se a sociedade civil organizada parece se render aos argumentos falaciosos dos racialistas, o artigo 5° da Constituição Federal é eloqüente: todos os brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de raça, credo, gênero ou opção sexual.

Duas decisões judiciais, ambas no Rio de Janeiro, vêm colocar as coisas no seu devido lugar. Leiam:

O TRF-Rio concedeu liminar a 15 candidatos a vagas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que foram reprovados no vestibular por causa do sistema de cotas sociais.

É que a Ufes reserva 40% das carteiras a alunos oriundos de escolas públicas, que tenham renda familiar de até sete salários mínimos. A decisão foi da 5 Turma Especializada e suspende o ato de reprovação dos vestibulandos.

Segundo a desembargadora Vera Lúcia Lima , "é melhor criar bolsas de estudo para que os alunos carentes possam se preparar para o vestibular do que instituir cotas sociais nas universidades públicas, prejudicando estudantes que, por circunstâncias da vida, tiveram oportunidade de estudar em uma instituição de ensino particular

Fonte: aqui


O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro suspendeu, nesta segunda-feira (25), a lei que prevê o sistema de cotas para o ingresso de estudantes carentes nas universidades estaduais. A decisão é do Órgão Especial do TJ do Rio, que concedeu uma liminar ao deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro (PP). Bolsonaro propôs ação direta de inconstitucionalidade contra a lei de autoria da Assembléia Legislativa do Rio.

A Lei estadual 5.346, do ano de 2008, pretende garantir vagas a negros, indígenas, alunos da rede pública de ensino, pessoas portadoras de deficiência, filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Segundo Bolsonaro, no entanto, a lei é discriminatória e não atinge seus objetivos.

O relator do processo, o desembargador Sérgio Cavalieri Filho, votou contra a liminar. O Órgão Especial, no entanto, decidiu, por maioria dos votos, conceder a liminar, suspendendo os efeitos da lei. O mérito da ação ainda será julgado.

Fonte: aqui

Leiam aqui apenas uma mostra do que esse racialismo provocou e deduzam até onde ele pode nos levar.

25 maio, 2009

Banzo...



Outras reminiscências aqui.

19 maio, 2009

Esse meu filho...


Quando eu tinha nove anos li, no livro de "português" da 3a série, um poeminha escrito por Manuel Bandeira chamado Estrela. Os versos simples, melódicos, encantaram-me. Naquela época ainda não havia atentando para a beleza triste desse poema. Encantava-me a atmosfera lúdica em que o poeta, certamente em mais um momento de solidão, solidão tão cara aos poetas, procurava a companhia daquela estrela que sempre aparece no fim da tarde. De pronto, decorei os versos.

Hoje, meu filho Estêvão, com 2 anos completados no último dia 30 de abril, recitou para mim, juro!, a primeira estrofe desse poema. Claro que ele não leu. Ele memorizou os versos. O mais surpreendente é que a última vez que eu li para ele esse poema foi na semana passada.

Eu estava lendo o livro Ouvintes alemães! Discursos contra Hitler, do Thomas Mann, quando ele se aproximou de mim pedindo "o libo da estela, papai" (este que está no canto esquerdo do post). Mostrei o livrinho para ele quando, de repente, da altura dos seus dois anos, ele começou a recitar com sua voz infantil:

Bi uma estela tão alta
Bi uma estela tão fia.

Bi uma estela ludindo
Na minha bida badia.

Abaixo, o poema Estrela, de Manuel Bandeira.

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.


Ai, meu Deus! Que alegria!

14 maio, 2009

A Crise e o fim do capitalismo.*

Está em O Capital a previsão de que o futuro da humanidade, inevitavelmente, seria o socialismo. Ainda hoje, mesmo após a Queda do Muro de Berlim e do colapso do socialismo no início da década de 1990, não é difícil encontrar pessoas que ainda crêem nesse dogma de fé.


É oportuno lembrar que nos idos de 1992, o cientista político norte-americano Francis Fukuyama, já afirmava no seu livro mais polêmico: O Fim da História e o Último Homem que o futuro da humanidade estava justamente na democracia liberal e, claro, no único sistema econômico compatível com esse regime político: o capitalismo.


A razão de iniciar esse artigo fazendo essas lembranças é simples: não foram poucos, no Brasil e em outras terras, os que viram na crise econômica atual a “consumação dos séculos” do credo marxista. “Chegou ao fim a era do neoliberalismo.” Foi uma frase ouvida em diversos idiomas e pronunciada por presidentes, ministros, economistas, jornalistas e intelectuais. Outros, mais afoitos, certamente em transe, divisaram, na crise atual, o romper de uma nova aurora em que o socialismo iria se impor num mundo carcomido pela ganância capitalista. E, no entanto, mais uma vez, e para a sorte da humanidade, essas cassandras às avessas erraram.


A crise financeira atual, certamente a mais grave desde a Crise de 29, não é, como a de 29 não foi, o último suspiro do capitalismo. A crise atual, como a de 29, vai passar por um período de ajuste onde o Estado terá um papel importante, mas não preponderante. Os indolentes, sempre prontos a repetir o que ouvem, mas quase nunca dispostos a folhear alguns livrinhos básicos, apegam-se ao socorro do Estado às instituições financeiras em crise como se isso fosse uma prova cabal do fracasso do sistema liberal-capitalista. Esquecem ou desconhecem – porque não se deve subestimar a ignorância dessas pessoas – que o Estado é chamado a intervir porque a não intervenção agrava os efeitos da crise, punindo o lado mais vulnerável: o dos correntistas. O não-socorro aos bancos certamente provocaria um colapso no sistema de crédito o que afetaria o setor produtivo provocando um desemprego em massa, reduzindo drasticamente o consumo e, aí sim, teríamos uma situação semelhante à da Grande Depressão.


A intervenção do Estado, portanto, tem um propósito: reequilibrar o sistema, e não, aboli-lo. Até porque, o crescimento dos últimos anos que atingiu os países ricos, mas também os emergentes como o Brasil e a China, ocorreu graças a essa política de crédito farto e de exigências frouxas na concessão de empréstimos que contaminou o sistema financeiro mundial. A bolha explodiu, mas antes, quando ela se inflava, muitos ganharam e enriqueceram. Justamente os que mais ganharam e enriqueceram com o período de prosperidade são os que mais estã o sofrendo agora.


O mundo pós-crise terá mais controle do Estado no sistema financeiro, mas o Estado, para tristeza de muitos, não dirigirá a economia daqui para frente, porque a história já provou que esse modelo não gera riqueza e a única igualdade que produz é a da miséria e a do atraso.


* Artigo escrito para o Correio Lassalista, publicação trimestral de Centro Educacional La Salle, Brasília - DF.

12 maio, 2009

Mesmo assim, pelo Sport, tudo!

Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem


A derrota nos pênaltis para o Palmeiras em plena Ilha do Retiro foi dolorosa. Saímos de cabeça erguida? Caímos de pé? Defendemos com brio nossas cores? Perdemos lutando, certo? Perdemos porque afinal, era uma partida em que um dos dois teria que vencer, certo? Bobagem. De que valem palavras de efeito diante da frustração de uma derrota como essa que acabamos de sofrer? O fato: perdemos. Estamos fora da Libertadores. Atribuir a essa derrota um aspecto honroso, é uma vergonha.

Perdemos porque fomos incompetentes para marcar, nas diversas oportunidades que sobejaram na partida, os gols para liquidarmos o jogo. Perdemos porque nossa incompetência foi ainda maior na hora da cobrança dos penais, dando chance para que comentaristas puxa-sacos atribuíssem ao goleiro Marcos qualidades sobrenaturais que, de fato, ele não tem. Nosso ataque ruim, sem pontaria, displiscente, consagraria qualquer guarda-metas, como diriam os lusitanos, mesmo o quase aposentado goleiro Marcos.

Agora os jornalistas de São Paulo e do Rio de Janeiro, em seus diários, blogs e programas de TV podem respirar aliviado. Agora eles poderão com justificada razão afirmar que o Palmeiras, assim como o Cruzeiro, o Grêmio e o São Paulo são o Brasil nas Libertadores. Porque meus caros, o glorioso Sport Club do Recife nunca foi o Brasil nas Libertadores. Éramos e desconfio que sempre seremos no cenário do futebol, representantes de nosso estado, só.

Sim, perdemos. Fomos desclassificados. Mas não fomos derrotados pelo Palmeiras ou, como exageram muitos, pelo goleiro Marcos. Fomos derrotados por nós mesmos.

Mesmo assim, com um nó no gogó, haveremos sempre de dizer: "pelo Sport, tudo!"

03 maio, 2009

"Abortei sem culpa"

(Leia antes, se quiser, o post abaixo)

"Tinha só 16 anos e nem cogitei a possibilidade de ter o filho. A decisão foi tomada só por mim Tanto que só avisei a minha melhor amiga, minha irmã e o meu namorado na época. Para mim é claro: porque acredito realmente que ninguém pode interferir na escolha da mulher. Já que tinha sido uma besteira que eu fiz, eu é que tinha que resolver. Talvez se eu tivesse falado com a minha mãe e meu pai teria sido mais tranquilo.

O primeiro problema foi arrumar R$ 300 para comprar o remédio. Para uma menina de 16 anos, foi necessário um mês para juntar o dinheiro. No dia que eu consegui pegar o remédio, já estava com dois meses e meio. Tive que usar quatro remédios. Senti muita cólica. Foram seis horas de muita dor, mas eu estava tranquila porque já tinha tomado a decisão havia muito tempo.

Mas, ao contrário do que eu já tinha ouvido de outras pessoas, a minha cólica não passou totalmente en nenhum momento. Eu descobri que algo tinha dado errado porque uma semana depois ainda estava sentindo dor, sem quase conseguir sair da cama. Nessa hora eu decidi ir ao hospital. Mandei uma mensagem de texto falando com minha médica que era urgente. Se não tivesse falado com ela, poderia ter morrido. Ela me alertou que era um risco e que poderia ter ficado com sequelas. O tratamento dentro do hospital particular foi ótimo, parecia que era até legalizado. Tomei a decisão certa. Fiquei grávida na mesma época que uma amiga. Hoje, ela tem um filho de 5 anos. Eu não poderia."

Paula*, 22 anos, universitária. (*nome fictício)

Analisemos parágrafo a parágrafo o suposto depoimento acima. Suposto, Zé Paulo? Pois é. Tenho razões para acreditar que a jornalista do Correio não foi totalmente séria nessa matéria. Algumas passagens espicaçaram minha desconfiança, como a que afirma que uma menina, há seis anos, e quando só tinha 16 anos, mandou mensagem de texto para sua médica dizendo que precisava de atendimento de urgência; e a médica; ferindo o código de ética médica para esses casos, nem falou com os pais da paciente menor de idade. Essa parte ficou esquisita. Mas admitamos que o depoimento é verídico. Vamos às minhas impressões.

No primeiro parágrafo a menina demostra uma frieza aterradora. Declarou que nunca cogitou ter o filho, embora se submetesse ao risco tendo relações sexuais sem proteção com o seu namorado. Apesar de só ter 16 anos à época, ela, com uma segurança incompatível com a idade, agiu como uma feminista de longa data, afirmando que como mulher ela tinha o direito de abortar.

A gravidez indesejada, ela admite, foi uma besteira. Abortar, ela conclui, foi um acerto.

No segundo parágrafo de seu depoimento, a ausência de qualquer emoção e afeto em suas palavras chama atenção. Reparem que ela afirma que o "primeiro problema" foi conseguir os trezentos reais para comprar o remédio. Em nenhum momento ela considerou o problema ético de interromper uma gestação que geraria um novo ser humano, o seu filho. Por esse drama, infere-se de seu depoimento, a moça não passou.

Ela declara que precisou juntar dinheiro por um mês para conseguir a medicação abortiva. Um mês sem uma dúvida, um vacilo, um recuo. Trinta dias planejando o assassinato de seu filho. Ela também diz que quando, finalmente, tomou os "remédios" estava com 10 semanas de gravidez. Se ela tivesse feito um exame de ultrassonografia poderia ver e ouvir o coração de seu bebê batendo, mas ela preferiu tomar os remédios.

A dor das cólicas provocada pela medicação, que ela jura ter sentido por mais de seis horas, foi apenas física. Dor moral? Nunca. Afinal, ela admite: "eu estava tranquila porque já tinha tomado a decisão havia muito tempo"

O terceito parágrafo é o mais interessante, e, para mim, o principal motivo de minhas desconfianças quanto à idoneidade do depoimento. Relendo o último parágrafo, tem-se a impressão que foi escrito sob medida para justificar a descriminalização do aborto. Todos os argumentos dos defensores da legalização dessa prática estão nesse parágrafo. Releiam e vejam por vocês mesmos.

Primeiro a menina reconhece que sua tentativa de praticar o aborto com automedicação fora um risco, tanto que depois de uma semana as cólicas continuavam e não restou a ela outra opção que não a de procurar os serviços médicos. De maneira explícita ela diz: "se não tivesse falado com ela [a médica] eu teria morrido." Aqui fica implícito, é claro, o argumento de que se o aborto fosse legalizado, a moça não passaria por esse risco.

Mais adiante, a menina aliviada, talvez sorrindo, declara que "o tratamento no hospital particular foi ótimo. Parecia até que era legalizado." Reparem que depoimento perfeito - até demais, não acham? - para os defensores da descriminalização do aborto. Se os hospitais oferecessem o serviço, as meninas poderiam transar com o namorado da vez, sem compromisso, e se ficassem grávidas iriam ao hospital, fariam o aborto como quem se submete a um tratamento contra verminose e ainda sairiam felizes com a sensação de que, como é mesmo?, fizeram a coisa certa.

Como não sou assinante do Correio, não tenho como reproduzir aqui a matéria deste domingo. Mas recomendo que leiam. Há muito mais detalhes a serem esmiuçados.

Em toda a matéria só há uma pessoa que se posiciona contra a legalização do aborto, o deputado federal Luiz Bassuma, do PT da Bahia, que vem sofrendo, dentro do partido, perseguição por conta de sua "cruzada", é assim que ele define, contra a descriminalização do aborto, como você pode conferir aqui.

Entre as várias opiniões favoráveis à legalização do aborto, há uma que me chamou atenção: a da professora da unB - isso não me espanta - Débora Diniz, que defendeu assim a prática do aborto:

"Há quem sustente a criminalização do aborto como um instrumento de castigo contra as mulheres em nome dos interesses do feto. A Verdade (ela tem a verdade, meu Deus!), é que o aborto impõe um desafio ético único em nosso campo moral - o da duplicidade na unidade. - HÃ? - Se há interesses do feto a serem protegidos, esses devem se subordinar à unidade existente, que é a mulher. A duplicidade na unidade - lá vem ela de novo - nos mostra que não há dois interesses em disputa: apenas os direitos das mulheres face a uma ordem moral que insiste em reduzi-las ao útero".

Todo esse palavrório da professora, esse jeito afetado de falar, quer dizer o seguinte: a mulher deve ter a última, quem sabe a única palavra sobre a decisão de interromper a gravidez. Esse papo de duplicidade na unidade é apenas academicismo bocó e pedante.

Mas quem é a professora Débora Diniz? Clique aqui para saber um pouco sobre ela.

A professora Débora é doutora - encha a boca leitor no doutora, por favor - em antropologia com pós-doutorado - agora incline a cabeça leitor, em reverência, não seja mal-educado - em bioética e está lotada no departamento de Serviço Social da unB, o mesmo em que estão Pedro Demo e Vicente Faleiros, que como a professora Débora, são progressistas que só querem o bem da humanidade. Eu que sou conservador, direitista e neoliberal, só quero a desgraça da raça humana, não é?


"Seja Progressista. Diga sim ao aborto!"

É sempre assim. Todos os anos, na véspera do Dia das Mães, jornais, revistas, programas de rádio e TV, sites, tratam direta ou indiretamente sobre o aborto. Não deixa de ser curioso que esse tema volte sempre nessa época, em que a maternidade é exaltada.

Depoimentos, opiniões de especialistas, gente contra e a favor ( mais a favor, diga-se) pronunciam-se a respeito dessa prática considerada criminosa pelo código penal brasileiro que prevê pena de até três anos para quem faz ou para quem concorre para a prática da interrupção da gravidez. Aliás, tenho curiosidade de saber se quem defende o aborto como um direito da mulher, tem filhos. Das pessoas que eu conheço e que defendem a prática do aborto, seja de maneira desavergonhada ou com algum prurido, nenhuma tem filhos. Talvez o melhor argumento contra essas pessoas sejam receberem a graça, a bênção, o presente de um filho. Mas estou a tergiversar.

Esta semana, a revista Veja entrevistou o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli que apesar de ser pessoalmente contra o aborto, acha que é preciso descriminalizá-lo. Toffoli é do tipo que concorda discordando ou discorda concordando. Ele acredita, assim como as feministas, os progressistas e muitos outros vigaristas que descriminalizando o aborto, as mulheres que morrem porque recorreram a essa prática infame em clínicas clandestinas, ou tentaram por conta própria matar o filho que esperavam, nao morreriam. Assim, essas Medéias afobadas que decidiram matar seus filhos teriam a garantia de que nada de ruim lhes aconteceria na prática do aborto.

É verdade que a legislação brasileira garante à mulher o direito ao aborto quando ela é vítima de estupro ou quando a gravidez põe a vida da mãe em risco. Em breve, aposto, o STF deverá estender esse direito às mães cujos exames comprovem que seu filho apresenta algum defeito côngenito, como os bebês anencefálos.

Eu sou contra o aborto. Admito, porém, o quanto deve ser difícil para uma mulher desenvolver afeto ou amor de mãe por um filho gerado num ato de violência. Da mesma forma, imagino como deve ser doloroso para uma mulher que espera ansiosa a chegada de seu filho, saber que seu bebê apresenta malformação que o incapacita para a vida. De igual modo, o dilema de um pai que se vê na obrigação de decidir junto com a sua mulher entre a vida de seu filho e a vida da mãe da criança, é certamente desesperador. Falo isso, porque sempre julguei que a decisão de se interromper a gravidez em casos como os citados acima, deve ser sempre acompanhada de muita dor, sofrimento e, certamente, um eterno sentimento de culpa pela decisão tomada. Por isso, espanta-me que haja pessoas que falem do aborto como se tivessem falando de uma dor de dente, de estâmago ou algo de somenos.

A edição deste domingo do Correio Braziliense, no caderno Cidades, traz uma matéria intrigante sobre a prática abortiva no Distrito Federal. A primeira revelação é assustadora. Mais da metade das jovens entre 14 e 19 anos que tiveram diagnosticada sua gravidez nos hospitais públicos do DF não levaram a gestação a termo, isto é, as crianças não nasceram. Admite-se que boa parte dessas crianças foram abortadas em clínicas clandestinas ou acabaram sendo mortas pela ingestão de medicamentos abortivos, como o famoso Cytotec (medicamento para o tratamento de úlcera, mas eficaz para se matar um feto).

A segunda revelação é a maneira como as mulheres, cujos nomes na matéria são fictícios, falaram do aborto. É estarrecedor como suas palavras são frias, desprovidas de emoção. Imagino que algumas delas, se pudessem, andariam com uma blusa branca dizendo: "abortei sem culpa" ou "abortei porque não posso ser mãe".

No próximo post vocês poderão ler um desses depoimentos em vermelho com comentários meus em azul.

01 maio, 2009

Primeiro de Maio e o fim da greve do Sinpro.

Primeiro de maio, dia do trabalhador. Festas, sorteios e discursos. Hoje é o dia em que sindicalistas que vivem do trabalho de gente que de fato trabalha, deitam falação contra o sistema capitalista, o neoliberalismo, os patrões, as patroas, sobra até para o aquecimento global. Militantes, travestidos de trabalhadores, põem uma camisa vermelha, empunham bandeiras, dançam, cantam, festejam, participam da pantomima todos os anos. E só participam porque são atraídos pelos shows de artistas que são, rigorosamente, pagos pelo maldito sistema que seus líderes, ao menos nos discursos, tanto deploram.

Ricardo Berzoini, na festa da CUT, no melhor estilo petista, declarou que empresário que demite sem necessidade é ladrão. Essa é uma parvoíce sem tamanho. Eu perguntaria ao presidente do PT como a gente chama quem pega dinheiro público para comprar deputados ou pagar campanhas políticas. Acho que ele, mais do que ninguém, conhece a resposta.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, prestigiou a festa da Força Sindical, braço sindicalista do PDT assim como a CUT é do PT. O ministro também falou da crise e com seu sotaque cheios de "erres" fez declarações bem ao estigo Jango.:“A hora não é de demitir. A hora é de acreditar no Brasil (...) Essa crise não foi criada pelo trabalhador. É fruto do egoísmo do sistema financeiro”, disse.

Como diria Macunaíma: "ai, que preguiça!"


Aqui no DF, o Sinpro, sindicato dos professores da rede pública, decidiu, no último dia 28 de abril, encerrar a greve que já durava três semanas. Em seu site, o Sinpro publicou uma nota explicando as razões que levaram a um acordo com o governo, exaltando, mesmo sem ter conseguido nada do que reivindicava, a vitória da mobilização. Lendo a nota é possível, no entanto, afirmar que o Sinpro foi derrotado, não pelo governo, mas pela opinião pública cansada da retórica de gente que vive dizendo que defende a educação mas que trabalha sem cessar contra ela. A opinião pública que rejeitou a greve cansou, Sinpro. Ainda bem. Leiam a nota, volto depois.

A assembleia geral dos professores, realizada na manhã da terça-feira, dia 28, aprovou a suspensão do movimento grevista e decidiu aceitar a proposta feita pelo GDF. A grande preocupação da categoria é a forma de recomposição do calendário escolar e o pagamento dos dias parados. Por isso o Sinpro quer garantir a formação o quanto antes da comissão formada pela Secretaria de Educação, UnB, Sinpro, OAB e representante da Câmara Legislativa, que terá como tarefa definir como se dará a reposição.

Desde o final do ano passado, quando iniciamos nossa campanha pelo cumprimento da lei, o GDF atacou a categoria de forma truculenta, com ameaças, utilizando a imprensa para desqualificar nosso movimento, já decidido a dar o calote na categoria.Tentou manipular a opinião pública com informações falsas, tentaram nos dividir e disseram que a proposta, depois da crise econômica, era zero de reajuste.

Não nos intimidamos, resistimos, nos organizamos, fizemos uma greve com garra e combatividade e arrancamos uma proposta, apesar da intransigência do governador. Essa não é a proposta ideal, pois na verdade o que queríamos era o cumprimento da lei. Mas acreditamos que diante da conjuntura econômica de crise, só conseguimos esse avanço pela força e mobilização daqueles que foram à greve e que estiveram na luta. Esta vitória, portanto, deve ser dedicada àqueles não se intimidaram, que colocaram seus interesses de classe acima de interesses pessoais, que estavam na porta das escolas fazendo piquetes de convencimento, que acreditaram que somente a luta nos garante conquistas.

Valeu o empenho, a dedicação e a coragem, atributos de pessoas dignas, que não temem ameaças, que fazem e mudam a história, construindo a consciência e a cidadania, ensinando a liberdade e o respeito aos direitos dos cidadãos. Valeu, companheiros!

Atenção para o que foi acordado com o GDF:

- Reajuste salarial de 5% no mês de maio
- Pagamento do retroativo de março e abril em 6 parcelas a começar também em maio
- Avaliação da Receita Tributária em julho e novembro. Caso o governo tenha uma receita superior a 5%, a diferença será repassada para o salário dos professores com o compromisso do pagamento dos 15,31% em parcelas até março de 2010.
- Caso não haja o crescimento da Receita, o GDF se compromete a pagar o restante da dívida de 15,31% em março de 2010 junto com o reajuste do Fundo Constitucional do DF de 2010, descontado o valor da progressão por merecimento de 2009
- Pagamento dos dias parados a partir da recomposição do Calendário Escolar de 2009


Lembro que na famosa discussão que me envolvi na sala dos professores da escola privada em que trabalho, ouvi de um colega que o governador não teria saída a não ser atender as reivindicações. Ponderei que jamais o governo daria o aumento pretendido pelo sindicato por uma razão simples: não havia dinheiro em caixa. Argumento que, agora, o próprio Sinpro reconhece como plausível.

Mas a discussão acabou se inflamando quando disse que profesor da fundação não trabalha e ainda quer aumento. Foi uma provocação, é claro, mas se a generalização é falsa, a afirmação é bastante verdadeira para um número significativo de professores da fundação educacional do Distrito Federal.

No post que fiz sobre a discussão, escrevi que parando 10 ou 100 dias, os professores iriam garantir o pagamento dos dias parados e que a reposição das aulas, uma obrigação legal, seria feita da forma que quem já foi aluno de escola pública sabe muito bem como funciona. Se muitas vezes as aulas na rede pública são um engodo, que dirá das reposições, hein?

A população não foi manipulada como faz sugerir a nota do Sinpro. A população não aguenta mais movimentos grevistas de profissionais que pensam em suas regalias, seus privilégios, tudo pago com os impostos de cidadãos que nem de longe desfrutam de tais benesses.

A nota também exalta a participação de alguns professores que fizeram piquete - baderna totalitária que impede o professor contrário a greve de trabalhar e o aluno de ter aula.

O movimento foi um fracasso total! Claro que as duas semanas de férias serão abonadas, como sempre.