30 março, 2009

Eu, neoliberal? Não! Sou Liberal!


Eu estava em Campos do Jordão, num encontro das escolas doroteanas da província sul, quando, lá pelas tantas, duas vozes se levantaram contra a "sociedade neoliberal". Um professor e uma professora, universitários, como a esconjurar o demônio, disseram que os valores "neoliberais" eram a causa das desgraças na educação do país e em outros campos. Senti vontade de reagir, de polemizar, mas a conjuntura política daquele encontro não era favorável para pelejas daquela natureza. Além do mais, quando nossas opiniões têm mais chances de provocar calor do que luz, é sábio silenciar. Foi o que fiz. Mas Deus sabe o quanto me custou.

Defender o liberalismo econômico hoje é como ser uma voz que clama no deserto. Não obstante, a riqueza mundial dos últimos 15 anos ter sido provocada pelo crescimento do livre comércio; da China com a sua "economia social de mercado" ter retirado da pobreza cerca de 600 milhões de pessoas; do estrondoso sucesso das privatizações no Brasil, caso das telecomunicações, da CSN e da Vale; é bastante comum, infelizmente, os alunos serem ensinados em sala de aula que as privatizações foram um erro motivado por interesses escusos e que o liberalismo - batizado pelos progressistas do ensino, de neoliberalismo - são as causas das desigualdades no Brasil e no mundo e, finalmente, que a Globalização só beneficia os países ricos.

É justamente para refutar essas bobagens ensinadas aos adolescentes como verdades auto-evidentes, que o livro Neoliberal, Não. Liberal, do jornalista econômico Carlos Alberto Sardenberg é uma poderosa arma. Nele, o leitor médio, sem conhecimento técnico de teorias e/ou operações financeiras - como o autor deste blog - pode entender sem dificuldade a tese do livro que é ressaltar a eficiência dos valores liberais na produção de riqueza e na redução da pobreza no mundo. Há passagens memoráveis no livro, como a crítica à teoria da Mais Valia, de Karl Marx e a forma pragmática que a China encontrou para seu espetacular crescimento econômico, aderindo, como se sabe, ao capitalismo, batizado na China de "Economia Socialista de Mercado", um exemplo notório da Newspeak do George Orwell, no livro 1984.

Sem meias-palavras, o autor faz duras críticas à ideologização na condução das políticas públicas e nas medidas econômicas, como fator de atraso econômico do país. Lembra, com desassombro, como o PT e o presidente Lula, para a sorte de nossa economia, tiveram que abrir mão de seus históricos postulados socialistas, sofrendo, no governo, um choque de realidade. Contudo, a visão estatista presente no partido, mas não só nele, diga-se, vem atravancando reformas que poderiam trazer para o Brasil mudanças positivas, como um crescimento mais robusto e consistente.

Em época de crise financeira, parece inadequado defender as ideias liberais. Ano passado, no início da crise, não foram poucas as vozes que preconizaram o fim do capitalismo e do neoliberalismo. O livro, na contramão da metafísica influente, esclarece que foi na onda das medidas liberais, do início dos anos 90 do século passado, como o aumento do livre-comércio e a participação cada vez menor do estado na economia, que o mundo viveu sua época mais próspera. O resto é ideologia barata!



Como disse aos meus alunos em sala de aula, leiam o livro ainda que a priori você não concorde com os pressupostos do liberalismo. A leitura vai ajudá-los a entender melhor esse sistema econômico e ainda traz a virtude de esclarecer com números e dados, as mudanças que ocorream no Brasil nos últimos 15 anos.


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