05 abril, 2009

A pergunta que não quer calar.


Ainda é possível ler nesta página um post onde comento sobre os problemas que a política de cotas para o ingresso nas universidades públicas podem causar ao país. Ainda que as chamadas "cotas sociais" - para alunos pobres e de escolas públicas - tenham mais aceitação que as "cotas raciais", que beneficia apenas candidatos que se declaram negros, a verdade é que qualquer sistema de cotas privilegia a mediocridade.

Esta semana, a revista Época traz em sua matéria de capa uma reportagem sobre as cotas. A essência da matéria não é muito diferente daquilo que escrevi há dias no post sobre esse tema. Contudo, há alguns detalhes interessantes que devem ser lidos. Como não sou assinante, não tenho acesso à revista na internet, por isso, fui auma banca para comprá-la. Quero destacar alguns pontos da reportagem que me chamaram atenção. Confiram abaixo.

Funcionário da Petrobras, o carioca Thiago Lugão, de 24 anos, é formado em engenharia de produção no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet). Em 2002, ele foi classificado em 14º lugar no vestibular da Universidade do Norte Fluminense (Uenf), que tinha 20 vagas para o curso de engenharia de exploração e prospecção de petróleo. Lugão tirou 14,20 na prova de física, que valia 20. Ainda assim, viu concorrentes que tiraram 0,25 conseguir a vaga na sua frente, porque se declararam negros. Lugão foi um dos primeiros estudantes que fizeram vestibular na Uenf sob o regime das cotas raciais. “O sistema de cotas raciais é injusto. A cor da pele não quer dizer nada”, afirma. “Você não pode dar privilégio a alguém por causa da cor da pele. Meu avô era negro, e eu poderia me declarar pardo, até porque é difícil um brasileiro não ser pardo.” Lugão estudou no Colégio Santo Agostinho, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Convencido de que sofrera uma injustiça, recorreu aos tribunais. No ano passado, cinco anos depois, a Justiça decidiu que ele tinha razão. Mas Lugão já estava formado em outra universidade e pós-graduado. Hoje, ganha menos da metade que colegas formados no curso que ele queria.

Lugão é um personagem típico da história recente do sistema de cotas raciais, implantado nas universidades estaduais do Rio de Janeiro e da Bahia. Em tese, elas surgiram como uma tentativa de corrigir uma injustiça histórica – o desfavorecimento a negros e índios –, em meio a um sistema de educação pública de má qualidade. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar, ainda neste mês, um projeto que propõe expandir esse sistema e criar reservas de vagas com critérios raciais e socioeconômicos nas universidades federais. Discutida como uma questão educacional, a instituição das cotas esconde seu real alcance para o país. Não se trata apenas de reparar injustiças contra estudantes negros ou índios. Se for aprovado na comissão e no plenário do Senado, o projeto criará a primeira lei racial do Brasil em 120 anos de história republicana. “A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli – ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”

Voltei.

A matéria traz uma informação curiosa. Afirma que nas universidades públicas do estado do Rio de Janeiro, vem diminuindo a procura de candidatos pelo sistema de cotas. A explicação, segundo especialistas ouvidos pela reportagem é que o brasileiro não tem identidade racial e muitos não querem iniciar um curso superior com o estigma de cotista.

A matéria também lembra que a pressão que o Estado vem sofrendo nos últimos anos pela ampliação do sistema de cotas nada tem a ver com uma demanda da sociedade, como fazem crer a maioria dos movimentos sociais que defendem o sistema de cotas raciais. Tanto que a maioria da população, quando questionada sobre o sistema, afima que cotas sociais são mais justas que as raciais. Boa parte das Ongs que defendem o interesse dos "negros", como a Educafro, são taxativas em se contrapor às cotas sociais. Seu líder, frei David, afirma com todas as letras que os beneficiados devem ser aqueles que sempre lutaram pelo sistema, ou seja, os movimentos sociais dos "negros". A declaração dá bem o tom do que se transformou esse imbrógilo: a disputa é política e ideológica.

Finalmente, como bem lembra o professor da USP Demétrio Magnoli, se a lei for aprovada podemos criar, em 120 anos de república, a PRIMEIRA LEI RACIAL DO BRASIL.

PS: Já recomendei várias vezes, mas não custa repetir. Leiam o livro NÃO SOMOS RACISTAS, de Ali Kamel, um estudo bem fundamentado sobre os equívocos, mas sobretudo, sobre os perigos que o sistema de cotas raciais podem trazer para a nossa sociedade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Essas cotas so vão causar cada vez mais desavensas entre os negros e os brancos, o preconceito só irá aumentar, e mais problemas irao surgir!