06 abril, 2009

Cristovam não está no seu normal.

Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado Cristo? (...) Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! Repicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos!

Mateus (27: 17 - 22)

Segundo o blog do Noblat, o senador Cristovam Buarque fez nesta tarde um pronunciamento polêmico. Diante das críticas que o parlamento brasileiro vem sofrendo da sociedade, o senador sugere que talvez estivesse na hora da população, através de um plebiscito, decidir se mantém o congresso aberto. O senador explica que se o fechamento do congresso fosse aprovado em plebiscito, não seria golpe. Meu Deus!

Sempre tive admiração pelo professor Cristovam Buarque. Talvez pouca gente saiba, mas ele escreveu diversos livros dos quais já li quase todos. No meu curso de história, em Recife, ele sempre foi um referencial ético para mim. Quando vim para Brasília tive a satisfação de morar numa quadra onde ele tinha um escritório e algumas vezes fizemos um lanche na Torteria de Lorenzo da 213 norte. Sempre afável e atencioso, o professor Cristovam falava e ouvia com paciência. Depois que me mudei dessa quadra, não nos encontramos mais.

Em julho de 2006, com muita gentileza, o professor Cristovam respondeu para este blog algumas perguntas sobre sua candidatura a presidente e suas propostas para o país (confira aqui). Enfim, sempre tive um grande respeito e admiração pelo senador Cristovam Buarque.

Infelizmente, nos últimos meses, o senador vem se esmerando em fazer propostas esdrúxulas. Primeiro, elaborou um projeto de lei que obriga os políticos que ocupam cargos eletivos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Segundo o senador, sofrendo na pele o descaso da educação, os políticos vão se sensiblizar e resolver de uma vez por todas os males de nossa escola pública.

Na semana que passou, sugeriu que os imigrantes brasileiros possam eleger deputados para a câmara, aumentando o número de parlamentares numa casa que anda, já há muito tempo, em baixa, na opinião pública. Agora, essa de plebiscito para fechar o congresso.

A mente do senador deve estar confusa. No mesmo discurso, em que ele brinca com o perigo, afirma que faria campanha contra o fechamento do congresso. Ora, se ele é contra, por que propor, ainda que hipoteticamente, um plebiscito dessa natureza? Ou ele apoia a ideia ou é contra ela. Não dá para ser contra e ao mesmo tempo criar condições políticas para que ela triunfe.

Não seria mais fácil, senador, corrigir e punir os desvios? Se existe um poder cioso de sua liberdade, é o poder legislativo. Não caia na esparrela de acreditar que o povo, as massas possam ter sempre a melhor saída. Não têm. Foram as massas que deram, por exemplo, força política a regimes totalitários no século XX. As massas, como comprova o exemplo bíblico, são persuadidas pelos maus, nunca pelos bons. É isso, senador.






2 comentários:

Lelec disse...

Oi Zé,

Essa do Buarque foi completamente louca. Não deu para entender. Logo ele, que tem algumas boas idéias sobre educação.

Mudando de assunto: deixei um meme para você no Terceira Margem. Espero que você aceite o desafio e escreva sobre o meme aqui.

Abraço,

Lelec

Victor disse...

A primeira e a última proposta são provocações.

O congresso não dá a menor bola para o principal objetivo da candidatura do senador Cristovam (e para mais nada que não seja lobby, corrupção, eleição, benefícios ...).

O momento pelo qual o congresso está passando demanda certas rupturas internas para agitar um pouco o cenário, creio que foi essa a intenção do senador. Em meio às torrentes de escândalos, ele decidiu "radicalizar" com esta última, para despertar o dragão. Desespero, ironia, vaidade? Essa resposta talvez fique pra você, que já conheceu pessoalmente o senador e poderia imaginar mais neste campo.

E quanto à segunda, acho muito importante esta proposta. Muitos brasileiros estão lá fora porque não encontraram no Brasil o ambiente ideal para se desenvolverem. Se puderem exercer a cidadania também, acho que isso pode ser um reforço eleitoral, pois muitas vezes o distanciamento pode trazer uma visão privilegiada de um problema [notadamente quando ele é estrutural, já que os conjunturais exigem certa presença nos acontecimentos recentes]. Como a democracia [e tudo o que ela implica, como transparência, representatividade de interesses, ...] é o que precisamos melhorar mais no país, acho que seria uma boa idéia.