26 abril, 2009

Reinaldo Gonçalves joga búzios e prevê o fim de uma era.

CH: A crise é realmente um duro golpe no modelo capitalista ou pelo menos no que se costuma chamar de liberalismo?


Sem dúvida alguma. A questão central dessa cri­se é que ela revela duas enormes deficiências hoje: a instabilidade intrínseca do capitalismo, um sistema. baseado no acúmulo de capital e movido pela gera­ção de lucro, e a fragilidade provocada pelo libera­lismo, que guiou as privatizações e a desregulamen­tação do sistema financeiro. Esta crise, assim como as anteriores, mostra que o liberalismo torna o capi­talismo ainda mais instável e perverso, com efeitos mais nefastos.


O professor não tem dúvida que o modelo capitalista foi duramente golpeado pela atual crise. Que seu Jeremias da venda afirme isso, tudo bem. Mas um acadêmico, cujo trabalho é ler, ensinar e pesquisar afirmar o que vai acima dá conta da mediocridade que tomou conta de boa parte dos professores universitários do país. Se a Crise de 29 muito mais drástica não foi capaz de acabar com o capitalismo, por que esta, que já está sendo superada, alcançaria tal intento?


A resposta do acadêmico é uma miscelânea de submarxismo chinfrim e palavras de ordem que na boca de um militante são perdoáveis, mas na de um intelectual deploráveis. O problema é que o professor Reinaldo Gonçalves nunca deixou de ser um militante e isso afeta sua análise científica da crise. Como posso provar isso? Clique aqui e assista a uma modorrenta e tosca entrevista que o ilustre acadêmico concedeu à TV Socialismo e Liberdade em 2008 sobre o mesmo assunto.


Todo esquerdopata tem horror ao mercado, ao livre-comércio e à iniciativa privada. como, e falo aqui especificamente das privatizações no Brasil, um esquerdopata não pode negar que os setores privatizados trouxeram benefícios para os brasileiros eles partem para a cínica peroração de que as empresas estatais foram vendidas a preço de banana. Outra grande mentira, mas eles sempre contam com a preguiça e a ignorância de seus ouvintes ou leitores. Também contam, e aqui um dado triste, com a inocência e com a excessiva credulidade dos alunos universitários que desde a mais tenra idade foram vítimas de abuso intelectual provocado pelo esquerdismo bocó que deplora o capitalismo, que vê o lucro como a encarnação do mal e que simpatiza com movimentos que se dizem sociais, mas que na verdade não passam de organizações criminosas que quando não estão se assenhoreando do dinheiro público, estão invadindo propriedades. Tudo em nome é claro, da justiça social.


O mundo nunca conheceu um período de tão rápido crescimento econômico como o vivido nos últimos anos. Qual a causa disso? O aumento do livre comércio, a diminuição das barreiras comerciais, a grande liquidez do sistema financeiro. Aspectos que o acadêmico deplora e deturpa. Pior: afirma que esses aspectos foram os causadores da crise.


CH: Mas o capitalismo sem o liberalismo funciona?


Não, o ser humano ainda tem que inventar um sis­tema que seja menos perverso, mais eficaz, com me­nos custo para a humanidade. O capitalismo mostra o lado irracional da nossa espécie e, em algum mo­mento, terá que ser substituído por um sistema eco­nômico que funcione a favor das pessoas e não con­tra elas.


A resposta a essa pergunta é uma maravilha porque desmascara a fanfarronice do professor Reinaldo Gonçalves. Ele diz que o ser humano precisa inventar um sistema menos perverso, mais eficaz, com menos custo para a humanidade. É mesmo? E como seria esse sistema? Estou ansioso por conhecê-lo. Quais seriam suas diretrizes? O professor explica:


(...) criar economias mistas, onde se tem um pla­nejamento forte e uma intervenção do Estado con­trolando diretamente setores estratégicos da econo­mia, como o financeiro, de saúde, educação e infra­estrutura. Nesses casos, se o Estado não for o único produtor, ele deve ser o dominante.”


Esse tipo de sistema é novo, professor? Nem a China, que a ignorância atribui um modelo moderno de socialismo quando não passa de um capitalismo manco porque controlado politicamente pelo governo, mas que mesmo assim é responsável pelo vigoroso crescimento chinês dos últimos 15 anos, teve a coragem de implantar, depois das reformas de Xioaping, esse tipo de controle que o professor apregoa.


Onde o estado domina, seja na economia ou em qualquer outra área o que vemos é corrupção, ineficiência e atraso tecnológico. Isso é fato, não é ideologia. Era de economistas assim que o presidente Lula se cercava antes de chegar à presidência. Para a nossa sorte, uma vez no poder, Lula deu um chute no traseiro desses idiotas que com suas idéias humanistas nos levariam rapidamente à bancarrota.


Assim como Lênin já dizia em 1917, santo Deus! O nosso economista acredita que quanto mais estado, melhor. Vejam mais essa afirmação:

Temos que voltar a um aparato regulatório bastante significati­vo nesses mercados. Temos que retomar o planeja­mento de forma a canalizar o excedente econômico para propósitos sociais evidentes e sinalizar as tra­jetórias a serem percorridas pelo setor privado. A segunda perna desse modelo seria o poder público ter intervenção direta nas áreas em que o processo de acumulação não pode seguir a lógica do capital privado.


Lendo assim sem refletir, apenas desejando que tudo que ele verbaliza aconteça, a idéia é até simpática. Mas na prática ela é impossível, pior: é um embuste. O setor privado dinamiza a sociedade, gera emprego, receita para o Estado. Onde a iniciativa privada é forte, a população é rica. Mostre-me um país, onde o estado tenha o controle econômico, que gerou riqueza e avanços tecnológicos? Não percam seu tempo procurando, não existe, não existiu, nem existirá. Que o estado deve atuar nas áreas pouco atrativas para o setor privado é um axioma do liberalismo clássico. Afinal, o estado existe para suprir, com investimentos, as necessidades de uma região que não desperte o interesse do capital privado. Onde o retorno é certo, ou seja, onde o lucro é atraente, o estado deve deixar nas mãos da iniciativa privada. Isso é mais eficiente e economicamente mais vantajoso para todo mundo.





Um comentário:

Ricardo Rayol disse...

a unica coisa que percebo é que o liberalismo falhou miseravelmente. Muito utopico e pouco pratico considerando que nçao combateram a ganância financeira