26 abril, 2009

Economista da UFRJ receita protecionismo para enfrentar a crise.

Professor Reinaldo Gonçalves, original como uma cédula de três reais, tem uma proposta muito curiosa sobre como os governos devem proceder nesse momento de crise: criar barreiras alfandegárias. Isto mesmo que você leu. Para o douto economista os governos devem adotar medidas protecionistas para retirar a economia do atoleiro.

Eu preciso lembrar – eu que não passo de um vira-lata – a este ilustre professor que foi justamente medidas protecionistas que na Grande Depressão agravaram ainda mais os efeitos daquela crise? Acaso o economista ignora os efeitos terríveis da Tarifa Smoot-Hawley para o comércio mundial? Se ignora tal dado, tenho dó de seus alunos da UFRJ.

Se existe algo que o governo pode fazer para piorar os efeitos de uma crise econômica como a atual é uma política protecionista. De economistas renomados a autoridades políticas de peso como o primeiro-ministro da Inglaterra Gordon Brown ou mesmo o presidente Lula, todos estão de acordo que os governos mais ricos não podem cair na tentação protecionista.

Nosso professor, ao contrário, tem outra receita. Acompanhe:


"Um dos efeitos da crise econômica é aumentar o protecionismo, é a situação do ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’. O país não consegue vender para si pró¬prio, então tenta o mercado externo, ao mesmo tem¬po em que procura impedir que outros vendam para ele. Isso é perfeitamente natural, sempre aconteceu e vai continuar. A Argentina está se protegendo, mas o Brasil, infelizmente, não, devido a erros e equívo¬cos do governo [do presidente Luís Inácio] Lula [da Silva]. Os norte-americanos fazem muito bem em se proteger, porque assim compram mercadorias dentro de seu país. Com isso, geram mais rapidamente ren¬da e emprego e recolocam a locomotiva nos trilhos de maneira mais rápida do que conseguiriam sem o protecionismo. Quando sua economia se recupera, ela puxa as outras, fazendo o trem andar de novo. Ou seja, o protecionismo é um guindaste auxiliar para a economia norte-americana e deve ser usado, sim, por ela e por todos. Tolos e medíocres são os governantes que não fazem isso em uma situação de crise como a que estamos vivendo."


Que em toda crise econômica os governos são pressionados a tomar medidas protecionistas, é fato. Mas sempre que isso acontece, os que perdem superam, e muito, os que ganham com tais medidas. A resposta acima comprova que o professor ignora a tragédia comercial que foi a adoção de medidas protecionistas durante a Grande Depressão. Mesmo com este exemplo notório de fracasso, o economista afirma que os países deveriam se proteger criando barreiras comerciais. Parafraseando Roberto Campos eu diria que um economista de esquerda tem sempre uma surpreendente vocação para o fracasso.

Como todo homem de esquerda, o professor Reinaldo Gonçalves sempre projeta um futuro idílico. Um esquerdista autêntico, mesmo desiludido como está o professor, no fundo, acredita que inevitavelmente chegaremos a um modelo perfeito, do tipo que respeita o ser humano, a natureza e onde todos serão felizes.

Quando, por exemplo, os defensores do socialismo são confrontados com os resultados catastróficos de seu sistema seja na economia, seja nos cadáveres que produziu em nome da “justiça”, como eles reagem? Afirmam que o socialismo verdadeiro ainda não aconteceu.

Provocado pelo repórter se haveria um lição a ser aprendida com essa crise, ele responde em tom de enfado:

"Não tenho virtudes teologais: nem fé, nem esperança, nem caridade. Por isso, não acredito na sensatez do ser humano. Pode ser que depois de muitos, muitos e muitos anos de crise no capitalismo central, com reflexo na periferia, haja um redirecionamento no sentido de mudanças profundas nesse sistema. Con¬tudo, as medidas anunciadas pelo governo Obama não apontam na direção de mudanças profundas. Acho que ele não tem vontade política ou capacida¬de, não apenas pessoal, mas do ponto de vista da correlação de forças nos Estados Unidos. Lá, os con¬servadores ainda têm muita força e podem inibir alterações mais significativas. Se ocorrerem mudanças, elas mais provavelmente acontecerão na Europa ocidental."


Apesar de não ter “virtudes teologais” ele responde como um exegeta da seita marxista. Como um digno representante da escatologia da esquerda, ela projeta para um futuro incerto o advento de um sistema que substitua tudo o que está aí. Como Marx, ele prevê que as contradições do sistema capitalista vão provocar o seu fim e então um novo sistema, mais humano, mais preocupado com as pessoas, vai se impor. Ele não chega a propor ,como o seu guru do século XIX afirmava ser imperioso, uma revolução do proletariado, mas a escatologia é a mesma.

Sabe por que os comunistas, onde quer que tenham chegado ao poder, aboliram a religião? Porque não admitiam concorrência no mercado da fé. (hehehehhe)

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