11 fevereiro, 2009

Violência é culpa das escolas privadas, diz especialista da Unb.

Do site da Unb


10/ 02/ 2009 - VIOLÊNCIA

Falta diálogo de escola
particular com alunos

Briga entre adolescentes de classe média deixou Brasília em alerta. Especialista da UnB afirma que colégios omitem o tema 'violência'

Kennia Rodrigues
Da Secretaria de Comunicação da UnB

O professor do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília, Vicente Faleiros, responsabiliza as escolas particulares pela cena de violência ocorrida no último fim de semana no Parque da Cidade. Em sua opinião, os estabelecimentos de ensino privado não debatem o problema em sala de aula, o que colabora para os casos de agressividade.

“A rede privada de ensino escamoteia essa realidade, tem um tipo de cegueira para discutir o problema. Mas ela precisa abrir a conversa com os adolescentes sobre a problemática”, afirma o especialista em violência contra a criança e o adolescente. A omissão, diz, está relacionada à lógica de mercado dos estabelecimentos privados que se preocupam em conquistar cada vez mais clientelas.

Para alcançarem esses objetivos, declara Faleiros, elas tentam vender imagem de harmonia e paz às famílias.“Se eles apresentarem qualquer sinal de violência, os pais podem recusar em matricular seus filhos. Por isso elas resolvem os problemas escondendo ou expulsando os meninos quando praticam algum ato considerado violento”, analisa.

Por outro lado, afirma o professor, as escolas públicas estão mais abertas ao tipo de discussão, embora sejam palco de atos violentos de adolescentes. "É preciso impor limites. Eles estão no momento de construção da identidade e a escola tem que dar uma atenção especial para essa fase da vida", diz.

A professora do Departamento de Psicologia Escolar da UnB Ângela Maria Uchoa Branco concorda que o debate sobre a cultura da paz é relegado a segundo plano, mas não só nas escolas: a falta de diálogo atinge as famílias e é reforçado com a espetacularização da violência na imprensa. “Existe uma lacuna muito grande na formação das crianças e dos adolescentes no que diz respeito ao desenvolvimento da moral, da ética e da cidadania”, afirma Ângela.

A escola, lamenta, não se organiza de forma efetiva para difundir esses valores. “Nada disso é previsto no currículo”, critica a professora. Para ela, existe ainda um círculo vicioso de responsabilizar culpas entre pais e escolas. “A escola acha que os pais que têm que cuidar, por outro lado, os pais acham que a escola é que tem que cuidar porque estão pagando caro”, ressalta.

MORAL – Luciana Nunes é coordenadora pedagógica de um colégio particular que, segundo a Polícia Militar, teve alunos envolvidos na briga de sábado. Ela atribui a violência entre estudantes à inconseqüência típica da idade. “Alguns adolescentes não sabem nem o motivo da briga. Questionam simplesmente a maneira como o colega olha e já quer tirar satisfação. Querem se auto-afirmar, mostrar que são bons”, afirma a pedagoga.

Ela diz que, se existe alunos da escola envolvidos na briga de sábado, provavelmente estudavam em outros colégios. “A gente cobra muito dos nossos estudantes, trabalhamos com valores em diversas atividades durante todo o ano. Além disso, o ensino religioso é incluído em todas as séries”, afirma.

A reportagem da UnB Agência procurou o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal para saber se as escolas privadas incluem em seus projetos pedagógicos o ensino de valores morais e éticos, mas não obteve resposta

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