20 fevereiro, 2009

Recife mandou me chamar... 1


Quando me dei por gente em Recife vivi uma fase em que o Axé Music era uma febre. Os trios e os grupos baianos faziam um estrondoso sucesso comercial pelo país. As letras erotizadas e a coreografia dos grupos que simulavam relações sexuais caíam no gosto das massas e da elite e invadiam programas de auditório e até programas infatis. Muitos pais viam com graça sua filhas de 4 ou 5 anos dançarem na boquinha da garrafa do grupo É O TCHAN que projetou as curvas de Carla Perez, Sheila Carvalho e Sheila Melo.

falava-se à época que o frevo era uma música velha, ultrapassada e que não mais seduzia os jovens que preferiam o erotismo do axé ao ritmo frenético, mas nostálgico do frevo. Quem é de Pernambuco sabe o que sente quando escuta os primeiros acordes de Vassourinhas, um sucesso de mais de 60 anos! E aqui está a primeira grande diferença, para o bem ou para o mal, entre o frevo e o axé. Os frevos talvez não rendam hoje dinheiro para artistas e gravadoras, mas ficam na memória do folião e torna-se um elemento de identidade regional. O axé, pelo sucesso que fez e ainda faz, traz retorno financeiro, mas alguém lembra do grande último sucesso do axé? lembra a letra da Dança da Rodinha de Sarajane?

Se hoje o frevo se regionalizou, isto é, ficou cada vez mais restrito a Pernambuco e mais precisamente à folia momesca, nem sempre foi assim. Nas décadas de 30, 40 e 50, mas também em 60 e 70, o frevo influenciou muitos artistas brasileiros de peso, como Tom Jobim, Chico Buarque, Vinicius de Moraes e baianos como Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Leiam esse trecho abaixo:

"O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas Ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a munir de guitarras seu Frevo Rasgado em plena erupção tropicalista.
A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira/Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 1980.
Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antônio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano."

Ouçam um pouco de três frevos que fazem as ruas do Recife ferverem!

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