14 fevereiro, 2009

Paula Oliveira, por quê? Ou: pedido de desculpas.

Quando assiti pela TV a notícia de que uma brasileira fora vítima de um ataque bárbaro na Suíça provocado por três neonazistas. E, sobretudo, quando a matéria mencionou que a mulher teve o corpo todo cortado e que por conta das agressões perdera as filhas gêmeas que esperava, fiquei aturdido com a selvageria e com a infâmia dos agressores.

Tomado por uma revolta incontida, principalmente pelo motivo do crime - xenofobia e racismo - procurei entrar em contato com uma colega brasileira que mora na Suíça. Embora ela tenha negado ter sofrido preconceito ou discriminação por parte dos suíços, lembrou que certa vez, um suíço a olhou com intenção lasciva, quando ela disse que era brasileira. Essa amiga ainda lembrou que só não foi vítima de violência porque percebeu a intenção a tempo de safar-se do perigo.

Para a minha surpresa e a se confirmar, minha vergonha, a polícia da Suíça e legistas da Universidade de Zurique informam que a brasileira não estava grávida quando disse que foi agredida e que há uma grande probabilidade dos cortes que marcam todo o seu corpo terem sido feitos por ela mesma.

O que levaria uma pessoa a um ato tresloucado desse? Se um ataque de neonazistas causa repugnância e revolta, a farsa - se de fato existiu - é ignominiosa.

Sendo comprovada a farsa, o que me resta é me desculpar, constrangido, com aqueles que me leem e com as autoridades e a imprensa helvéticas, a quem, desde o começo, considerei parcial e decidida a abafar o caso.

Dois leitores, atentos, alertaram-me de que eu estava sendo perigosamente crédulo com uma história que começava a mostrar fragilidade, porque as provas que confirmariam o ataque até o momento não apareceram, pior: o que se colhia dos exames feitos na advogada levava a investigação para outro caminho.

A própria polícia do país evita conclusões, mas o que se tem noticiado, de fontes independentes, e até de instituições que têm um nome a zelar, como a Universidade de Zurique, infelizmente, depõe contra a versão apresentada pela advogada pernambucana.

Se as coisas caminharem do jeito que estão caminhado terei cometido um grande erro de avaliação de caso, precipitando-me - e aí não importa se minha raiva e indignação justificavam minha impetuosidade em fazer julgamentos antes de qualquer conclusão - a taxar de xenófobo e racista, um país que vem, através de plebiscitos, aprovando leis que não restringem a entrada de imigrantes.

A pergunta que não cessa de ribombar na minha cabeça, é: Paula Oliveira, por quê?

Por conta disso, em respeito às investigações e fazendo um mea-culpa, decidi retirar da página o post que escrevi ontem.

7 comentários:

vinicius disse...

professor, o que vai ser esclarecido então é se a mulher brasileira foi realmente agredida ou se auto agrediu? acho meio sem lógica ela ter feito isto

Alexandre disse...

Caro Zé: assim como Vinicius -seu aluno, suponho- muitos em muitos lugares perguntam-se por quê esta moça entregou-se a tão dementado ato. Alguns conhecidos da advogada, colegas da Faculdade de Direito do Recife, deram declarações na imprensa pernambucana dizendo que a exemplar advogada Paula Oliveira jamais se auto-flagelaria, pois a sua conhecida serenidade é incompatível com ações deste naipe. Mas...esquecem-se de um pequeno e relevante detalhe, aplicável não só a advogada pernambucana como a todos nós: não somos sempre aquilo que somos principalmente.
Saúde e paz.

Ananda disse...

Liga não professor, se ela fez mesmo isso(acho que está provado né?) todos nós nos deixamos enganar e falamos mais do que devíamos, até o Lula rsrsrs.
Se a xenofobia não fosse uma realidade, não teríamos pensado nisso ;)
Bjss

Anônimo disse...

Só dá para ter pena dela Paulo,precisa de ajuda pesiquiátrica,e os diplomatas,e nossa imprensa sensacionalista que fique de lição,nada de passividade,até descobrirem o que realmente aconteceu.
Flávia

Anônimo disse...

Li, na Folha On line, um artigo que falava de outras mulheres que também acusaram neonazistas de as atacarem. Todos os casos mobilizaram um grupo indignado, mas acabaram em reconhecimento e confissão de que houve auto-mutilação e de que nenhum neonazista havia feito nada. Achei estranho várias pessoas inventarem a mesma história e desmentirem depois. Não estaria havendo coação? É claro que há doenças que levam as pessoas a mentirem e se machucarem seriamente, mas também há outras hipóteses. Antes de dizer que a advogada mentiu, devíamos antes pensar em tudo o que ela estar passando. Afinal, denunciar algo que arranha muito a imagem de um país não é algo muito bem aceito por este. Será que só no Brasil corrupções e ameaças acontecem?
Não estou fazendo afirmações, mas levantando questões. Pode ser que sim, mas ainda pode ser que não.

Faith disse...

Senhor Zé Paulo, ou prefere que te chame de Zé Paulo apenas? Eu concordo com seu post, e declaro que me senti tão desconcertada quanto o senhor ao saber que há a possibilidade de a moça ter feito essas atrocidades consigo mesma. Isso é algo inaceitável na minha opinião. Eu não consigo imaginar, sinceramente, alguém fazendo essas coisas consigo.

PS.: Fiquei sabendo de seus comentários sobre mim em uma de suas aulas hoje. Não me importo de dizer quem sou. Eu estranhei ao saber que você disse que eu tinha medo de que meus amigos e familíriares se afastassem. Não foi isso que eu declarei em meu blog, por favor, releia meu perfil. Mas obrigada por seu comentário.

Lelec disse...

Oi Zé,

Ontem conversei com um amigo suíço, que mora em Genebra.

A repercussão do caso não foi tão grande na Europa quanto foi no Brasil. O mais interessante foi que ele me disse que o ocorrido, apesar de ser uma farsa, poderia muito bem ter sido verdadeiro, pois há muita xenofobia no seu país. Enfim, a farsa era bastante verossímil. Por isso, meu caro Zé, não se recrimine por ter "embarcado" na lorota da moça. Todos embarcamos, nem que apenas por pouco tempo.

Abraço,

Lelec